A gente não morre

A gente não morre, vira estatística.
Na ocasião da morte do menino João Hélio no Rio de Janeiro, além da indignação da mídia, da população e do noticiário, aconteceram também outras manifestações como o excelente depoimento de Alexandre Garcia, ou o tocante texto do Paulo Coelho (que foi o grande motivador deste blog) ou ainda a do publicitário Nizan Guanaes.

Nizan Guanaes “criou dois spots para veicular nas principais rádios do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília com a finalidade de despertar à população para que a morte do garoto João não seja apenas uma estatística. O objetivo é conscientizar à população sobre o fato de que cada um, em sua área de atuação, seja ela qual for, pode fazer algo. E na profissão de publicitário e redator ele criou o jingle e está ligando nas rádios, pedindo apoio para veicular a campanha.”

Disse também ser essa uma iniciativa de pai e cidadão.

Na época foi criado também o site

http://www.euvoufazeralgo.com.br/

que nós , inclusive, estávamos indicando no nosso blog.
Contudo, ao clicar no site, descobri que ele não está mais disponível.
Não tenho ouvido rádio, e acredito que diante da ausência do site, a campanha no rádio, também não esteja mais sendo veiculada.

Fiquei decepcionadíssima.
Como pode uma campanha que foi criada para não nos deixar esquecer a tragédia e a necessidade da sociedade reagir, ser abandonada tão rápido?

Você não acha rápido? Pois não faz nem 2 meses que aconteceu essa tragédia.

Será que também, o pai e cidadão Nizan Guanaes foi, como muitos, apenas tomado pela momentânea “comoção nacional” citada pelo Presidente Lula?

Será que nossa sociedade ainda não vai fazer nada?

Venho aqui registrar em nosso blog a iniciativa de Nizan (embora já esquecida) e lembrar que dia 10/04 acontecerá mais uma manifestação contra a violência e a impunidade que assola nossa cidade e nosso país.

Temos o dever, de pelo menos, tentar comparecer.

Por humanidade, por solidariedade, por compaixão – se não por justiça.
Se você não sabe como é, leia nosso relato, pois nós fomos na última caminhada.
Se você, assim como eu, não sabe exatamente o que fazer, tente fazer isso:
Comparecer a uma manifestação.
Se a gente não tentar encontrar um caminho, se ficarmos em casa esperando essa solução aparecer, ela não virá.

O que desejamos só aparece quando buscamos.
“Está na hora de fazer alguma coisa”.

Veja os textos abaixo que não devem estar mais sendo veiculados. E caso você ainda os ouça no rádio, nos informe.

Ficarei feliz de saber que estou enganada e que esta campanha continua.
Assista o vídeo clicando aqui !!

E aí? Nós Não vamos fazer nada?” VOX NEWS – 13/2/2007
Nizan Guanaes criou ontem
Spot 45″
“João Hélio 1″
“Neste final de semana, a capa de uma das revistas mais importantes do país pergunta ao Brasil: “E aí? Nós Não vamos fazer nada?”. Se referindo ao bárbaro crime do garoto que foi arrastado por 7 kms no Rio.
E aí, motorista de táxi? E aí, aposentado? E aí, mãe de família? Nós não vamos fazer nada?
E aí, Rio de Janeiro, não vamos fazer nada? E aí, Brasília, São Paulo, não vamos fazer nada?
E aí, governo e oposição, não vamos fazer nada?
E aí, sociedade brasileira?
A pergunta não quer calar. Um menino de 6 anos foi arrastado durante 7 kms, uma morte brutal.
E aí? Nós não vamos fazer nada?”
Spot 45″
“João Hélio 2″
“Neste final de semana, a capa de uma das revistas mais importantes do país pergunta ao Brasil: “Não vamos fazer nada?”, se referindo ao bárbaro crime garoto que foi arrastado por 7 kms no Rio de Janeiro.
Bom, nós que somos publicitários decidimos fazer uma campanha de rádio para fazer a mesma pergunta da revista: E aí? Nós não vamos fazer nada?”…. E a nossa proposta é que cada um de nós, dentro do que pode fazer na sua profissão, faça alguma coisa.
E espalhe esta pergunta: um garoto de 6 anos foi arrastado por 7 kms. E aí, a gente não vai fazer nada?
Espalhe a pergunta, responda, reaja.”