Publicidade infantil: Conar não é lei.

palhacoMuito interessante ver a notícia de que “o Conar decide apertar o cerco contra a publicidade infantil”. Isso não foi uma decisão do Conar. Isso foi uma resposta necessária à pressão da sociedade, de entidades de defesa do consumidor, do Ministério Público, de Conselhos de classe profissionais e Federais, de organizações não governamentais e políticos que lutam há anos pela defesa da infância através da regulamentação da publicidade infantil, visto que o Conar sempre se mostrou ineficaz neste sentido. É importante ressaltar que, neste quase um ano de existência do Movimento Infância Livre de Consumismo, fomos atacadas de todas as formas depreciativas pelos representantes da publicidade por meio da fala de representantes do Conar e das associações de publicitários. E o discurso era sempre o mesmo: que a culpa era dos pais que não dão limites aos filhos, afirmando ainda que as regras deliberadas pelo código de autorregulamentação publicitária são suficientes. Esta mudança nas regulamentações do Conar mostra que as crianças, como sempre dissemos, estavam desprotegidas dos abusos da publicidade infantil.

Sem dúvida seria um avanço importante se o Conar agisse. Contudo, a grande maioria dos casos julgados pelo Conar são de constrangimento de empresas, que nada mais é que empresa falando mal da concorrente. Raros casos colocam a questão dos valores em pauta, está tudo no boletim deles. Eles levam meses para julgar um mérito de valor e só funciona quando há denúncia. Sem denúncia eles não tiram campanhas do ar e, quando o fazem, a campanha não está mais passando, como no caso de uma de nossas denúncias da Páscoa de 2012, julgada apenas em junho , quando já estava fora do ar. Ou seja, o código de autorregulamentação publicitária existe – podemos até dizer que é bom – mas não funciona. Sem dúvida essa atitude é uma comprovação de que a regulamentação da publicidade infantil precisava de revisão, e a mudança na autorregulamentação do Conar é uma delas. Vamos aguardar março para ver como vai ficar a tal autorregulamentação da publicidade infantil.

Entretanto, é importante considerar que parece bonitinho, só que não é bem assim. O Conar é composto por profissionais inteligentes e experientes que estão querendo evitar a regulamentação legal. É um jogo de xadrez. A pressão foi tão grande (sociedade, entidades de defesa do consumidor, conselhos, Ministério Público e ongs) que eles estão com medo de perder a autorregulametação – ou seja, aquela feita pelos próprios publicitários. Estavam em xeque. Uma classe que se autorregulamenta exclusivamente não é confiável. A autorregulamentação pode até existir, achamos que deve, desde que existam outros meios de regulamentação. Importante também frisar que o Conar não vai proibir nada. O código da entidade não é lei, portanto não proíbe nada. Falar em proibição, neste caso, é uma grande falácia.

De nossa parte, continuaremos a questionar o governo pela discussão e aprovação do PL que tramita há 12 anos sem sucesso. A quem interessar possa: estamos de olho! Esta mudança na regulamentação do Conar mostra que os abusos da publicidade infantil são muitos e precisam de controle externo, além da autorregulamentação publicitária.

Entretanto, há momentos em que nos perguntamos se a verdade por trás dessa mudança do Conar não seria um acordo politico de bastidores para que o PL seja engavetado sob o pretexto de que a autorregulamentação está se tornando mais restritiva. O problema, senhores políticos, é que não adianta criar regras que não sejam punitivas. O Conar divulga que proíbe, mas não proíbe. As penalidades do Conar se resumem a dar uma advertência e recomendar – apenas recomendar – alteração ou retirada da peça publicitária. Ora, isso não é penalidade, é um acordo tomando café. Isso não inibe ninguém de colocar a peça publicitária abusiva no ar e deixar o barco correr sem nenhuma punição, ainda mais sabendo que o Conar demora meses para dar seu parecer. Não acreditamos em regulação sem multas pesadas aplicadas pelo Estado e com rapidez, não três anos depois. O Conar é um departamento que limita a si mesmo, é a raposa cuidando do galinheiro. Impossível pedir isenção da raposa ou que ela proteja as galinhas…

Por fim, senhores políticos (e pedimos também atenção do Idec, Procon, Ongs e todos os demais envolvidos), que fique claro que o que queremos é uma lei. Conar não é lei.

 

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[imagem: Getty Images/royalty free]

Rio+20: pela primeira vez, os pais na mesa de debates!

Em meados de 2007, conheci o projeto Criança e Consumo. Naquela época, ainda não havia me dado conta da influência da propaganda na vida das crianças. Por isso, acredito e entendo que a maioria das pessoas não perceba. Natural, afinal as propagandas são meticulosamente criadas e preparadas para nos influenciar sem que a gente perceba. E se influenciam a nós, adultos, sem que percebamos, imaginem as crianças.

Três anos depois, em 2010, no Fórum Criança e Consumo, em São Paulo, pensei: por que os pais não estão lá, fazendo parte das mesas de debate? O fórum foi muito bom, mas saí com aquele sentimento de que faltou alguma coisa. Num papel de perguntas do fórum, eu coloquei que senti falta dos pais na mesa de debates. Afinal, não são eles que vão promover as mudanças fundamentais? E pensei: vamos colocar os pais no debate!

Não era uma tarefa fácil. Eu e mais algumas amigas já saimos do fórum pensando em como articular os pais. Criamos alguns projetos que, embora tenham sido bem sucedidos, não chegaram a atingir esse objetivo. E foi no Facebook, alguns meses depois, que esse projeto começou a nascer, com a criação de um grupo de discussão sobre o tema Consumismo e Publicidade Infantil, que hoje conta com mais de 1.200 integrantes. Estou convicta de que a internet é um grande agente transformador, agregador e definitivo na transformação de nossa sociedade.

Através desse grupo, descobrimos a fan page de uma associação de publicitários que, embora diga que TODOS são responsáveis por cuidar das crianças, na verdade queria responsabilizar exclusivamente os pais pelo controle daquilo que as crianças veem na mídia. E o grupo imediatamente repudiou essa postura. As crianças não são responsabilidade exclusiva dos pais. Crianças mal influenciadas são um problema de toda a sociedade, pois toda a sociedade paga o prejuízo causado por cidadãos mal formados. A Lei também é clara: a responsabilidade sobre o bem-estar emocional e físico das crianças é da família, da sociedade e do Estado.

Essa associação não desejava dialogar, mas, sim, ter espaço para expor apenas seus pontos de vista sobre a questão, de modo a manipular as opiniões a respeito do assunto. E foi aí que decidimos que precisávamos agir e fazer alguma coisa para alertar os pais que, assim como nós, nunca haviam se dado conta da influência negativa e predatória da publicidade infantil.

Em uma semana, ultrapassamos os LIKES que os publicitários levaram 3 meses para conseguir. Em consequência desse trabalho, fomos então convidados pelo Alana/Projeto Criança e Consumo para falar na Rio+20. Naquele momento, dois anos depois do fórum, havia sido atingido o objetivo de representar os pais na mesa de debates pela primeira vez – e na Rio+20, a conferência Mundial de Desenvolvimento e Sustentabilidade. Não poderia ser mais emblemático!

Chega a Rio+20. Nosso movimento já estava bem maior, mas, ainda assim, acabara de completar apenas 3 meses. Fiquei muito emocionada de ser parte integrante da Rio+20, ainda mais como mãe e abordando o tema publicidade infantil, consumo e sustentabilidade. Me deu o sentimento bom de saber que não sou capaz de mudar o mundo, mas que estou fazendo a minha pequena parte. E ao contrário do que muitos disseram sobre a Rio+20, tudo o que vi mostrou que tem muita gente atuando em suas comunidades. E é isso que estamos fazendo através desse grupo, lutando para mudar o nosso mundo.

Durante o evento, pudemos ver relatos como o de um chileno que contou que, em sua comunidade, que fica bem afastada dos grandes centros, o consumismo já deixa sua marca e influencia crianças e jovens de forma assustadora. Mostrou também que, assim como nós, muitas outras pessoas acreditam que as crianças precisam ser protegidas e cuidadas para que tenhamos a chance de ter um mundo melhor e mais humano. Especialistas em legislação, psicologia, defesa do consumidor e educação infantil comprovaram a importância de se impor regras rígidas para a publicidade infantil no Brasil. E o mais incrível era que nós, os pais, estávamos lá, na mesa, pela primeira vez, para mostrar que estamos nesta luta. Mostrar nossas dificuldades em enfrentar este mercado, enfrentar a invasão da publicidade através do mundo mágico e sem limites possibilitado pela ilusão da televisão.

Depois do evento, fomos abordados por várias pessoas que fizeram questão de nos apoiar e dizer que concordam que esta luta é necessária e urgente. Pude ver em todos os olhares o quanto é importante existir um movimento de Mães defendendo a infância. Em muitos olhos pude ver emoção, a mesma emoção que eu estava sentindo. Temos no Brasil leis suficientes que apoiam a infância, mas elas não estão sendo capazes de coibir os abusos da publicidade que se baseia numa autorregulamentação inócua e que somente nos prova, todos os dias, que os interesses financeiros estão acima de qualquer interesse que defenda e proteja as crianças. E agora nós entramos no debate para ficar e exigir que o Estado faça a sua parte, regulamentando a publicidade infantil no Brasil.

[fonte: http://infancialivredeconsumismo.com/index.php/rio20-pela-primeira-vez-os-pais-na-mesa-de-debates-2/ ]

 

Coletivo de pais será ouvido em Audiência Pública sobre regulamentação de publicidade infantil

Pais e mães que defendem a regulamentação da publicidade infantil serão ouvidos pela primeira vez na Câmara no dia 3 de julho. A audiência da qual o grupo participará é parte dos trabalhos da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Casa, que está analisando o PL 9521/01, que trata justamente de regulamentar a propaganda dirigida às crianças.

O coletivo Infância Livre de Consumismo (ILC), que reúne os pais pró-regulamentação, requereu a participação quando ficou sabendo da audiência, e o pedido foi acolhido pelos membros da comissão. “Os pais nunca tinham sido ouvidos pelos parlamentares que discutem os rumos desse projeto. Entendemos a importância dessa ausculta, pois é uma forma democrática de a sociedade participar. É fundamental nossa participação nesse momento da elaboração do documento”, explica Mariana Machado de Sá, uma das fundadoras do grupo.

Também participarão desse debate o Instituto Alana, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), a Associação Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor (ANADEC), a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED), a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão além de organizações que representam o mercado.

Coletivo ILC
Em três meses de atividades, o ILC já tem mais de cinco mil seguidores no Facebook e ganhou apoios importantes, como o do Instituto Alana, da Aliança pela Infância e do Idec, e de teóricos da comunicação como Telma Vinha, Edgard Rebouças, Laurindo Leal Filho e Venício Lima.

O objetivo do grupo é socializar informações sobre os danos provocados pela publicidade dirigida às crianças e os impactos na vida das famílias, da sociedade e no meio ambiente. Além disso, gera aprendizado sobre as possibilidades de regulamentação da propaganda dirigida à infância.

Contato: Natalie Catuogno 11 8523-3091

Este é um momento importante. Histórico: é a primeira vez que os pais sentarão na mesa e serão ouvidos. É uma audiência PÚBLICA e todos serão bem vindos. Nossa representante está muito preparada para mostrar o lado dos pais: as dificuldades, os dilemas, as realidade.

Quem puder compareça: Câmara de Deputados, 03/07/12, 14h.

 

Mais informações sobre a tramitação: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=43201

Amanhã, estaremos na Rio+20!

Amanhã, estaremos na Rio+20 representando o movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com importantes organizações que se preocupam em preservar e proteger a infância. Um momento realmente importante já que pela primeira vez, os pais terão representação nos debates. E isso é fundamental, afinal,  é na família e nos pais, que as crianças e a sociedade vão começar a mudar! São os pais os empreendendores do futuro! E a mudança só começará de verdade, a partir de nós!

#publicidadeinfantil

Animação: Publicidade pega pesado com as crianças

Excelente animação da Revista Galileu!

Fórum Criança e Consumo – Dia 2 – parte 3

Consumo Infantil, capitalismo e o papel da família

Somos contemporâneos da crise. A modernidade não está respondendo os grandes problemas da humanidade. O capitalismo fracassou para 2/3 da população do planeta. A maior parte das coisas na vida é difícil mas o capitalismo nos faz preferir as coisas fáceis. “Direitos Humanos” é luxo num mundo onde não temos direitos básicos como alimentação, por exemplo. O setor administrativo é seletivo, enquanto o repressivo é absoluto.O Estado só responde pela camadas privilegiadas da sociedade.

O Mercado, que é uma entidade abstrata, é tratado como um Deus a ponto de vermos atletas fazendo propaganda de cerveja na televisão. Tem coisa que não comungue mais do que bebida alcoólica e esporte?

A publicidade cria o desejo pelo não-necessário. A publicidade infantil é um tipo de pedofilia vertical. A erotização infantil precoce, nada mais é que a adultização num ser biologicamente infantil. E os produtos que ostentamos nos agregam valor. Não é interessante perceber que as roupas de grife passaram a colocar as etiquetas do lado de fora?
90% do aprendizado acontece entre 0 – 6 anos de idade que é considerada a fase em que temos maior capacidade de aprendizado, justamente a fase onde aprendemos a ser seres humanos independentes. Nem tudo pode ser permitido, as crianças têm necessidade de controle e censura.

Como criar uma sociedade que não viole o direito da criança a uma infância sadia?
ATV causa uma certa hipnose visto que prende nossa atenção por horas a fio sem que consigamos dar atenção a outra atividade. No Brasil, a criança fica, em média, 5 horas na frente da TV, mais tempo do que permanece na escola. A criança não tem discernimento para entender as mensagens publicitárias enviadas em sua direção: para elas, uma bicicleta e um copo d’água tem o mesmo valor. Uma forma de tirar as crianças dessa hipnose da televisão é incentivá-los a criar seus próprios brinquedos. Isso demanda tempo, atenção, concentração e exercita a criatividade. Tudo começa na imaginação, precisamos estimulá-la.

O que é preciso para uma pessoa ser feliz?
Como ensinar as crianças a serem felizes sem se comparar com os colegas? É preciso ensinar às crianças que a felicidade é uma realidade interior. Valores infinitos e valores de subjetividade. Generosidade, solidariedade e a prática de serviços desinteressados.]

Como os pais podem desestimular o consumo nos filhos sem que estes se sintam excluídos do seu círculo social já que maioria esmagadora dos outros pais (e sociedade em geral incluindo família e escolas) estão absolutamente passivos ou envolvidos diante do apelo consumista? Fiz esta pergunta à mesa e a resposta foi surpreendente pela simplicidade e pela constatação da dificuldade que os pais encontram em educar.

Como educar a criança diante da pressão consumista? Dando o exemplo. O que os pais querem quando levam o filho para passear num shopping a não ser dar a eles um referencial de consumo? Shopping é um templo de consumo, uma droga virtual baseado num mundo perfeito construído para encantar. Uma super proteção (shoppings, condomínios) que acaba por nos tornar inseguros e torna esses bens como mínimos referenciais.

“Estou apenas observando quanta coisa existe que eu não preciso para ser feliz” (Sócrates)

Em contra partida, os pais não encontram aliados quando querem fazer diferente e remar contra a maré de consumo imposta pela sociedade e sofrem pressão por todos os lados: escola, mídia, Estado. Os cidadãos precisam se ajudar, os cidadãos precisam ajudar os pais.

A Escola não está preparada. Cantinas reforçam a aversão das crianças aos alimentos saudáveis. Falta de orientações claras permitem competição entre materiais, brinquedos, roupas. A escola que deveria ser de igualdade (todos iguais juntos para aprender, usando uniforme e materiais iguais) se torna um local de competitividade por melhores brinquedos , presentes, roupas, marcas – mais um local onde eles aprendem a exibir o materialismo como valor essencial.

FREI BETTO [Palestrante] Frade dominicano e escritor, assessor de movimentos sociais. Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Com 51 livros publicados, escreve para vários jornais e revistas e profere palestras no Brasil e no exterior.
Benjamin Barber [Palestrante] : Teórico político de renome internacional. Foi Professor de Ciências Políticas (Walt Whitman) da Universidade de Rutgers por 32 anos, e em seguida, Professor de Sociedade Civil (Gershon e Carol Kekst) na Universidade de Maryland e durante cinco anos trabalhou como consultor informal do Presidente Bill Clinton. Os 17 livros de Benjamin Barber incluem o clássico Strong Democracy (1984), McWorld (1995 com uma edição pós 9/11 em 2001, traduzido para vinte e sete línguas) e Consumido: Como o Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos , publicado em 2007 por W.W. Norton nos Estados Unidos e em sete edições estrangeiras.

Crianças como cidadãos ou como consumidores?

com Taís Vinha do blog Ombudsmae.blogspot.com

Fórum Criança e Consumo – dia 2 – parte 2

Antes de começarmos, quero dizer que este foi um dos palestrantes que mais gostei, tanto pela qualidade do que foi dito (no sentido do tema) quanto pela qualidade do palestrante que inclusive pediu para que as luzes da platéia fossem aumentadas para que ele se sentisse interagindo com a mesma.

O  que há de errado com o Capitalismo? Ele,  indiscutivelmente, triunfou perto de outros sistemas e muitos países triunfaram quando adotaram o capitalismo.
Claro que depende do ângulo, afinal não se pode dizer que um sistema é triunfante quando levamos em consideração que maior parte absoluta da população do mundo vive na miséria.

O capitalismo infantiliza os adultos, usa as crianças e transforma cidadãos em consumidores. O adulto passa a se comportar como criança  – eu quero consumir – e compra sem critério e necessidade criando pessoas viciadas em comprar (compralismo). É a insatisfação compulsiva , que citamos no nosso debate de mães, leia aqui. Capitalismo parou de produzir bens para produzir/fabricar necessidades. E isso está criando uma geração de compradores que aos 18 anos já se tornaram compradores compulsivos – com  muita disposição e nenhuma responsabilidade.

Comprar = prazer = drogas
”Não economize, gaste”
“Não se preocupe com a produção, consuma.”
“Não se preocupe com o seu descanso = lojas 24h”
“Não precisa sair de casa = internet”

O adulto pode escolher não consumir o que não precisa enquanto a criança precisa do adulto para fazer esta escolha. Começamos a violentar a infância e as crianças deixam de ser crianças para serem potenciais consumidores. A erotização nada mais é do que criar produtos para crianças como se fossem adultos. Corrompemos as crianças.
Há shoppings que já separam filhos de seus pais com o intuito de deixar as crianças mais vulneráveis. Vivemos hoje um momento de totalitarismo comercial e publicitário e não de liberdade de expressão e escolha.
Internet pode ser usada por crianças mas não para publicidade e sim para o aprendizado.

Capitalismo está dando fim à democracia e ao pluralismo e vem privatizando a sociedade. O mundo está igual em todas as partes do mundo.  O grande problema é o capitalismo preguiçoso. Interesses sociais são públicos e as escolas não podem ser privadas. Nossas escolhas privadas têm conseqüências públicas, como por exemplo, o carro que escolhemos (consumo de combustível, óleo, etc). E até a água engarrafada compramos que consome plástico, transporte, etc.  Não podemos ser apenas consumidores, precisamos ser cidadãos.
Precisamos produzir nossas necessidades reais ou continuaremos a ser o velho capitalismo que inventa necessidades ao invés de produzir bens necessários.
Um exemplo é o i-phone: câmera ruim, games ruins, telefone ruim, navegador ruim e um monte de gente diz que precisa de um.
Meu trabalho produz reais necessidades? Cidadãos que escolhem onde trabalhar de forma a contribuir com a melhoria do mundo. Princípios éticos que vão além das nossas palavras e daquilo que julgamos ser certo que O OUTRO faça. E nós, o que fazemos?
Criar cidadãos sem fronteiras depende de nós, não do Lula ou do Obama.

Benjamin Barber [Palestrante] : Teórico político de renome internacional. Foi Professor de Ciências Políticas (Walt Whitman) da Universidade de Rutgers por 32 anos, e em seguida, Professor de Sociedade Civil (Gershon e Carol Kekst) na Universidade de Maryland e durante cinco anos trabalhou como consultor informal do Presidente Bill Clinton. Os 17 livros de Benjamin Barber incluem o clássico Strong Democracy (1984), reeditado em 2004 em uma edição de vigésimo aniversário; o atual best seller internacional Jihad vs. McWorld (1995 com uma edição pós 9/11 em 2001, traduzido para vinte e sete línguas) e Consumido: Como o Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos (Consumed: How Markets Corrupt Children, Infantilize Adults, and Swallow Citizens Whole), publicado em 2007 por W.W. Norton nos Estados Unidos e em sete edições estrangeiras.

Fórum Criança e Consumo – dia 2 – Refletir o Consumo

A visão do consumo na ótica das Mudanças Climáticas

Falar de Consumo Infantil pode parecer estranho num primeiro momento e algo com o que não temos com que nos preocupar, mas é importante lembrar que a ecologia era tratada como algo sem fundamento e hoje é tratada por chefes de Estado pois ecologia é uma questão social, econômica e de desenvolvimento industrial. Copenhagen embora não tenha refletido resultados práticos significativos, representou um grande progresso no sentido de ter conseguido reunir 120 chefes de Estado e isso se deve à pressão da sociedade.

Qual a nossa responsabilidade neste processo? Qual a nossa ação concreta?

O cidadão pode mudar a realidade quando diz que não votará no candidato novamente se determinada questão não for resolvida. E talvez assim, tivéssemos saído com resultados mais importantes de Copenhagen.

Precisamos sair da zona de conforto. Vamos deixar tudo para a próxima geração? Crianças e futuras gerações estão sendo usadas como desculpas para que a gente não faça a nossa parte.

E o que o consumo tem a ver com as mudanças clmáticas? Não somente a produção mas o consumo também fomenta o desmatamento. A maior parte de nossa água vem da Amazônia e a desmatam porque há quem consuma. Seus grandes predadores são os madeireiros, a soja, carne e couro.

A empresas distribuidoras precisam dizer que não querem mais fazer parte do problema.

Os consumidores precisam começar a se manifestar dizendo que não consomem produtos produzidos em área de desmatamento. O poder de compra dá ao consumidor o poder de transformar as empresas. O pior tribunal para uma empresa é sua imagem junto ao público.

Uma sociedade calada é uma sociedade ausente e culpada.

Queremos que os governos e empresas mudem mas nós também precisamos mudar para que consigamos mudar este modelo predatório de desenvolvimento.

Marcelo Furtado [Palestrante] : Engenheiro Químico com especialização em Administração e mestrando em Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Atua junto ao Greenpeace na área ambiental há 19 anos. Atualmente é o Diretor Executivo da organização no Brasil.

Fórum Criança e Consumo – dia 1 – continuação

Honrar a Infância

Achei no laptop mais conteúdo relacionado ao primeiro dia do  3º Fórum Internacional Criança e Consumo promovido pelo Instituto Alana , que aconteceu de 16 a 18 de março em SP onde estivemos, através de uma PAM –  parceria de apoio mútuo (modalidade que acabo de inventar…rs) com o blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/ ) e da ANEP Brasil – Associação Nacional para Educação Pré Natal (http://anepbrasil.wordpress.com/ ).
Como o conteúdo é muito interessante, vou publicar uma pequena continuação do primeiro dia.

Crianças e o mundo

As histórias contam que a infância é igual em qualquer lugar do mundo. As necessidades são as mesmas: tem desejos, é preciso separar os desejos que vem de dentro dela e os que botamos dentro delas. Honrar a criança, preservar o direito fundamental das crianças. É direito da criança poder opinar e se expressar.

Brincar vem do latim, vínculo. Brincar é se vincular com o mundo.

Quando existe democracia existe conflito de interesses mas na área de consumo e propaganda prima pela violência como os conceitos são colocados. Usar o brincar como fórmula de propaganda  é perverso por ser este o meio como a criança se comunica com o mundo.

Preservar e respeitar o pleno desenvolvimento da criança é fundamental e o Estado, a familia, a comunidade e a sociedade são responsáveis pela criança.

Pais e a propaganda

Pesquisa revelou que 73% dos pais entrevistados não querem propagandas voltadas para seus filhos.

O grande problema da propaganda infantil é que  querem vender ao invés de formar. O consumo de produtos alimentícios sem qualidade, por exemplo, está levanto ao aumento da obesidade infantil. E a ausência necessária dos pais no mundo atual trava uma luta desigual com as propagandas infantis.

Empresas e publicidade infantil

Em breve as boas empresas não anunciarão mais para as crianças. Será uma questão ética para elas. Antes, as empresas devastavam, hoje constroem florestas. O mundo corporativo está em mudança no sentido de ver o planeta como um todo e se pensarmos mais das crianças, o mundo sai ganhando pois é preciso apreciar a contribuição da criança para a evolução do mundo.

Pais e as Empresas

Aos pais, cabe tornarem-se consumidores conscientes, serem exemplo.

Deixar de comprar produtos que fazem propagadas para crianças é fundamental.

E falar isso para as crianças, pode ser um bom caminho para aquelas comecem a entender o que significa a publicidade nociva e dar à elas ferramentas para serem seus próprios críticos.

Qualquer ação para regulamentar o abuso da publicidade é mascarada como cerceamento da liberdade de expressão.

Quando na verdade, não é a propaganda que será cerceada e sim, estaremos garantindo o direito à criança à sua integridade.

Integridade = liberdade, respeito, dignidade

Palestrantes:
Ilan Brenman [Abertura] Mestre e Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), autor de mais 25 livros (muitos premiados). Atualmente, é considerado um dos mais importantes e renomados contadores de história do país.
Corinna Hawkes [Palestrante] É atualmente professora convidada do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pesquisadora visitante do Centro de Políticas de Alimentação da City University, em Londres. Foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças, da OMS.

Guilherme Canela [Palestrante] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Coordena a área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil.

Cenise Monte Vicente[Palestrante] Mestre em Psicologia Social, foi coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas e co-autora de vários livros. É consultora em direitos da criança e em responsabilidade social.

Inês Vitorino Sampaio [Mediadora] Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Sociologia pela UFC e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”.

Fórum Criança e Consumo – Dia 1:Honrar a Infância

Como todos sabem, estivemos no 3º Fórum Internacional Criança e Consumo promovido pelo Instituto Alana , que aconteceu de 16 a 18 de março em SP através de uma PAM –  parceria de apoio mútuo (modalidade que acabo de inventar…rs) com o blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/ ) e da ANEP Brasil – Associação Nacional para Educação Pré Natal (http://anepbrasil.wordpress.com/ ) estarei esta semana em SP.
Estar presente neste evento é muito importante para nós por ser uma bandeira que sempre defendemos: criança não pode ser tratada como mero potencial consumidor.
Criança tem que ser respeitada.


A realização de eventos como este são importantes para conscientizar. Afinal, não mudaremos a realidade sem participação, e críticas sem participação, não protagonizam mudanças. Por isso, é importante aceitarmos o convite para debater, pensar e trocar impressões a respeito do tema Publicidade Infantil que é um desrespeito ao universo da criança.
SÓ EXISTE O PRESENTE – PRESENTE DO PASSADO, PRESENTE DO PRESENTE, PRESENTE DO FUTURO. (SANTO AGOSTINHO)
Uma nova história sempre pode ser construída quando uma criança nasce. Não podemos simplesmente ignorar e desprezar essa magia e esse leque imenso de possibilidades incríveis que são as crianças.
As crianças brasileiras ficam em torno de 5 horas na frente da TV, mais do que na escola em horário regular. Isso é muito tempo de exposição da criança à mídia e a exposição excessiva gera hiperatividade, distúrbios de saúde e violência na infância. Um bom exemplo, é o fumo. Ele não aumenta a chance de câncer? A exposição da criança à violência aumenta os casos de violência na infância e a violência tira a criança do convívio social. Além disso, a privação ao direito de imaginar está impedindo que as crianças consigam se ver no futuro e continuar a repetir o modelo atual de mídia que atinge as crianças – promoção de consumo a qualquer custo – , será um grande desastre.
O mundo adulto é a maior dificuldade pois repetimos conceitos prejudiciais já instituídos no mundo em que vivemos. Depressão e os modelos inatingíveis de beleza (e magreza), por exemplo, estão aí para todos verem todos os dias na tela da TV. No mundo corporativo, por exemplo, é comum tratar os profissionais como executivos. O que são os executivos? São aqueles que matam. Nada mais que um reflexo da realidade competitiva do atual mercado de trabalho: um executando o outro. E as crianças repetem os nossos modelos.
No caso dos alimentos, a coisa fica mais séria de forma comprovada através de estudos. Alimentos dominam a publicidade voltada para crianças e a maioria esmagadora desses alimentos não são recomendados para as crianças.
MARKETING CRIA VONTADE DE CONSUMIR – CRIA DEMANDA


A cultura geral do consumo prega a capacidade e a vontade de consumir como sendo uma ESCOLHA e, sendo assim, isso é uma coisa boa para a sua vida pois ter direito à escolha é sinônimo de boa vida. E isso é estendido á infância como sendo um direito da criança.
Mas é realmente uma escolha?

Os adultos têm o dever de contestar. Que criança queremos ter?
A mídia dentro do programa infantil, muitas vezes, não permite à criança diferenciar o marketing em si do programa que ela está assistindo. E a associação de um produto ou alimento ao seu herói ou personagem de TV favorito, é imediata. As embalagens feitas para atrair as crianças e a associação de alimentos com poucos nutrientes a brinquedos, também são armadilhas que afetam a preferência da criança e elas importunam os pais para conseguir o que querem.

A publicidade sabe disso.

A imagem é poderosa e a TV aberta é gratuita e de fácil acesso, está dentro da casa da gente. Sem contar que os responsáveis pelas crianças também são influenciados pela mídia.
Crianças levam hábitos adquiridos durante a infância até a idade adulta, assim como o peso excessivo é levado ao mundo adulto. A obesidade será uma das principais causas de morte no futuro.
Mais de 20 países tem política de marketing de alimentos para crianças mas o conteúdo deixa a desejar, não são claras e são contestáveis, o que realmente as impede de serem eficazes no seu propósito.
O que deve conter essas políticas?

Proteção à saúde da criança. Ponto. E não podemos pensar nisso somente para o futuro, porque na realidade o futuro nunca chega. Precisamos defender a criança, agora, no presente, através de uma sociedade civil organizada onde a legislação seja apoiada por profissionais (como pediatras, pedagogos, psicólogos, professores, etc.) que entendam e respeitem a infância.
A Lei de Proteção aos animais antecede as leis de proteção às Crianças e, no passado, muitos advogados usavam as leis de proteção aos animais para defender as crianças.
1883 – Congresso internacional de Proteção à Criança (Paris)
1924 – Declaração de Genebra
1959 – Declaração dos Direitos da Criança
1989 – Convenção dos Direitos das Crianças (ONU)


A Lei Brasileira representa um grande avanço pois o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente derruba por terra o argumento normalmente usado como: “melhor interesse da criança”, pois define que a criança tem que ter prioridade absoluta.
O respeito aos direitos das crianças é uma questão social. A TV Cultura, após denúncia, parou de veicular publicidade em sua programação infantil e viu-se diante de um enorme rombo em seu orçamento e isso os levou a buscar outras alternativas.
É importante incentivar estudos para nos basear em fatos concretos e não em “achismos” ou preferências. Ressaltar pontos positivos da mídia e regulamentar pontos negativos. Merchandising social, por exemplo, é positivo quando promove inclusão de crianças com Síndrome de Down como personagem de novela, pois sucinta debates e permite objetivar discussões a respeito de um tema importante para o desenvolvimento de uma sociedade sadia.
O diálogo na família também é importante e as crianças são aptas a entender os argumentos em prol do planeta pois esta é uma questão atual em seu universo e vem de encontro direto ao consumo consciente.
A escola ainda ignora a mídia como assunto e não se vê conversas dentro do ambiente escolar sobre propaganda, marketing e companhia. Os pais e a escola devem incentivar a criança a construir a brincadeira ao invés de serem meras espectadoras (através de rádio comunitária, montagens teatrais, elaboração de jornais, etc) passando-as a atores ao invés de platéia. Transformando-as em seres auto-crítico (“isso eu não quero assistir.”).
Compartilhar responsabilidades entre escolas, pais, empresas e sociedade é fundamental para avançarmos e respeitarmos a infância.

Palestrantes:
Ilan Brenman [Abertura] Mestre e Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), autor de mais 25 livros (muitos premiados). Atualmente, é considerado um dos mais importantes e renomados contadores de história do país.
Corinna Hawkes [Palestrante] É atualmente professora convidada do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pesquisadora visitante do Centro de Políticas de Alimentação da City University, em Londres. Foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças, da OMS.

Guilherme Canela [Palestrante] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Coordena a área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil.

Cenise Monte Vicente[Palestrante] Mestre em Psicologia Social, foi coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas e co-autora de vários livros. É consultora em direitos da criança e em responsabilidade social.

Inês Vitorino Sampaio [Mediadora] Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Sociologia pela UFC e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”.

Outros links:
Encontro internacional discute marketing infantil – Conferência Internacional de Marketing Infantil reúne publicitários, pesquisadores, empresários, representantes da área de marketing para discutir o cenário da publicidade infanto-juvenil


Tv Cultura – Instituto Alana notifica canal educativo por considerar inadequada publicidade dirigida às crianças

Convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :

Lucia Malla http://www.interney.net/blogs/malla/

Lúcia Freitas  http://www.ladybugbrazil.com/

Thaís Saíto  http://blogvidaverde.blogspot.com/

Nosso debate – publicidade Infantil, proibir ou não:

Parte 1: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/

Parte 2: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-ii/

Parte 3:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/3217/

Mais posts :

Fórum Criança e Consumo:

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forum-crianca-e-consumo-dia2parte3/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/criancas-como-cidadaos-ou-criancas-como-consumidores/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forumcriancaeconsumodia2refletiroconsumo/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1-continuacao/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/