Hoje meu dia foi daqueles que deixam as mulheres completamente insanas.
Não tenho empregada, trabalho em casa, cuido de dois filhos, levei 15 minutos para sair com o carro da garagem hoje porque o portão manual fechava com o vento…e eu sozinha, não consigo colocar as crianças para segurar o portão enquanto eu saio de ré (fala sério, né?) cheguei na aula atrasada… já coloquei roupa na máquina, lavei louça, atendi clientes, empacotei encomendas, atendi entregadores, respondi e-mails, levei filhos á escola, arrumei minha cama 2 horas da tarde, e ainda tenho uma pá de coisas para fazer. Logo não sou rica. Nem faço questão de ser, quero viver dignamente , com felicidade e tenho vários exemplos de que dinheiro não manda comprar isso como diz a velha piada popular (dinheiro não compra felicidade mas manda trazer – MENTIRA). Mas isso é outro papo. Então, já viram, estou com a “macaca”.
Aí, eu recebo como todos os dias, as famigeradas sugestões de pauta de agências que enviam para que blogueiros como nós, promovamos seus clientes, de graça. E escolhem normalmente, a pauta de acordo com o perfil do blogueiro que aí ele se identifica e publica – com a melhor das intenções. DE GRAÇA. Mas a agência tem um bom contrato de pre$tação de serviço. De graça só o seu tempo de blogueiro mesmo.
Eu não pauto meu blog pelo lucro financeiro. Tanto que anúncios e post pagos, só acontecem vez por outra e sempre identificados. Não que isso seja ruim, nem que receber pelo trabalho seja ruim. Receber pelo trabalho é algo INTEIRAMENTE DIGNO. Ô, se é! Mas no meu caso, eu não encontrei ainda um modelo de monentização de blog que seja condizente com o meu trabalho. Por isso, raramente colocamos anúncios ou posts pagos. Nego bastante coisa como pomada contra assaduras para testar (não tenho bebês), parceria com fabricantes de refrigerantes (nem preciso explicar…rs), já neguei ação de sabão em pó que diz que lava mas não lava, post pago de produto que não aprovo, etc… Nisso entram os Bancos, por exemplo.
Ah…os bancos! Os Bancos são as instituições privadas que mais lucram neste país. Incompreensivelmente, são também as que mais exploram nosso país, seus funcionários e seus clientes. Me dê um cliente que seja tratado como na propaganda do banco e retiro o que digo. As greves dos bancários estão aí para todos verem. Sendo assim, eu decidi não aceitar trabalhar para empresas como Bancos, de graça.
Primeiro: Por melhor que seja sua intenção simplesmente isso me soa a mais uma exploração.
Segundo: porque levo em média, 2 horas e meia, para produzir e publicar um post completo (sem pesquisa envolvida, se envolver pesquisa, leva mais tempo). Poxa vida, tempo é bem precioso para uma mãe! E meu trabalho é algo que trato com muito respeito e carinho. Não posso tratar meu tempo e meu trabalho com descaso, como algo sem valor.
Terceiro: porque tenho meus princípios (que não são melhores que os de ninguém, apenas são os meus).
Quarto: porque tenho direito a recusar simplesmente, pois mãe que sou, tenho atenção a dar aos meus filhos (que é prioridade master por aqui), sentar no sofá, não fazer nada(opa, sou filha de Deus), descansar depois de uma semana de trabalho, não ter interesse, enfim, motivos não faltam e dizer não é direito constitucional.
Mas lembram que falei em exploração , em primeiro lugar?
Sim, exploração. Agora a nova modalidade de mídia é a MÍDIA SOCIAL. Então a grande empresa vai lá, contrata uma Agência que tem sua carteira de blogueiros influentes e vende o pacote para as empresas: faça propaganda abrangente gastando pouco e exploda nas redes sociais. A agência recebe (que recebe um valor razoável e bem inferior à publicidade tradicional – esse é o grande lance do negócio), paga a seus blogueiros ALFA e estes arrebanham um monte de outros blogueiros bem intencionados para divulgar o banco DE GRAÇA.
Ainda que a causa seja nobre, como numa situação com que me deparei recentemente, o objetivo é através dela promover a empresa POR ISSO, PRÁ MIM, ESSE MODELO DE MÍDIA SOCIAL QUE VEMOS COMUMENTE POR AÍ PROPOSTO É O VELHO MODELO DA PIRÂMIDE AQUI:
Desculpem, se não aceito este modelo arcaico e explorador predatório como “nova mídia”.
Escrever toma tempo. Bons blogs, de pessoas de bem e com reputação, exigem dedicação. As grandes empresas querem seu duro trabalho, dedicação, reputação e aprendizado que você lutou para adquirir. Mostre que você precisa de apoio para continuar dedicando seu tempo a fazer o que eles tanto tem interesse em associar à sua pessoa ou á sua marca, caso você tenha uma.
E lembre-se, muitos que se denominam ou querem parecer “altruístas” que acham um absurdo quando você diz que cobra pelo seu trabalho, geralmente são pagos e aceitam poucos trabalhos de graça. Quando aceitam….
Nem todos os casos são assim, mas fique atento. Muitos são.
Nem tampouco se sinta intimidado de não aceitar por críticas ou coisa parecida. Você tem este direito soberano. E a inversão de valores é lá e não com você.
E faça de graça para seus pares, se assim o quiser, e puder. Sabendo que receber das empresas não é crime nenhum. O que acho fundamental para não corromper este canal é: seja honesto com o que escreve. A blogosfera precisa ser diferente do modelo que existe. Só conseguiremos isso com ética.
Este final de semana mesmo, participei de um evento maravilhoso sem cobrar, o que faço sempre que posso, com o maior prazer, onde aprendo muito, sempre! Mas para gente que bloga como eu blogo, para seus blogs, para seus projetos que tem a ver com o meu. Conheci pessoas incríveis. Mais gente da minha “turma” de gente que acha que só sendo diferente é que vamos mudar o mundo.
Dá para separar o trigo e o joio, devemos evitar julgar os bons pelos alguns que são ruins.
E seguiremos sempre, com a cabeça erguida.
(E apenas um adendo final, eu não vivo do blog, ele é o meu canal, minha inspiração, meu ponto de encontro para falar do que acredito e ele não é monetizado. Sendo assim, não vivo de mídia social e não tenho com isso expectativa de viver. Meu trabalho é voltado para criação e produção de produtos ecológicos. )




























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