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Fazemos diferença no mundo

Existe um preconceito muito grande com a palavra “preconceito”!
Etimologicamente significa “conceito pré-formulado” ou pré-estabelecido. E porque formulamos conceitos previamente? Por coerência, por encadeamento lógico de raciocínio, por comparações com padrões ou referências.
Preconceito é ruim? Não necessariamente. Muitas vezes é um mecanismo útil de auto-preservação!Vamos logo futucar a ferida. Vamos ao mais “famoso” dos preconceitos, o relacionado à cor de pele, muito confundido no Brasil com “racismo”. Pretos, mulatos e outras denominações para tons de pele mais escuros, durante muito tempo foram vistos como seres “perigosos” e/ou “incultos” e/ou “inferiores”, pelas camadas sociais onde impera o tom de pele mais claro (os “brancos”). Vem de uma realidade, em parte, e de um conceito equivocado (e cretino), por outra parte.(Antes de se escandalizarem, por favor, continuem lendo)A realidade, cruel, perversa, é que, de fato, após trezentos anos de uma ignóbil escravidão, e de uma “abolição” feita “de qualquer maneira”, sem prever as consequências que certamente viriam ( e vieram ), uma verdadeira legião de negros libertos (mas não emancipados) passou a constituir a camada mais baixa da sociedade, incluindo o lumpesinato e a marginalidade, nos centros urbanos, e a miséria quase absoluta, nas zonas rurais.
Nestas condições, grande parte destes desgraçados passaram a ser, de fato, “perigosos”. “Incultos”, a quase totalidade, por razões óbvias. “Inferiores” circunstancialmente, e não biologicamente como quis demonstrar por muito tempo a própria ciência “oficial”.
Desta forma, ao estereótipo do bandido, marginal, vagabundo, no Brasil, foi adicionado o tom escuro de pele. Eram só os pretos? Não, mas, sem dúvida, eram maioria.Surgia o preconceito: A maioria dos marginais é preta, portanto, um preto tem grande probabilidade de ser um marginal! Gente, isso, por mais cruel que seja, é “lógica”!Imaginem as seguintes situações, passadas na alvorada do século XX:SITUAÇÃO A) Uma criança, de família branca e em razoável posição social, chega em casa trazendo um “amiguinho” preto.
Reação 1 – A família se assusta pois, “quem sabe de onde vem” aquele menino? quem são seus pais? onde moram? o que fazem? “provavelmente” são pessoas que não pertencem ao nosso “nível”, ao nosso “mundo”. Quem sabe são até “perigosos”? Pelo-sim-pelo-não, não queremos nosso filho em sua companhia! – Isso é PRECONCEITO!
Reação 2 – A família se indigna. “Pretos não são companhia para nosso filho”. Eles são inferiores, “cheiram mal”, são perversos, vagabundos, perniciosos… – Isso é RACISMO!SITUAÇÃO B) … No próximo post!
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan
“Há males que vem para bem”. A frase é chavão e às vezes vem carregada de conotações cruéis, mas no caso da Ilha Grande ela se aplica. A existência de uma colônia penal (eufemismo para presídio) manteve por quase um século este verdadeiro paraíso tropical longe da especulação e da predação que “comeu solta”, sobretudo, nas últimas décadas.
Custei a acreditar quando vi. No Alasca, um grupo de “surfistas radicais” surfavam ondas geladas formadas pelo “desbarrancamento” da parte frontal de uma geleira que se derretia aceleradamente em consequência do aquecimento anormal do Ártico!Lembrei-me de outras situações em que grupos de homens e mulheres ditos “destemidos” desafiam situações-limite pelo planeta a fora:
É isso mesmo que você leu aí em cima. E sou eu mesmo, Ivo, e esse é um post autêntico, não é pirata!Estou escrevendo isso depois de ler as seções de cartas de leitores de dois dos jornais de maior circulação no país. Podem confirmar, a maioria esmagadora é de cidadãos indignados com a bandalheira reinante e “descendo o pau” nos políticos de todos os matizes e instâncias de governo.
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Ivo Fontan
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Falei aqui, recentemente, sobre a praga da burocracia. Outra praga, prima-irmã desta, é a PASSIVIDADE DIANTE DAS COISAS, ou o que eu chamo de “Sempre foi Assim”. Esta praga permeia todos os setores da atividade humana, desde dentro de nossas casas até a vida profissional. Tanto quanto na burocracia, a gente também não costuma se dar conta de que está, de alguma forma, preso nesta armadilha.
Um cara de “boa família” – classe média – praticante de vôo livre, bon vivant, resolve dar “uma esticada” em Bali para curtir. Sabedor de que a “galera” que frequenta aquele point é chegada numa cafungada, resolve levantar um troco e descola uns quilos da “branquinha” prá distribuir por lá. Dá um azar desgraçado e é pego no aeroporto. Vai em cana, como tinha mesmo que ir. Só que lá, a cana é dura. Traficante lá é fuzilado, e, afinal de contas, o cara é traficante!Vai a “julgamento” e é condenado. Vai MORRER!
“Reciclando Textos”- 01/10/2006
Adolesci (se é que existe o verbo. Se não eu acabei de inventar) e tornei-me homem no auge dos “anos de chumbo” e na “capital cultural” do país. Como se não bastasse fiz Escola Técnica (ETQ) em plena efervescência do governo Medici. Testemunhei inúmeros colegas aderindo aos também inúmeros movimentos da chamada “luta” contra a ditadura. De minha parte, nenhum chamamento (e existiram muitos) foi suficientemente convincente para me fazer acreditar em propostas ou ideologias capazes de me colocar nas mãos armas ou panfletos.
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