Vida nua, vida besta, uma vida

mulherovoPor Peter Pál Pelbart
Ao reduzir a existência ao seu mínimo biológico, o biopoder contemporâneo nos transforma em meros sobreviventes.
O contexto contemporâneo se caracteriza por uma nova relação entre o poder e a vida. Por um lado, uma tendência que poderia ser formulada como segue: o poder tomou de assalto a vida. Isto é, ele penetrou todas as esferas da existência, e as mobilizou inteiramente, pondo-as para trabalhar. Desde os gens, o corpo, a afetividade, o psiquismo, até a inteligência, a imaginação, a criatividade, tudo isso foi violado, invadido, colonizado, quando não diretamente expropriado pelos poderes. Mas o que são os poderes?
Digamos, para ir rápido, com todos os riscos de simplificação: as ciências, o capital, o Estado, a mídia. Sabemos, no entanto, que os mecanismos diversos pelos quais eles se exercem são anônimos, esparramados, flexíveis, rizomáticos. O próprio poder tornou-se “pós-moderno”: ondulante, acentrado, reticular, molecular. Com isso, ele incide diretamente sobre nossas maneiras de perceber, de sentir, de amar, de pensar, até mesmo de criar. Se antes ainda imaginávamos ter espaços preservados da ingerência direta dos poderes (o corpo, o inconsciente, a subjetividade) e tínhamos a ilusão de preservar em relação a eles alguma autonomia, hoje nossa vida parece integralmente subsumida a tais mecanismos de modulação da existência.
Até mesmo o sexo, a linguagem, a comunicação, a vida onírica, mesmo a fé, nada disso preserva já qualquer exterioridade em relação aos mecanismos de controle e monitoramento, se é que alguma vez tal exterioridade fosse cabível. Para resumi-lo numa frase: o poder já não se exerce desde fora, nem de cima, mas como que por dentro, pilotando nossa vitalidade social de cabo a rabo. Não estamos mais às voltas com um poder transcendente, ou mesmo repressivo, trata-se de um poder imanente, produtivo. Como o mostrou Foucault, um tal biopoder não visa barrar a vida, mas tende a encarregar-se dela, intensificá-la, otimizá-la. Daí nossa extrema dificuldade em situar a resistência, já mal sabemos onde está o poder, e onde estamos nós, o que ele nos dita, o que nós dele queremos, nós nos encarregamos de administrar nosso controle, e o próprio desejo está inteiramente capturado. Nunca o poder chegou tão longe e tão fundo no cerne da subjetividade e da própria vida como nessa modalidade contemporânea do biopoder.
É onde intervém o segundo eixo que seria preciso evocar, sobretudo em autores provenientes da autonomia italiana. Resumo tal tendência da seguinte maneira. Quando parece que “está tudo dominado”, como diz um rap brasileiro, no extremo da linha se insinua uma reviravolta: aquilo que parecia submetido, controlado, dominado, isto é, “a vida”, revela no processo mesmo de expropriação, sua potência indomável.
Tomemos apenas um exemplo. O capital precisa hoje não mais de músculos e disciplina, porém de inventividade, de imaginação, de criatividade, de força-invenção. Mas essa força-invenção, de que o capitalismo se apropria e que ele faz render em seu benefício próprio, não só não emana dele, como no limite poderia até prescindir dele. É o que se vai constatando aqui e ali: a verdadeira fonte de riqueza hoje é a inteligência das pessoas, sua criatividade, sua afetividade, e tudo isso pertence, como é óbvio, a todos e a cada um. Tal potência de vida disseminada por toda parte nos obriga a repensar os próprios termos da resistência.
Poderíamos resumir esse movimento do seguinte modo: ao poder sobre a vida responde a potência da vida, ao biopoder responde a biopotência, mas esse “responde” não significa uma reação, já que o que se vai constatando é que tal potência de vida já estava lá desde o início. A vitalidade social, quando iluminada pelos poderes que a pretendem vampirizar, aparece subitamente na sua primazia ontológica. Aquilo que parecia inteiramente submetido ao capital, ou reduzido à mera passividade, a “vida”, aparece agora como reservatório inesgotável de sentido, manancial de formas de existência, germe de direções que extrapolam as estruturas de comando e os cálculos dos poderes constituídos.
Seria o caso de percorrer essas duas vias maiores como numa fita de Moebius, o biopoder, a biopotência, o poder sobre a vida, as potências da vida
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1. Mas aqui isto será feito sob um crivo particular, o do corpo. Pois tanto o biopoder como a biopotência passam necessariamente, e hoje mais do que nunca, pelo corpo. Assim, proponho trabalhar aqui três modalidades de “vida”, isto é, três noções de vida, acompanhados de sua dimensão corporal correspondente, percorrendo de um lado a outro a banda de Moebius mencionada.
O “muçulmano”
É preciso começar pelo mais extremo -o “muçulmano”. Retomo brevemente à descrição feita por Giorgio Agamben a respeito daqueles que, nos campos de concentração, recebiam essa designação terminal
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2. O “muçulmano” era o cadáver ambulante, uma reunião de funções físicas nos seus últimos sobressaltos
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3. Era o morto-vivo, o homem-múmia, o homem-concha. Encurvado sobre si, esse ser bestificado e sem vontade tinha o olhar opaco, a expressão indiferente, a pele cinza pálida, fina e dura como papel, já começando a descascar, a respiração lenta, a fala muito baixa, e feita a um grande custo…
O “muçulmano” era o detido que havia desistido, indiferente a tudo que o rodeava, exausto demais para compreender aquilo que o esperava em breve, a morte. Essa vida não humana já estava excessivamente esvaziada para que pudesse sequer sofrer
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4. Por que os detidos dos campos chamavam de “muçulmano” aqueles que tinham desistido de viver, já que se tratava sobretudo de judeus? Porque entregava sua vida ao destino, conforme a imagem simplória, preconceituosa e certamente equivocada de um suposto fatalismo islâmico: o “muslim” seria aquele que se submete sem reserva à vontade divina.
Em todo caso, quando a vida é reduzida ao contorno de uma mera silhueta, como diziam os nazistas ao referir-se aos prisioneiros, chamando-os de “Figuren”, figuras, manequins, aparece a perversão de um poder que não elimina o corpo, mas o mantém numa zona intermediária entre a vida e a morte, entre o humano e o inumano: o sobrevivente. O biopoder contemporâneo, conclui Agamben, reduz a vida à sobrevida biológica, produz sobreviventes. De Guantánamo à Africa, isso se confirma a cada dia.
Ora, quando cunhou o termo de biopoder, Foucault tentava discriminá-lo do regime que o havia precedido, denominado de soberania. O regime de soberania consistia em fazer morrer e deixar viver. Cabia ao soberano a prerrogativa de matar, de maneira espetacular, os que ameaçassem seu poderio, e deixar viverem os demais. Já no contexto biopolítico, surge uma nova preocupação. Não cabe ao poder fazer morrer, mas sobretudo fazer viver, isto é, cuidar da população, da espécie, dos processos biológicos, otimizar a vida. Gerir a vida, mais do que exigir a morte.
Assim, se antes o poder consistia num mecanismo de subtração ou extorsão, seja da riqueza, do trabalho, do corpo, do sangue, culminando com o privilégio de suprimir a própria vida
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5, o biopoder passa agora a funcionar na base da incitação, do reforço e da vigilância, visando a otimização das forças vitais que ele submete. Ao invés de fazer morrer e deixar viver, trata-se de fazer viver, e deixar morrer. O poder investe a vida, não mais a morte -daí o desinvestimento da morte, que passa a ser anônima, insignificante. Claro que o nazismo consiste num
cruzamento extremo entre a soberania e o biopoder, ao fazer viver (a “raça ariana”) e fazer morrer (as raças ditas “inferiores”), um em nome do outro.
O biopoder contemporâneo, segundo Agamben -e nisso ele parece seguir, mas também “atualizar” Foucault- já não se incumbe de fazer viver, nem de fazer morrer, mas de fazer sobreviver. Ele cria sobreviventes. E produz a sobrevida. No contínuo biológico, ele busca até isolar um último substrato de sobrevida. Como diz Agamben: “Pois não é mais a vida, não é mais a morte, é a produção de uma sobrevida modulável e virtualmente infinita que constitui a prestação decisiva do biopoder de nosso tempo. Trata-se, no homem, de separar a cada vez a vida orgânica da vida animal, o não-humano do humano, o muçulmano da testemunha, a vida vegetativa, prolongada pelas técnicas de reanimação, da vida consciente, até um ponto limite que, como as fronteiras geopolíticas, permanece essencialmente móvel, recua segundo o progresso das tecnologias científicas ou políticas. A ambição suprema do biopoder é realizar no corpo humano a separação absoluta do vivente e do falante, de zoè e biós, do não-homem e do homem: a sobrevida”
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6.
Fiquemos pois, por ora, nesse postulado inusitado que Agamben encontra no biopoder contemporâneo: fazer sobreviver, produzir um estado de sobrevida biológica, reduzir o homem a essa dimensão residual, não humana, vida vegetativa, que o chamado “muçulmano” dos campos de concentração, por um lado, e o neomorto das salas de terapia intensiva, por outro, encarnam.
A sobrevida é a vida humana reduzida a seu mínimo biológico, à sua nudez última, à vida sem forma, ao mero fato da vida, à vida nua. Mas engana-se quem vê vida nua apenas na figura extrema do “muçulmano”, sem perceber o mais assustador: que de certa maneira somos todos “muçulmanos”. Até Bruno Bettelheim, sobrevivente de Dachau e Buchenwald, quando descreve o comandante do campo, qualifica-o como uma espécie de “muçulmano”, “bem alimentado e bem vestido”. Ou seja, o carrasco é ele também, igualmente, um cadáver vivo, habitando essa zona intermediária entre o humano e o inumano, máquina biológica desprovida de sensibilidade e excitabilidade nervosa. A condição de sobrevivente, de “muçulmano”, é um efeito generalizado do biopoder contemporâneo, ele não se restringe aos regimes totalitários, e inclui plenamente a democracia ocidental, a sociedade de consumo, o hedonismo de massa, a medicalização da existência, em suma, a abordagem biológica da vida numa escala ampliada.
O corpo
Tomemos a título de exemplo o superinvestimento do corpo que caracteriza nossa atualidade. Desde algumas décadas, o foco do sujeito deslocou-se da intimidade psíquica para o próprio corpo. Hoje, o eu é o corpo. A subjetividade foi reduzida ao corpo, a sua aparência, a sua imagem, a sua performance, a sua saúde, a sua longevidade. O predomínio da dimensão corporal na constituição identitária permite falar numa “bioidentidade”. É verdade que já não estamos diante de um corpo docilizado pelas instituições disciplinares, como há cem anos atrás, corpo estriado pela máquina panóptica, o corpo da fábrica, o corpo do exército, o corpo da escola. Agora cada um se submete voluntariamente a uma ascese, científica e estética a um só tempo. É o que Francisco Ortega chama de bioascese
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7. Por um lado, trata-se de adequar o corpo às normas científicas da saúde, longevidade, equilíbrio, por outro, trata-se de adequar o corpo às normas da cultura do espetáculo, conforme o modelo das celebridades.
Como o diz Jurandir Freire Costa, a obsessão pela perfectibilidade física, com as infinitas possibilidades de transformação anunciadas pelas próteses genéticas, químicas, eletrônicas ou mecânicas, essa compulsão do eu para causar o desejo do outro por si, mediante a idealização da imagem corporal, mesmo às custas do bem-estar, com as mutilações que o comprometem, substituem finalmente a satisfação erótica que prometem pela mortificação auto-imposta
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8. O fato é que abraçamos voluntariamente a tirania da corporeidade perfeita, em nome de um gozo sensorial cuja imediaticidade torna ainda mais surpreendente o seu custo em sofrimento.
A bioascese é um cuidado de si, mas, à diferença dos antigos, cujo cuidado de si visava a bela vida, e que Foucault chamou de estética da existência, o nosso cuidado visa o próprio corpo, sua longevidade, saúde, beleza, boa forma, felicidade científica e estética, ou o que Deleuze chamaria a “gorda saúde dominante”. Não hesitamos em qualificá-lo, mesmo nas condições moduláveis da coerção contemporânea, de um corpo fascista -diante do modelo inalcançável, boa parcela da população é jogada numa condição de inferioridade sub-humana. Que, ademais, o corpo tenha se tornado também um pacote de informações
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9, um reservatório genético, um dividual estatístico, com o qual somos lançados ao domínio da biossociabilidade (“faço parte do grupo dos hipertensos, dos soropositivos” etc.), isto só vem fortalecer os riscos da eugenia. Estamos às voltas, em todo caso, com o registro da vida biologizada… Reduzidos ao mero corpo, do corpo excitável ao corpo manipulável, do corpo espetáculo ao corpo automodulável, é o domínio da vida nua. Continuamos no âmbito da sobrevida, da produção maciça de “sobreviventes”, no sentido amplo do termo.
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1 – No rastro de Foucault, Deleuze, Negri, Lazzarato e outros, tal mapeamento foi tentado em “Vida Capital”, São Paulo, Iluminuras, 2003.
2 – G. Agamben, “Ce Qui Reste d´Auschwitz”, Paris Payot & Rivages, 1999.
3 – J. Améry, “Par Delà le Crime et le Chatiment”, Arles, Actes Sud, 1995
4 – P. Levi, “É Isto um Homem?”, Rio de Janeiro, Rocco, 2000.
5 – M. Foucault, “La Volonté de Savoir”, Paris, Gallimard, 1976, p 179.
6 – G. Agamben, “Ce Qui Reste d´Auschwitz”, op. cit, p. 205.
7 – Francisco Ortega, “Da Ascese à Bioascese, Ou do Corpo Submetido à Submissão do Corpo”, in “Imagens de Foucault e Deleuze”, Rio de Janeiro, DP&A, 2002.
8 – Jurandir Freire Costa, “O Vestígio e a Aura: Corpo e Consumismo na Moral do Espetáculo”, Rio de Janeiro, Garamond, 2004.
9 – Paula Sibília, “O Homem Pós-orgânico”, Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 2002.

“O que tem a ver com você?”

No dia de Natal, fiquei pensando em que mensagem nós poderíamos passar. E certo dia, ví num blog um texto traduzindo um desabafo de uma âncora de um telejornal falando da proibição do casamento gay num estado americano. Achei que essa seria a mensagem perfeita para o Natal.

Afinal, porque um homossexual não pode casar-se?

Já falamos disso aqui no post entitulado O direito de sermos iguais quando a família que despreza seu parente homossexual, faz questão de partilhar sua herança no caso de sua morte.

E esse jornalista pergunta: “ o que isso tem a ver com você?”

O que temos com o direito de qualquer pessoa em casar-se com quem quiser, quando quiser?

O que temos que nos meter na felicidade dos outros, ou mesmo de impedí-las de serem felizes?

E essa é nossa mensagem de Natal contra o preconceito, contra a intolerância, pelo respeito e pela dignidade de se viver num mundo livre, sem opressões e falsos pudores.  (Ana Cláudia Bessa)

“Alguns esclarecimentos, como prefácio:

não é uma questão de gritaria ou política ou mesmo sobre a Proposta 8. Eu não tenho nenhum interesse pessoal envolvido, não sou gay e tive que me esforçar para me lembrar de um membro de minha imensa família que é homossexual. (…) E, apesar disso, essa votação para mim é horrível. Horrível. (…) Porque esta é uma questão que gira em torno do coração humano – e se isto soa cafona, que seja.

Se você votou a favor da Proposta 8 ou apóia aqueles que votaram ou o sentimento que eles expressaram, tenho algumas perguntas a fazer, porque, honestamente, não entendo. Por que isso importa para você? O que tem a ver com você? Numa época de volubilidade e de relações que duram apenas uma noite, estas pessoas queriam a mesma oportunidade de estabilidade e felicidade que é uma opção sua. Elas não querem tirar a sua oportunidade. Não querem tirar nada de você. Elas querem o que você quer: uma chance de serem um pouco menos sozinhas neste mundo. “

(Essa é uma tradução publicada no blog Diário de Bordo do Pablo Villaça do comentário do âncora Keith Olbermann, da MSNBC, fez um discruso emocionante (e emocionado) sobre a aprovação da Proposta 8, que baniu o casamento entre homossexuais na Califórnia-EUA.)

 

Guarda compartilhada

Uma amiga nossa, a Suzana Elvas, fez a sugestão para que falássemos a respeito da guarda compartilhada no caso dos filhos de pais separados. Recentemente, a sanção da nova lei da guarda compartilhada pelo presidente Lula deve criar uma corrida aos tribunais para revisão de sentenças. Contudo, é bom lembrar que, na prática nada muda , pois prevalecerá, como sempre, a proteção da lei ao interesse do que for melhor para a criança.

Não sei se ela vai concordar com o que vou dizer mas como filha de pais separados, eu não acho legal ter duas casas, ficar semana lá, semana cá.
Talvez isso faça parte do meu temperamento mas o fato é que durante os 6 primeiros anos de separação dos meus pais eu vivi bastante essa divisão, já que fiquei também com meu pai. Meus pais se separaram quando eu tinha 4 anos e aos 10, eu decidi ficar morando direto com minha mãe. Meu irmão, que não quis deixar meu pai sozinho, ficou com ele. E nossos pais respeitaram nossas decisões. Embora, a partir de então (eu 10, ele 7 anos) não tenhamos mais morado juntos, somos muito unidos e participamos ativamente da vida um do outro e essa distância não teve interferência negativa nenhuma. Exceto pela saudade (vivemos em estados diferentes) e pela vontade que temos de poder conviver com ele perto de mim almoçando aos domingos com nossas famílias.

Voltando à guarda compartilhada, e pode ser que eu esteja totalmente enganada, não me agrada. Sou filha de pais separados desde que me entendo por gente: não lembro de nada (nem brigas, nem da separação, nem dos meus pais juntos, só por fotos). Mas confesso que ser filha de pais separados numa época que ninguém que eu conhecia era, não era uma situação das mais fáceis. Mais pela sociedade do que pelos meus pais. Nem eu nem meu irmão temos traumas e a gente amadurece. Não é o fim do mundo. Meus pais se casaram novamente e nos deram irmãos do segundo casamento de ambos, logo, tenho 3 irmãos e saber onde era minha casa foi muito importante nesta família incomum da minha época.

Acho que mais importante que guarda compartilhada é haver boa convivência entre os pais. Estou no segundo casamento e meu marido também, só que eu não tive filhos, enquanto ele teve um filho que hoje tem 15 anos. Portanto, posso falar com alguma experiência e penso que depende mais de se ser presente e justo na educação dos filhos do que morar debaixo do mesmo teto. Nunca tratei meus outros irmãos diferente porque só o são por parte de pai ou de mãe. São meus irmãos. Sempre tratei meu enteado como um filho e com respeito à mãe que ele tem, como eu gostaria de ser respeitada. Meu marido é super-presente na vida dele, desde que se separou. E como filha, penso que guarda compartilhada só deve ser válida, na minha opinião, quando pai e mãe convivem harmonicamente e que, tenham, principalmente, bom senso e consciência plena, se isso é,ou não,verdade no seu caso. Portanto, para se chegar nessa decisão, não basta os pais se acertarem: conversem com seu filhos e não pensem que eles não entendem, porque entendem. Eles querem isso, de verdade?

Separar não é fácil, nem é bom e não gostaria que meus filhos vivessem isso porque hoje vejo como é lelgal ter pai e mãe dentro de casa. Na minha infância nunca senti falta porque nunca tive. Na verdade, nunca soube como era. Mas, pra mim, se for inevitável (e muitas vezes a separação é melhor do que forçar uma convivência sem amor e respeito), eu gostaria, como tive, um lugar no mundo que fosse meu. Não gostaria que ficassem me levando de lá prá cá porque eu iria ter duas casas e mesmo assim iria achar que não pertencia a lugar nenhum.
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

Blogagem Coletiva da Semana Mundial de Amamentação


Amigos, eu tinha programado este texto para republicar hoje mas o sistema falhou e entrou aquela da televisão. Então, consertando o erro sistemático…risos…vai um texto que escrevi em 02 de Julho do ano passado que conta minha experiência pessoal com meu dois tesouros.

Quem AMA, AMAmenta!

Amamentar não é fácil.

Quando no deparamos com esta necessidade pela primeira vez, os dois protagonistas são iniciantes: mãe e recém-nascido.

O livro “Quem ama, Educa!” não é meu livro preferido. Mas acho um livro que não é totalmente ruim (mas isso é assunto para um outro dia). Contudo ele tem uma falha grosseira na parte que fala de amamentação. Ele fala que a obesidade infantil pode começar nesta fase quando a mãe não impõe limites ao bebê. Eu amamentei em livre demanda e meus filhos não são obesos. E não conheço nenhum caso deste tipo, comprovação científica ou respaldo médico para tal afirmação.

Amamentar resolve 90% dos problemas com os bebês. Eu costumo dizer que peito é bom pra tudo: cólica, gazes, soluço, manha… e fome, claro. E engorda, mas não tem nada de obesidade nisso!

Meu primeiro filho, segundo a neonatologista, não conseguia manter sua taxa de açúcar e foi internado para tomar soro glicosado. Uma notícia terrível naquele momento e nunca saberei se foi por conta do parto: uma cesareana com anestesia geral (e isso também é assunto para um outro dia…) ou por causa do tempo para eu me recuperar (a gente fica meio fora do ar até a anestesia passar…), deram NAN para ele!

Aliás, um outro assunto que merecemos discutir num outro dia: o incentivo da Nestlé ao consumo de leite em pó / fórmulas em idade inferior aos 6 meses e os procedimentos protocolares nos berçários das maternidades que normalmente dão mamadeiras e chupetas para os bebês, sem consultar previamente os pais.

Voltando.
Ele só mamou uma vez após nascido e depois dormiu direto…nem abria os olhinhos.
Diagnóstico: baixa taxa de açúcar.
Depois de 10 horas de soro sem que ninguém me falasse nada, EU PERGUNTEI SE NÃO PODERIA AMAMENTAR. Disseram que sim, com a maior naturalidade (como se ele não tivesse ficado todo esse tempo sem ter amamentado por falta de correta orientação por parte deles). Mas mãe de primeira viagem é luta desde que engravida…

Pois bem, do momento em que comecei a amamentar, na segunda mamada em diante, ele não voltou mais pro soro. Das 48 horas internado (6 mil reais de custo…pagos pelo plano, mas pagos), apenas 12 no soro. 36 horas apenas em observação depois de retomada a amamentação. Milagre do soro? Não! Do leite materno!

A amamentação em casa foi um sucesso, doei leite e ele mamou exclusivamente até os 8 meses. Nem água tomava. Nada de suquinho, nada de chazinho, nada de chupeta. Ele se manteve o tempo todo com peso acima da média da tabela, embora isso não me diga muita coisa pois já foi admitido pela OMS e se não me engano, já houve mudança na tabela, por conta da antiga não corresponder ao desenvolvimento das crianças que são alimentadas exclusivamente por leite materno durante os primeiros seis meses de vida.

Isso porque na década de 70, quando essa tabela foi montada, as mães eram estimuladas a dar complementos alimentares e o sucesso do momento era o LEITE EM PÓ.

Outra coisa interessante é que após a inserção de novos alimentos o peso dele caiu sensivelmente, nunca mais voltando aos valores acima da “média”, como acontecia durante a amamentação.

E para confirmar tudo isso: meu segundo filho, que não ficou tempo suficiente no berçário para tomar NAN e que tinha um neonatologista que respeitou minhas decisões no trato com meu filho, não precisou de soro glicosado, foi para casa no dia seguinte e foi amamentado nas mesmas circunstâncias do primeiro, durante o mesmo tempo e apresentou os mesmos resultados: peso acima da média e queda de peso depois da inserção de novos alimentos. De novo: Nada de água, chazinhos ou suquinhos, só peito até os 8 meses e nos dois filhos, só introduzi novos alimentos porque eles manifestaram interesse. Ainda ssim, a adaptação foi lenta e dificíl. Imagine se fosse antes! O primeiro demamou naturalmente aos 10 meses, não aceitou mais o peito (eu estava grávida de 2 meses e provavelmente, como dizem, o sabor do leite deve ter mudado – esqueci de provar…puxa vida…). Já o segundo foi tranquilo até os dois anos e pouco e desmamou também naturalmente…tranquilo e eu senti mais do que ele…risos

Uma pesquisa que lí, há muito tempo no jornal, feita com mulheres nutridas e subnutridas, mostrou que a qualidade do leite das duas mães era a mesma.
Incrível, não!
A natureza é tão sábia que retira todos os nutrientes da mãe, mas não prejudica a alimentação do bebê.

Leite materno, neles!

Para saber mais, para orientações e ajuda na amamentação :

Como contribuição visual à blogagem coletiva da Semana Mundial da Amamentação, mande fotos suas (ou de outras amigas ou familiares) amamentando, para o email sdeestocolmo@gmail.com – não esqueça de dizer os nomes da mãe e do(s) bebês (s) – e eu colocarei todas as fotos aqui nesse slide show em celebração da Semana Mundial da Amamentação que vai do dia 01 a 07 de agosto.
( a minha já está lá!)

http://relatosmatrice.wordpress.com/

Nota: as imagens são de cada um dos meus filhos sendo amamentados. __________________________________________________

Ana Cláudia Bessa

Crianças se desintoxicam das telinhas

30/05/2008

Dez dias: na Europa, crianças se desintoxicam das telinhas

De Martine Laronche
Enviada especial do “Le Monde” a Estrasburgo

No dia 20 de maio, uma terça-feira, os 254 alunos da escola primária do Ziegelwasser (antigo afluente do Reno, hoje um dos canais que atravessam Estrasburgo, uma cidade constituída por várias “ilhas”) se lançaram num desafio tão arriscado quanto difícil: dispensar toda e qualquer telinha de televisão, computador e consoles de videogame durante dez dias. Logo após o anúncio, os jornalistas passaram a disputar espaço diante da porta da escola, que é classificada na categoria ZEP (Zona de Educação Prioritária), situada no bairro popular do Neuhof, na periferia.

Até mesmo a secretária de Estado para a família Nadine Morano se deslocou de Paris até o estabelecimento. Uma semana mais tarde, as crianças estão prestes a vencerem a partida. A taxa de sucesso supera os 90%, enquanto a meta que havia sido projetada para tanto era de 70%.”No começo, nós não sabíamos o que esperar”, se recorda Lucette Tisserand, mãe de um baixinho chamado Samuel, de 7 anos e meio. Habitualmente, o seu filho fica assistindo aos desenhos animados na televisão, pela manhã, além das informações regionais e do seriado “Omar et Fred” no canal por assinatura “Canal+”, à noite, junto com a sua mãe. Nos dias sem escola, ele fica brincando com o seu Nintendo DS.”Ele realmente levou o desafio a sério. Um dia, excepcionalmente, eu quis assistir a uma reportagem na televisão sobre esta experiência. Pois ele saiu da sala e foi se trancar no seu quarto”, recorda-se a sua mãe. Felizmente, o garoto dispõe de muitas alternativas: bicicleta, piscina, museu, feirinha de objetos usados no pátio da escola…

Com tudo isso, Samuel teve um fim de semana bastante agitado.”Graças a esta experiência, o ambiente está tranqüilo lá em casa”, acrescenta Lucette. “Em relação a tudo isso, creio que algumas dessas regras deverão ser mantidas: não mais assistir à televisão durante as refeições, continuar nos divertindo com jogos de sociedade, e ler uma história para o meu filho à noite”.

Os pais, apoiados pela associação ambientalista estrasburguesa ECO-conseil, que esteve na origem da operação em parceria com a Câmara de Consumo da Alsácia, participaram da realização de diferentes atividades, as quais foram coordenadas pelo diretor da escola.

Na última terça-feira (27), duas mães estiveram ocupadas em recortar moldes para a oficina de costura do dia seguinte. “Há muitas coisas que nós fazemos para os nossos filhos que nós não faríamos anteriormente”, explica Sabrina Klem, mãe de Lyse, 7 anos, e de Laura, 8 anos. “Por conta disso, anteriormente, eu não tinha contato algum com os outros pais. Agora, a gente se cumprimenta, e vai criando laços de amizade”. A mesma constatação é feita por Karine Vanhouck, mãe de quatro filhos, dos quais um está sendo escolarizado na escola do Ziegelwasser. “O meu filho quer continuar estudando aqui, não apenas porque ele aprecia muito os desafios, como também porque nós temos nos mostrado mais disponíveis para ele”.

Uma parte das crianças teve lá seus momentos de fraqueza, sucumbindo a uma ou outra tentação, mas nem por isso elas resolveram desistir. Este foi o caso de Yasin, 10 anos, e de Matine, 11 anos, que na semana assistiram ao jogo de futebol da final da Liga dos Campeões e ao seu programa predileto, “As Trinta histórias mais espetaculares”. Nasrine, 10 anos, confessa ter participado de um chat, uma vez, no MSN, junto com a sua prima, e ter assistido a um programa sobre o código do trânsito. Dylan, por sua vez, “tropeçou” em duas oportunidades diante da sua televisão, e tampouco resistiu a brincar com seu videogame. Essas pequenas distorções das regras resultaram toda vez na retirada de um ponto em sua grade de avaliação, mas, no total, os resultados obtidos por esses quatro colegas se revelaram mais do que honrosos.

Sobre a mesa do diretor da escola, destaca-se uma pilha de cerca de quarenta cartas de incentivo. “Todas essas mensagens mostram que nós estamos lidando com um fenômeno que diz respeito a todos os meios da sociedade”, analisa Xavier Rémy. “Os últimos dez dias que nós vivenciamos foram um pouco mágicos. A operação permitiu que laços sociais fossem firmados, e disso restará forçosamente alguma coisa”. Ao meter o bedelho em comportamentos que, a priori, não lhe diziam respeito, mas sim envolviam a intimidade das famílias, a escola do Ziegelwasser desempenhou um papel unificador no nível do bairro, incentivando as famílias a participarem de uma aventura inédita na Europa.”Para idealizar este projeto, nós nos inspiramos em parte na experiência quebequense de Jacques Brauder, um professor de ginástica aposentado que atua como militante em favor da paz”, explica Serge Hygen, um encarregado de missão na associação ECO-conseil.No Canadá, um balanço realizado em dez escolas listou inúmeros benefícios que podem ser obtidos com operações desse tipo: melhora do bem-estar e do humor das crianças, que acabam passando uma maior parte do seu tempo com a família, além de menos disputas. A maior parte das escolas que haviam lançado o desafio manifestou a intenção de repetir a operação.

Tradução: Jean-Yves de Neufville
Visite o site do Le Monde
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2008/05/30/ult580u3110.jhtm

Projeto CARIOQUINHA começou ontem!

 

Amigos,
um incentivo a usar o transporte público e fazer passeios culturais e ecológicos pelo 

Rio e Grande Rio. Oportunidade de sair em família, desligar a TV, levantar do sofá, se divertir e aprender.
Gastanto pouco, o que é ótimo!
TÁ SEM PROGRAMA? Não tá mais!
Vejam os detalhes no site http://www.carioquinha.com.br/
O que é?
Uma idéia inicial e um Rio de Janeiro todinho de belezas e atrações para desfrutar. Conhecido no mundo todo como Cidade Maravilhosa, o Rio merece ser visto e aproveitado em cada um de seus metros quadrados. Porque o Rio é único, e é lindo. E atrações para quem quer passear e conhecer o melhor da cidade não faltam.
Mas quem mora na cidade também consegue curtir suas delícias? O Carioquinha chegou para facilitar esse acesso. O objetivo é aproveitar a baixa temporada turística para preparar o morador da cidade para ser um agente divulgador do Rio e de suas belezas. E também oferecer a ele o que a cidade tem melhor a preços mais baixos que os praticados no mercado tradicional de turismo.
Assim nasceu o Carioquinha, sucesso tão grande que chega a 2008, em sua 10.ª edição. Durante toda vigência do projeto, cariocas “da gema” (natural do Rio) ou “do coração” (morador da cidade ou do Grande Rio*) têm direito a descontos e programações especiais oferecidas por pontos e serviços turísticos do Rio de Janeiro.
* Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Paracambi, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá
Como funciona?
A mecânica de funcionamento do Carioquinha é muito simples. Basta apresentar nas bilheterias dos pontos turísticos e atrações cadastradas a carteira de identidade para comprovar sua naturalidade e, se for morador, um comprovante de residência em seu nome.
A promoção é válida para TODOS que NASCERAM ou MORAM na cidade do Rio ou Grande Rio*.
Confira os Pontos Carioquinhas que estão participando este ano, aproveite as delícias do Roteiro Gastronômico Carioquinha, da nossa Agenda Carioca e monte sua programação!

Ah…as mudanças…

Recebi recentemente um e-mail de uma amiga com um texto da Martha Medeiros que fala do milagre que as mudanças fazem em nossa vida. Mudanças, nem sempre são fáceis mas seus resultados são sempre bons em nossas vidas.
No texto ela cita principalmente mulheres que resolveram dar guinadas em suas vidas e eu me lembrei da época em que resolvi me separar . Esse foi um momento de grandes transformações e revelações para mim.
Dar-me conta do fim do casamento foi arrasador. Tomei a iniciativa, tinha certeza das minhas decisões mas separar-se, é uma constatação de fracasso. Eu havia me casado para sempre. Me casei por amor, casei na igreja, tudo tão bonito…e o que eu ia fazer dali prá frente? Deu um vazio enorme sobre o que eu ia fazer da minha vida. E a vida foi seguindo e tudo na minha vida mudou: meu corpo (separação é SPA…risos…perdi 15 quilos), minha visão do mundo, os amigos, minha relação com minha família, tudo. E o interessante é que ninguém acreditava que o casamento havia acabado. Só eu…risos…
O fato é que depois que me separei, tive a sensação de que acordei para a vida (não que meu relacionamento fosse turbulento, era um relacionamento bastante calmo). Mas depois de tanto tempo num relacionamento em que comecei tão nova, acabei pulando muitas fases. Quando os amigos e amigas saíam para baladas, eu já estava casada, trabalhando para pagar contas, comprando móveis, aprendendo a cozinhar, envolvida com faxina, limpeza de casa, compras de supermercado…
E também por ter começado uma relação tão séria sendo tão nova, acabei descobrindo depois de 10 anos, que aquela pessoa não era a pessoa com quem eu queria dividir o resto da minha vida. Acredito ser muito difícil uma pessoa com 17 anos conseguir saber e identificar em outra pessoa que aquela é uma pessoa que realmente tem chances de ser um bom companheiro de uma vida. Tem gente que acerta de cara, mas continuo acreditando que são exceções.
E aí, comecei a descobrir coisas femininas que nunca havia feito: pintar o cabelo, reflexos, sombrancelha (gente, eu nunca tinha feito minha sombracelha até os 27 anos!), depilação com cera quente (bem…isso não exatamente uma coisa das melhores…risos) e outras coisas mais.
Aquele momento que parecia ser tão ruim, mesmo sendo pensando e decidido por mim, tão sofrido, foi maravilhoso. Se isso não tivesse acontecido naquele momento, acabaria acontecendo mais tarde. E mais tarde eu estaria mais velha, mais cansada, mais decepcionada, talvez com filhos…tudo seria pior. E não foi. Deu certo o tempo que tinha que dar e as outras coisas que eu tinha para viver seriam por minha conta e mais tarde com outro companheiro. Esse sim, escolhido com mais experiência de vida, com pé no chão, sem tantas ilusões (porque o tempo inevitavelmente faz a gente perder algumas – ou muitas – ilusões), sabendo mais o que eu queria e o que não queria para mim, sabendo mais o que eu poderia e não poderia esperar do outro, o que eu poderia oferecer de mim também para o outro e até ver esse companheiro como um futuro pai para os filhos que ainda não tinha gerado. Inclusive, curiosamente, meu ex-marido engravidou uma namorada 6 meses depois da separação e revelou-se um pai negligente e ausente.
Então amigos, não foi por acaso que me casei novamente com alguém que já tinha sido casado e ver o pai que ele era para seu filho do primeiro casamento me fez gostar ainda mais dele, não posso negar.
Mudar foi fundamental para dar outro rumo à minha vida com mais plenitude e segurança. Não foi um processo fácil, pelo contrário. Mas agradeço à Deus cada lágrima, cada obstáculo, cada dificuldade e até cada decepção. E agora com filhos, eu digo: só posso dar um bom exemplo de felicidade se eu for feliz. Segue abaixo o texto da Martha Medeiros para que você pense e mude o que precisa ser mudado, não será fácil, mas será recompensador.

________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

Como é bom!

Sei que a gente não está aqui para filosofar.
Mas como é bom ser solteira, casada sem filhos e dormir à vontade, a noite TODA e só ter que se preocupar em SE arrumar para sair…
Ah…Eu esperei bastante para ter filhos, meu primeiro filho nasceu, eu tinha 32. Hoje com 34 e dois filhos eu posso dizer…como é bom!
Como é bom quando as coisas acontecem na hora certa na vida da gente. Como é bom ter filhos, como é bom vê-los sorrir, brincar, nos abraçar, mamar olhando dentro do olho da gente, sentir mexer na barriga…
Como é bom!
Ter dois, então…é delicioso.
Só imaginar como será quando os dois brincarem juntos, já é bom. E quando alguém pergunta se é possível dividir o amor, eu vejo que nunca dividi o amor: ele brotou de novo. É mais amor.
Como cheirinho e chorinho de bebê é bom! O Lucca é minha despedida desse sonzinho bom…
Como cocozinho de bebê é cheirosinho! (é…eu adoro!!! Fazer o quê???)
Como é bom arrumar os filhos para sair, ir à festa de criança, levar ao parque, ver correr no shopping, brincar na areia, mergulhar na água, fugir da onda. Acompanhar cada carinha feia e cada sorriso.
Como educar cansa!
É tanto trabalho…sem descanso e tão repetitivo, mas como é vital viver isso. E o pior é que as coisas erradas eles sempre aprendem mais rápido.
Como é sacrificante dividir atenção, não ter tempo prá nada e ficar mais de 4 meses sem fazer a unha. (é…isso acontece!). Fora os dias em que chegamos às 4 da tarde ainda de pijamas!
Como é bom ser mulher e viver isso com uma intensidade que um homem nunca será capaz de viver. Porque ninguém se preocupa como uma mulher.
Como é bom mostrar o mundo, fazer cosquinha na barriga, dançar na abertura da novela, dar banho nessa pelezinhas tão suaves.
São eles que preencherão nossas vidas quando adultos não tivermos mais essas preocupações. Assim como nós e nossas famílias enchemos de alegria e preenchemos a vida de nossos pais.
Eu nunca quis ser mãe antes do que fui e não poderia ter escolhido melhor momento.
Quando o primeiro nasceu, lembrei das minhas bonecas. Uma mãe acabava de nascer.
Quando o segundo nasceu, tive certeza: é…sou mãe. O segundo a gente já tira de letra.
Tenho a sensação que toda mulher, mesmo que ache que não, está pronta prá isso. Lamento, que hoje, algumas nem sejam capazes de assumir isso e se dar a chance de viver esse padecimento maravilhoso no paraíso.
Muitas, em função da vida profissional. Não é uma escolha fácil. Abrir mão disso é abrir mão de uma parte importante da vida da gente. Mas os primeiros 2 ou 3 anos dos filhos, são inesquecíveis e importantíssimos para o seu desenvolvimento. Pudera toda mãe se dedicar a esses momentos. Muitas mulheres se arrependem de não terem vivido este momento plenamente, mas o arrependimento vem tarde e o tempo não volta.

Me pergunto se muito do que vemos hoje não é uma perda da referência feminina dentro de casa. Porque a mulher é que agrega e une a família. E essa mulher adquiriu o importante papel de também prover. Contudo, o homem, pouco ainda assume o papel de agregar.

Hoje vemos crianças e adolescentes perdidos, mal criados porque pouco se esforçam para ajudar a mulher a cumprir todas as jornadas a que ela é cobrada a cumprir:
Ser boa profissional, boa mãe, boa esposa, boa dona-de-casa. Nessa ordem ou em qualquer ordem. Depende da necessidade. E ainda somos muito mais.

Meus avós já são todos falecidos, dois deles com quase cem anos (!!!). Não sou mais neta.
Mas sou enteada, nora, cunhada, tia, irmã, afilhada, filha, sou “madastra” e sou mãe.
E essa última, foi a jornada mais surpreendente da minha vida.
Horas mais fáceis, horas mais difíceis. Mas nunca previsíveis.
Porque ser mãe é algo que se aprende todos os dias.
E isso me lembrou um comercial (não vejam a propaganda, vejam a mensagem…) que fala muito bem sobre os dilemas das mães de hoje e que me inspirou a postar este texto que eu já havia escrito há algum tempo e me fez reviver um pouco dos meus sabores e dissabores saborosos ao embarcar nesta jornada!
Vejam o comercial, vale á pena.
Beijos a todas as Mães!

________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

A Alma

“Se a vida é uma canção, às vezes parece que eu sou uma canção que vive repetindo uma nota só!”

Por mais absurdo que possa parecer a ALMA de um filho está ligada no mínimo a 7 gerações anteriores a dele.
Os pais são importantes para a chegada deste novo ser na família.
Ao mesmo tempo em que se fica feliz com a chegada do filho, existe uma intenção velada e muitas vezes inconsciente do sistêmico familiar em buscar uma solução para os problemas que ficaram para trás sem serem resolvidos.

Por exemplo: uma pessoa da família que no passado foi excluída do sistêmico familiar por alguma razão, gerou um sentimento de não pertencimento. Na geração futura nasce um bebê, vai se tornando criança, jovem e adulta, que de alguma forma apresenta comportamento de solidão e não pertencimento ao sistêmico, pode ser a manifestação da ALMA do sistema familiar que está querendo ser incluído. Desta forma acaba às vezes travando este SER de ir adiante a seu papel profissional ou outros que venha exercer em sua vida.
A força que o sistêmico exerce é muito forte de forma negativa ou positiva, (sem julgamento de valores) apenas para entendimento.
Como pode uma família incluir um jovem que usa drogas? Ou uma criança que nasce com problemas quaisquer? Ou um velho que apresenta várias dificuldades? Este movimento de exclusão é forte o suficiente para dizermos: “é ele é doente”, desta forma continuamos a exclusão e suas conseqüências inconseqüentes.
Enquanto que está manifestação é de responsabilidade de cada membro da família, vivos ou mortos.

Sendo assim sinto que toda energia para querer melhorar o futuro nasce no momento que a sua alma diz, tem algo fora da ordem no passado, ou posturas do passado nos trouxe até aqui, mas não dá para continuar assim. Desta forma dá para percebermos que estamos numa nota só, e já comprometemos demais o futuro que vivemos hoje o PRESENTE.
Aprendi nos últimos anos algo de grande valia em minha vida neste sentido, que já me era conhecido racionalmente, porém não em minha alma.
Quando comecei a agradecer do fundo de minha alma os meus pais, avós, bisavós, tataravôs é um batalha de gente até chegar a minha existência, acabei percebendo que o movimento da alma sempre sabe a solução, mas com a vida moderna do consumismo e outras coisas que nos influenciam a ficar desconectados do SER, e viver intensamente o TER, isso pode causar um desequilíbrio nos resultados.
Para a vida ser de fato uma canção se faz necessário descobrir as outras notas em nossa própria alma. Este movimento requer mudança de postura em todos os papéis que exerço na minha existência, para que possa ecoar para humanidade. Nem sempre este movimento é doce e gostoso nos nossos valores culturais, porém podem ser necessários.
Estou muito feliz por me conectar com minha alma e acolher como ela é para continuar o movimento.
Nos últimos 10 anos tive a possibilidade de viver intensamente este movimento e mudamos todos: marido, filhas e ex-marido. Desta forma melhoramos muito nossas relações com nossas famílias de origem.
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Eva Praxedes Vieira

O melhor abraço do mundo

Hoje passei por uma experiência inédita na minha iniciada carreira de mãe: passei o dia fora de casa, longe das crianças. Vejam, não que eu tenha ficado em casa este tempo todo…mas passar o dia todo, saindo de manhã e voltando á noite, foi a primeira vez. E não foi tão fácil, nem tão difícil como eu imaginei…rs…

Mas o que me marcou foi o abraço que recebi quando cheguei em casa.
Nunca, desde que eles nasceram, eu havia recebido um abraço assim, tão forte, tão intenso. O caçula correu, gritou mããããããããããããe e deu um abraço longo, apertado, feliz! Normal, afinal, ele nunca havia sentido TANTA saudade da mãe…

Primeiro porque nunca fiquei tanto tempo fora e segundo porque agora ele compreende melhor as coisas, está crescendo. O mais velho já estava dormindo e acordou choramingando e se sentiu tão feliz ao me ver que chorou um choro aliviado que eu também nunca havia sentido nele. Me abraçou, se acalmou e voltou a dormir.

E esses foram meus abraços inéditos.
E que abraços…

Aí, pude sentir o que sentem as mães que precisam trabalhar e ficam longe de seus filhos.
Será que todos os dias recebem este abraço?
Se recebem, entendi o que as faz enfrentar este dilema e seguir da maneira mais forte possível: Este abraço.
Isso é o que elas recebem, e nós, mães que ficamos em casa, não temos oportunidade de vivenciar. Vivenciamos outras coisas muito legais, mas não esse abraço. E um abraço desses no fim do dia, vamos combinar, faz TUDO valer á pena!
__________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa