Sabe aquele carro que ocupa duas vagas, que pára sobre a faixa de pedestres, que pára sobre a calçada ou na vagas especiais e que você sempre teve vontade de deixar um bilhete para mostrar sua indignação?
Parece uma coisa bobinha, mas imagina a cara do cidadão ao ler o bilhetinho!
Indignação, vergonha? Não importa… O que importa é que ele será tocado de alguma forma e tenho certeza, não esquecerá do recado na próxima vez que estacionar seu possante…
Respeitar o próximo e o direito do outro é fundamental para fazermos um mundo melhor e qualquer ferramenta que nos estimule a isso, vale à pena.
Recebi o convite do Vinicius Mont Serrat do Blog Sucesso News para participar da campanha Saco é um saco do Ministério do Meio ambiente e não poderíamos ficar de fora! Mas, ao invés de falar de números, vou contar um pouquinho da nossa experiência pessoal.
Aqui em casa a gente usa sacola retornável.
Tudo começou com a @cristianefetter do blog Tô Doida, que mora nos Estados Unidos e escreveu um texto aqui pro Futuro do Presente contando sobre As Sacolas Plásticas nos Estados Unidos . Logo depois disso, ela me mandou de presente uma sacola que vende nos mercados de lá. Aliás, uma sacola excelente e que está como nova até hoje…quase 2 anos depois. Foi essa bolsa a nossa primeira sacola retornável.
No começo, eu esquecia sempre de levar a bolsa, mas a consciência de que eu esquecia, me fez passar a deixar a bolsa dentro da mala do carro. Continuei esquecendo…mas com ela na mala, eu me obrigava a voltar ao estacionamento e pegar. E foi assim que com o tempo, eu fui passando a lembrar automaticamente de sempre levar a bolsa para dentro do mercado.
Como eu moro num local um pouco afastado dos grandes centros, os mercados aqui são menores e a gente acaba ficando mais conhecido no comércio local. E no começo me tratavam como um ET, com aquela cara de : “Como assim, a Sra. não quer levar a sacola? A Sra. traz uma sacola?”. Num dos mercados da região, certa vez, o empacotador quis me obrigar a levar a sacola! “A Sra. é obrigada a levar” e eu respondia “a compra é minha e eu não quero levar a sacola plástica, quero levar na minha sacola” …
Eu já respondia rindo porque a cena foi realmente patética. Afinal, de fato, minha única obrigação ali era pagar pelas minhas compras. Se eu quisesse levar item por item na cabeça, era problema meu…rs.. Mas com o tempo, vieram os elogios, todo mundo comentava e eu virei a “moça da sacola”.
Claro que no meio dessa história, tivemos uma outra descoberta: uma bolsa só para compras de mercado semanais, era pouco. E meus sogros, vendo nosso engajamento, de repente, assim do nada, chegaram com uma sacolona enorme feita de sacos reciclados. Ou seja, nosso comportamento já estava inspirando e atingindo nossos familiares. Sentimos muito orgulho!
Mas duas sacolas ainda era pouco e passamos também a usar uma caixa de plástico desmontável para garrafas, caixas de leite e itens mais pesados. Esta por ser desmontável, também “mora” dentro do carro e é muito prática de carregar dentro do carrinho do mercado.
Foi daí que tivemos a idéia de fazer sacolas reutilizáveis feitas de tecido PET e colocar à venda no nosso site. Mas como a gente queria ter um diferencial para facilitar as pessoas a lembrarem de levar suas bolsas ao mercado, optamos pela bolsa dobrável, com fecho para que ela esteja dentro das nossas bolsas do dia-a-dia ou dentro do porta-luvas dos carros. Porque a bolsa precisa estar disponível na hora que a gente precisa. Não adianta nada a gente estar no mercado e a bolsa em casa.
E o melhor da história vem agora: o mercado, vendo nossas bolsas, perguntou onde a gente compra e a gente passou a fornecer para o mercado que revende a bolsa feita de tecido 100%reciclado para seus clientes!
Então, as lições que aprendemos com toda essa história é que:
-é possível mudar nossos velhos hábitos;
-as pessoas se inspiram (o mercado se inspirou por nós, que nos inspiramos na Cris e assim, sucessivamente, se cria uma corrente de conscientização);
Hoje, dia do Blog Action Day 2009, cujo tema é Mudanças Climáticas, recomendo que assistam este documentário do Greenpeace Brasil que fala das mudanças climáticas já perceptíveis em nosso país.
E reflita.
Podemos nos dar ao luxo de continuar a não fazer nada?
A despeito daqueles que acreditam que nada podemos fazer, que essas mudanças são resultado natural de nossa forma de vida e que esse é o caminho que devemos trilhar, é possível conviver com a idéia,que nós, tão capazes, apenas devemos cruzar os braços e sofrer as consequências?
Ou podemos lutar, mudar, caminhar mais perto da preservação da natureza para ficarmos por mais tempo com qualidade de vida sobre a Terra?
Certa vez, recebi um e-mail com aqueles arquivos em Power Point, os famosos .pps , que eu raramente assisto. Mas esse me interessou e eu não me arrependi.
Ele conta sobre a cultura Slow Down que seria a grosso modo, dar uma desacelerada na vida.
Lá, um funcionário brasileiro de uma empresa sueca explica o quanto nós corremos atrás de resultados imediatos. Ao contrário dos suecos que têm prazos longos e demorados para a realização dos projetos. Em conseqüência se tem projetos amadurecidos com tecnologia e procedimentos adequados, o que gera muito pouca perda na realização dos mesmos.
Isso fica mais interessante ainda quando o próprio autor considera o tamanho da Suécia que é o mesmo tamanho do estado de SP e tem empresas como Volvo, Nokia, Ericsson, entre outras.
E ele finaliza a apresentação contando que ao chegar para trabalhar, em pleno inverno, sob intenso frio e neve, o colega de trabalho, mesmo chegando cedo e estando o estacionamento vazio, parou longe da porta de entrada mesmo com vagas mais próximas disponíveis. Quando questionado pelo brasileiro, o amigo sueco respondeu que ele estava chegando cedo e tinha tempo suficiente para caminhar até a entrada. Os colegas que chegassem depois, provavelmente, estariam com menos tempo e com maior necessidade de parar mais perto da entrada do que ele.
Não acredito que seja possível continuarmos a nos comportar da mesma maneira depois de ouvir essa história. E todos os dias eu me lembro dela na porta da escola ou dos locais onde vou por qualquer motivo. Se antes já andava procurando vagas mais distantes para ficar em local mais tranqüilo, agora tenho mais um motivo e lembro dessa história quando chego cedo na porta da escola e posso esperar. Sempre avalio se devo mesmo ocupar uma vaga que pode estar disponível para uma mãe que precisa parar perto da porta por qualquer motivo, por exemplo.
Mas não posso deixar de observar que os próprios professores ou donos das escolas param seus carros na porta das escolas. Não bastasse a questão da falta de necessidade de se deixar o carro parado tão perto do portão por tanto tempo, tem a questão prática da coisa que é permitir que os clientes tenham acesso mais fácil à escola. E nos estacionamentos dos estabelecimentos comerciais? Aqui perto temos vários deles que simplesmente não tem vagas disponíveis para os clientes porque os médicos, funcionários, donos de salas e de lojas param seus próprios carros nas vagas de seus clientes.
Ou seja, evoluir nossos pensamentos e nossa percepção nas coisas rotineiras da vida é uma necessidade fundamental para termos melhores resultados combinados com uma qualidade de vida mais enriquecedora (e coletiva).
Viajei na maionese?
Ou começar a educar nossos filhos para serem menos imediatistas e mais “slow down” é uma loucura?
Estarão eles capacitados para mudar o mundo, ou seremos tão poucos que eles estarão totalmente excluídos da realidade imutável dos resultados imediatos?
Para variar, esse assunto começou no Twitter.
Mencionei que achava um absurdo a propaganda que vi, num canal pago infantil, dos bonecos dos Simpsons, feitos para crianças. Afinal, se tem algo que não tem sentido, é achar que o desenho dos Simpsons seja direcionado às crianças. Só a Globo para achar que Simpsons é programa infantil e colocar na grade da manhã! E agora essa propaganda do boneco na TV paga. Aquilo é desenho de adulto. A não ser que queira seu filho imitando o Bart Simpson e arrotando como o pai dele.
Outro ponto mencionado é relativo à propaganda e produtos voltados para o público infantil como o famoso Mc Lanche Feliz e seus brinquedos. Não vou dizer que não compro, que não levo meus filhos e que eles nao gostam. Mas tem um limite enorme aqui em casa. É controlado mesmo. E eles nunca se acostumaram a ver um lanche nesta lanchonete como algo obrigatório ou essencial. É uma tranquilidade, passar na porta e ninguém falar nada. Temos que encontrar o equilíbrio na criação dos filhos, esse é o grande desafio. Mas eu conheço mais de uma criança que tem TODA coleção de brinquedos do McLanche. Uma vez, um casal amigo estava no McD de manhã, porque o filho queria um brinquedo recém lançado.
O problema é o incentivo subliminar ao consumismo que a atitude dos pais ainda vem respaldar no fato de não haver limites para propaganda infantil. Aí, no futuro, temos adultos depressivos, que não se sentem satisfeitos com nada que tem, sempre querem mais e não há satisfação. Porque a industria da publicidade quer é isso mesmo: que a gente queira novidades o tempo todo. Compre, compre, compre….
Fora isso, o consumismo tem consequências mais graves como relata André Trigueiro em excelente entrevista à CBN onde ele comprova que Consumismo faz com que jovens cometam mais crimes.
E se pergunte a partir de agora se realmente a propaganda sem controle voltada para o público infantil, que não tem condições de discernir sobre o que é certo ou errado, bom ou ruim, deve continuar acontecendo livremente nos meios de comunicação, principalmente nos intervalos dos programas direcionados às crianças.
Dias 22 de setembro é o Dia Mundial Sem Carro, comemorado em mais de 1500 cidades no mundo. É o dia que deixamos nosso carro na garagem ou usamos o menos possível.
Nós aqui em casa já participamos duas vezes (2007 e 2008) e nos rendeu experiências deliciosas e surpreendentes. Se organize e participe deste movimento que tem um intuito de provar que podemos, sim, ser menos dependentes dos carros que são, de longe, os maiores geradores de danos ao meio ambiente, com seus combustíveis, fabricação, necessidade de asfalto, etc…
Esse ano a coisa complica um pouco porque o dia cai num dia de semana e isso dificulta um pouco mudar a rotina, que nem sempre é realmente possível. Eu ainda estou pensando em como posso fazer para deixar o carro em casa já que o ponto de ônibus é bem distante para irmos à pé. De bicicleta, fica inviável porque o único caminho é uma avenida supermovimentada e com duas crianças, em uma bicicleta, não dá.
Essas campanhas não tem a intenção de despoluir o mundo num dia.
São ações pontuais de conscientização.
Quando você é incentivado a fazer isso um dia e gosta, vê que é possível, tem mais chances de promover mudanças realmente efetivas em seus comportamentos.
Como eu não acredito em mudanças coletivas sem que hajam mudanças individuais, eu apoio e acho que precisa um pouquinho de boa vontade das pessoas experimentarem.
De qualquer forma que seja.
Sei que é complicado e que carro, hoje também é sinônimo de segurança e conforto. Um conforto tão grande que é difícil abrir mão.
Mas sabe o que me mudou? O nascimento dos meus filhos.
Isso mexeu comigo como nunca imaginei. Antes deles eu até me preocupava com o planeta, mas fazer que é bom…neca di pitibiriba…
Agora simplesmente não dá. Fico pensando no lixo que vamos deixar para as futuras gerações.
Na poluição do ar, da água….
Sei que eu não vou mudar nada significativamente de forma isolada.
Mas minha paixão por fazer diferença no mundo que vou deixar para eles, inspira meu marido, minha empregada, minha mãe, meus irmãos, meus sogros, cunhados, meus amigos…
Uns mais, outros menos.
E acaba que esses desafios me fazem descobrir coisas bacanas e pessoas também.
Por isso, abro mão de parte do meu conforto, do meu gosto genuíno por dirigir, da praticidade de se morar num grande centro…e assim vai.
Não é fácil, mas tem algo que me motiva que é mais forte que eu.
Acredito, com todas as minhas forças, que a única forma de mudar o mundo é termos uma sociedade civil organizada. E a sociedade civil organizada é você, sou eu. Para que a sociedade se organize e enfrente todas as dificuldades do nosso mundo, do nosso país, precisamos reclamar menos e agir mais.
Por isso, quando eu soube que a Casa de Parto de Realengo tinha sido fechada, eu tive que manifestar aqui minha indignação. O mesmo fiz quando soube do fechamento da Casa de Parto de Juiz de Fora, que infelizmente, continua fechada.
A Casa de Parto de Realengo foi reaberta -sob liminar- e a caminhada em defesa dela e de todas as Casas de Parto do Brasile em defesa do Parto Normal, foi mantida. E eu tinha que ir porque a mulher, nós mulheres, merecemos e precisamos de centros de atendimento ao parto públicos com serviços humanizados e de qualidade como os oferecidos pelas Casas de Parto.
A mulher tem direito a escolher como quer parir e não ser induzida de forma covarde por médicos cesaristas que levam o Brasil a ser campeão em taxa de cirurgia cesareana, que chega a 80% em hospitais particulares.
E chegando lá encontrei muitas amigas que conheci quando participei de listas de discussão em prol do parto normal humanizado e do parto natural. Lembranças mil na cabeça e alegria de ver tantas
mulheres engajadas, tantas pessoas verdadeiramente comprometidas com sua causa. Lindo de ver pela paixão, pela seriedade, pela organização.
A orla do Leme e Copacabana ficou laranja com mulheres, homens, crianças e balões colorindo uma luta que deveris ser desnecessária, afinal, um parto humano deveria ser uma regra, não uma excessão.
Mas mesmo assim, foram poucas pessoas. Li que eram 300 pessoas. Mas isso não é porque as pessoas não defendem a causa. É porque as pessoas preferem continuar em casa, confortáveis, reclamando da vida e dos desrespeito generalizado em nossa sociedade.
Que essa imagem, de duas lindas grávidas jogando capoeira, inspire e mostre que quando desejamos mudar alguma coisa, é preciso lutar, sair da zona de conforto e superar tudo.
@marcelotas conta em seu blog que o Sarney, presidente do Senado Federal, empregava ilegalmente, seu neto no Senado. Para encobrir o fato, o mesmo foi exonerado de forma totalmente discreta para ninguém perceber (sociedade que paga seu salário e dos parentes que emprega ilegalmente). Não bastando isso, a mãe do rapaz, mulher do filho do Sarney, foi imediatamente contratada para seu lugar!
Enquanto tudo isso acontece, no mesmo texto, Tas conta que ele almoça num dia da mesma semana com o Boni, aquele mesmo que era Globo, regado a um vinho que custa em torno de US$5 mil por garrafa!
Me pergunto: o que podemos fazer contra isso? Até quando vamos aguentar sem reagir?
O que fazer contra uma situação que vai muito além do voto consciente?
O que fazer quando nem o voto consciente basta porque a grande massa é inconsciente? Quando a maioria que eleje escroques para os cargos de comando de nosso país são manipulados pelos velhos e abomináveis “currais eleitorais” em troca de uma cesta básica, um par de sapatos ou uma dentadura?
Eu sou a minha cidade, e só eu posso mudá-la. Mesmo com o coração sem esperança, mesmo sem saber exatamente como dar o primeiro passo, mesmo achando que um esforço individual não serve para nada, preciso colocar mãos à obra. O caminho irá se mostrar por si mesmo, se eu vencer meus medos e aceitar um fato muito simples: cada um de nós faz uma grande diferença no mundo. (Paulo Coelho)
«Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e, esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.» - Chico Xavier
Atenção: os textos deste blog amparam-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988. Vale-se do "animus narrandi", protegido pela lei e pela jurisprudência (conferir AI nº 505.595, STF).
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