O que eu ensino para o meu filho?

Este post é um reflexo de uma grande preocupação que tenho: tão importante quanto o que vamos deixar para nossos filhos é o que vamos ensinar para eles.

O que eu penso ser o mais importante que posso deixar e ensinar é o exemplo. Sempre que faço alguma coisa aqui em casa, que incorporo algum hábito novo ou tento fazer a coisa certa mesmo que não seja a mais fácil, penso neles.

Quero muito que eles achem que reciclar é fundamental porque simplesmente desde que se “entendem por gente”, o lixo na casa deles é reciclado.

Quero muito que eles olhem para o passado e falem que sempre poupamos a água por entender que ela é um recursos finito e limitado. E também porque devemos valorizar a riqueza que temos tão facilmente escoando de nossas torneiras enquanto outras (e muitas) pessoas consomem água suja depois de ter que andar quilômetros e quilômetros com uma enorme lata de água na cabeça que corresponde à ínfima necessidade de uma família de várias pessoas.

Quero que eles aprendam a comer de tudo e dizer que na casa deles a gente fazia muita coisa natural, tinha horta, doce de casca, suco de fruta.

Quero que eles respeitem os outros, que sejam honestos, íntegros, éticos porque aprenderam a ser assim.

Quero muito deixar um mundo melhor para eles mas também quero que eles mesmos tenham esse sentimento dentro de si, porque nós conseguimos ensinar isso à eles.
Esse é meu grande desafio.

[texto originalmente publicado em 04 dee abril de 2008]

 

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3mensagemhoje

Não deixe a TV usar você

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“É necessário precaver-se contra o lado negativo apresentado pela televisão. Ser atingido diariamente por todos os problemas que lança em sua casa dificulta ter uma mente positiva. Não quero com isso discutir filosofia de comunicação, mas o fato concreto é que,  com uma televisão de péssima qualidade, fica difícil manter a cabeça limpa. Você deve usar a tevê, mas não deve deixar a tevê usar você. Com a cabeça direcionada para as intempéries do mundo fica difícil ser feliz, pensar em coisas produtivas e edificantes. De que adianta saber que houve um terremoto no Japão ou que um ataque suicida matou dezenas de pessoas? Para ficar ainda mais terrível acabar de vez com qualquer otimismo, a tevê exibe cenas chocantes. Quanto mais sangrentas, melhor. Maior a audiência.”

 

[Nuno Cobra em trecho do livro "A Semente da Vitória"]

Neste Natal, diga NÃO aos brinquedos sexistas!

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Há mais de 1 ano atrás eu fiz uma enquete num antigo blog pessoal:

Pergunta para mãe/pai de meninOs: Você deu ou daria brinquedos como bonecas, vassouras e panelinas para seus meninos?

Apenas 66 pessoas responderam e o resultado foi que 47% daria sem problemas. O restante não daria por diversos motivos, mas não daria.

Por que eu fiz esta pergunta? Porque meu filho me pediu uma boneca. Sua justificativa era que seus bonecos (homens) estavam precisando de companhia de meninas. Diante desse argumento -e eu sempre procuro ceder diante de bons argumentos-, foi impossível não dar à ele sua desejada boneca ( ele ganhou duas : uma Susi –Barbie NOT- e uma Jessie (Toy Story). Afinal, nada mais saudável do que cultivar relacionamentos entre homens e mulheres de maneira igualitária através das brincadeiras. Pelo menos, é isso que prego e acredito.

Mas talvez isso também não seja algo tão surpreendente se avaliarmos que eu dou brinquedos femininos para meus dois meninos. Não me prendo a cor ou ao gênero do brinquedo. Sendo assim, na nossa casa, não é surpresa alguma encontrar meus filhos brincando com panelinhas cor-de-rosa.

Além dessa questão, outra coisa me faz ver tudo isso com muita naturalidade e acredito plenamente que também a meu filhos: o pai deles, é um homem que faz tudo dentro de casa e usa camisa rosa: cuida dos filhos, cozinha, varre… ele não faz a menor distinção sobre o que é considerado tarefa feminina ou masculina.

Se essas brincadeiras são uma forma das crianças entenderem a sociedade e sua realidade, acredito que estamos criando meninos para serem ótimos companheiros e pais. Espero que minhas noras valorizem e nos trate muito bem…rs….

Contudo, é triste ver que quando vamos a uma loja de brinquedos, os fogões, vassouras e eletrodomésticos de brinquedos são todos rosa ou lilases. Por que aceitamos na vida adulta que homens sejam CHEFS  de cozinha, mas na infância, as panelas e tarefas domésticas cabem sempre às meninas? Na década de 70, as bonecas vinham com nomes que valorizavam a mulher submissa (afinal “Amélia é que era mulher de verdade”) e e santificavam a imagem da mãe. Aos meninos cabem os carros (como se mulher não gostasse de dirigir), as armas e junto com elas, a violência masculina banalizada desde a infância. E talvez isso explique muita coisa no comportamento violento de muitos homens jovens e adultos.

Mas aos meninos cabem também toda a gama de cores (exceto o rosa). Enquanto  as meninas, ficam presas num mundo monocromático de princesas cor-de-rosa e tarefas  consideradas menores. Ou ainda num mundo de consumo excessivo que cabe à Barbie oferecer em profusão com um apelo de uma beleza plástica irreal. Levando nossa sociedade a uma busca insana pela beleza perfeita e inexistente que gera doenças como bulimia, anorexia e depressão.

Fico pensando no que será desse mundo de princesas quando elas crescerem e virem que os homens não são príncipes encantados e também aos homens que cresceram acreditam em princesas que não existem. Será também que esta visão equivocada da realidade entre homens e mulheres incentivada na infância não é um fator determinante para essa total falta de sintonia entre os sexos gerando essa enorme dificuldade que nossa sociedade apresenta em se relacionar afetivamente?

No dia das crianças deste ano, fiquei longe dos meus filhos, num evento voltado para a discussão do incentivo ao consumo na infância. Quando recebi o convite, não pude deixar de aceitar porque estaria longe dos meus filhos no dia das crianças. Essa data é uma data comercial que ficou famosa nos anos 60 quando divulgada por uma indústria de brinquedos. A fábrica acertou na estratégia e hoje o dia das crianças e uma data exclusivamente comercial e aceita por todos como um dia de ganhar  presentes. Eu fiquei longe dos meus filhos neste dia, ele receberam brinquedos simples e não comemoramos nada. E no que pudermos oferecer a eles, vamos mostrar que o mundo é um lugar de homens e mulheres que partilham todas as suas tarefas de forma igualitária, com respeito e companheirismo, sempre. E gostaria que o dia das crianças fosse um dia de brincar de qualquer coisa. Mas não um dia de mostrar que só é feliz quem ganha presentes mirabolantes (e sexistas). Parece piegas dizer mas mais importante do que ser feliz por causa de um brinquedo, é ser feliz sem ele. É aprender que a felicidade não depende de uma fator externo. Agora, chegou o Natal. Hora de mostrar que a felicidade deve estar dentro de nós para que possamos enfrentar com serenidade as dificuldades e limitações que a vida nos apresentará.

Isso sem remédios como a ritalina e rivotril.

Filhos dos pais e da sociedade e da escola e da família

Recebi pelo Twitter um link de texto falando que ética se aprende em casa.
Não li o texto, confesso, pois não dou conta de tanto conteúdo. Mas fiquei curiosa: em casa com pais ficando fora o dia todo? Ou há que se fazer concessões?

Vejo e ouço constante “recados” da sociedade cobrando dos pais a educação que deve ser dada em casa mas eles tem que se matar para pagar escola e o chefe cobra hora extra sem remunerá-los. Explica pro chefe que você precisa faltar ao trabalho porque seu filho precisa de carinho e orientação. Nem precisa ser o chefe, fala aí pro colega ao lado e veja a reação dele se você cogitar a possibilidade de postergar um trabalho, faltar uma reunião, deixar de entregar um relatório ou mesmo deixar de cumprir sua rotina do dia por causa de um filho. Muitas mães desejam deixar de trabalhar para cuidar dos filhos nos primeiros anos (e muitas que não o fazem se arrependem) mas além da dificuldade de se abrir mão da remuneração pelo trabalho, pare de trabalhar e verá como vão dizer que essa mãe não faz nada (o que é uma grande mentira). Os que criticam são os mesmos que tem um monte de teorias sobre quão falhos são os pais.

A sociedade cobra dos pais e trata os mais dedicados como fracos.

Todo mundo tem que se sentir responsável pelas crianças: sociedade, pais e escola. Se considerarmos que somos também frutos do meio, a ética tem que permear todos os ambientes. Crianças sem ética são adultos que interferem maleficamente em toda a sociedade. Todos pagamos o preço, não só as famílias em casa. Ética e muita coisa tem que ser ensinada em TODAS as esferas. Se os pais devem ensinar, no mínimo, a sociedade deve apoiar os pais. É preciso que a sociedade mude a forma de ver a maternidade/paternidade de forma urgente e dar respaldo para que seja exercida melhor.

Se refletimos o que aprendemos dentro de casa, também não refletimos em outros aspectos. Observo que , por exemplo, tem muitas coisas que sou diferente de meus pais, para bem e para o mal. Pais não são onipotentes, nem onipresentes. Se fosse assim os filhos de fumantes, fumariam e é comum acontecer o contrário. Como influências podem vir do meio, ou não, e nunca sabemos qual terão um peso maior para cada indivíduo, todos somos responsáveis pelas crianças. A propósito, meus pais fumavam quando eu era criança. Eu nunca fumei mesmo não me lembrando de receber orientação para não fazer. Ou seja, valores podem ser muito mais amplos do que só pais, família, sociedade ou escola…é tudo relacionado.
Eu sou totalmente contra terceirizar qualquer educação, mas acho que jogar qualquer coisa exclusivamente nas costas dos pais  é absurdo. A sociedade que temos hoje é fruto do abandono também aos pais, não só às crianças. Os pais ainda são empurrados a terceirizar os filhos. Precisamos encontrar o equílibrio dessa relação pois cobra-se pais presentes e profissionais totalmente dedicados. Difícil conciliar.Precisamos urgente mudar a forma de encarar a parentalidade. E dar valor ao exercício mais pleno.

 

Rio+20: pela primeira vez, os pais na mesa de debates!

Em meados de 2007, conheci o projeto Criança e Consumo. Naquela época, ainda não havia me dado conta da influência da propaganda na vida das crianças. Por isso, acredito e entendo que a maioria das pessoas não perceba. Natural, afinal as propagandas são meticulosamente criadas e preparadas para nos influenciar sem que a gente perceba. E se influenciam a nós, adultos, sem que percebamos, imaginem as crianças.

Três anos depois, em 2010, no Fórum Criança e Consumo, em São Paulo, pensei: por que os pais não estão lá, fazendo parte das mesas de debate? O fórum foi muito bom, mas saí com aquele sentimento de que faltou alguma coisa. Num papel de perguntas do fórum, eu coloquei que senti falta dos pais na mesa de debates. Afinal, não são eles que vão promover as mudanças fundamentais? E pensei: vamos colocar os pais no debate!

Não era uma tarefa fácil. Eu e mais algumas amigas já saimos do fórum pensando em como articular os pais. Criamos alguns projetos que, embora tenham sido bem sucedidos, não chegaram a atingir esse objetivo. E foi no Facebook, alguns meses depois, que esse projeto começou a nascer, com a criação de um grupo de discussão sobre o tema Consumismo e Publicidade Infantil, que hoje conta com mais de 1.200 integrantes. Estou convicta de que a internet é um grande agente transformador, agregador e definitivo na transformação de nossa sociedade.

Através desse grupo, descobrimos a fan page de uma associação de publicitários que, embora diga que TODOS são responsáveis por cuidar das crianças, na verdade queria responsabilizar exclusivamente os pais pelo controle daquilo que as crianças veem na mídia. E o grupo imediatamente repudiou essa postura. As crianças não são responsabilidade exclusiva dos pais. Crianças mal influenciadas são um problema de toda a sociedade, pois toda a sociedade paga o prejuízo causado por cidadãos mal formados. A Lei também é clara: a responsabilidade sobre o bem-estar emocional e físico das crianças é da família, da sociedade e do Estado.

Essa associação não desejava dialogar, mas, sim, ter espaço para expor apenas seus pontos de vista sobre a questão, de modo a manipular as opiniões a respeito do assunto. E foi aí que decidimos que precisávamos agir e fazer alguma coisa para alertar os pais que, assim como nós, nunca haviam se dado conta da influência negativa e predatória da publicidade infantil.

Em uma semana, ultrapassamos os LIKES que os publicitários levaram 3 meses para conseguir. Em consequência desse trabalho, fomos então convidados pelo Alana/Projeto Criança e Consumo para falar na Rio+20. Naquele momento, dois anos depois do fórum, havia sido atingido o objetivo de representar os pais na mesa de debates pela primeira vez – e na Rio+20, a conferência Mundial de Desenvolvimento e Sustentabilidade. Não poderia ser mais emblemático!

Chega a Rio+20. Nosso movimento já estava bem maior, mas, ainda assim, acabara de completar apenas 3 meses. Fiquei muito emocionada de ser parte integrante da Rio+20, ainda mais como mãe e abordando o tema publicidade infantil, consumo e sustentabilidade. Me deu o sentimento bom de saber que não sou capaz de mudar o mundo, mas que estou fazendo a minha pequena parte. E ao contrário do que muitos disseram sobre a Rio+20, tudo o que vi mostrou que tem muita gente atuando em suas comunidades. E é isso que estamos fazendo através desse grupo, lutando para mudar o nosso mundo.

Durante o evento, pudemos ver relatos como o de um chileno que contou que, em sua comunidade, que fica bem afastada dos grandes centros, o consumismo já deixa sua marca e influencia crianças e jovens de forma assustadora. Mostrou também que, assim como nós, muitas outras pessoas acreditam que as crianças precisam ser protegidas e cuidadas para que tenhamos a chance de ter um mundo melhor e mais humano. Especialistas em legislação, psicologia, defesa do consumidor e educação infantil comprovaram a importância de se impor regras rígidas para a publicidade infantil no Brasil. E o mais incrível era que nós, os pais, estávamos lá, na mesa, pela primeira vez, para mostrar que estamos nesta luta. Mostrar nossas dificuldades em enfrentar este mercado, enfrentar a invasão da publicidade através do mundo mágico e sem limites possibilitado pela ilusão da televisão.

Depois do evento, fomos abordados por várias pessoas que fizeram questão de nos apoiar e dizer que concordam que esta luta é necessária e urgente. Pude ver em todos os olhares o quanto é importante existir um movimento de Mães defendendo a infância. Em muitos olhos pude ver emoção, a mesma emoção que eu estava sentindo. Temos no Brasil leis suficientes que apoiam a infância, mas elas não estão sendo capazes de coibir os abusos da publicidade que se baseia numa autorregulamentação inócua e que somente nos prova, todos os dias, que os interesses financeiros estão acima de qualquer interesse que defenda e proteja as crianças. E agora nós entramos no debate para ficar e exigir que o Estado faça a sua parte, regulamentando a publicidade infantil no Brasil.

[fonte: http://infancialivredeconsumismo.com/index.php/rio20-pela-primeira-vez-os-pais-na-mesa-de-debates-2/ ]

 

Meninas versus Meninos e vice versa

Desde que me entendo por gente, escuto sobre as dificuldades de relacionamento entre homens e mulheres. Hoje como mãe, observo o quanto alimentamos isso na cabeça das crianças. Meninas e meninos recebem criações diferentes demais. Claro que existem diferenças entre meninos e meninas, físicas e hormonais, inclusive. Mas precisamos acentuar isso o tempo todo? Precisamos criar um abismo entre meninos e meninas que posteriormente será um abismo entre homens e mulheres na vida adulta?

 

Outro dia, fui comprar um livro para dar de presente a um amiguinho da escola dos meus filhos e fiquei assustada quando percebi, que na faixa etária deles (a partir dos 8 anos) os livros começam a ser sexistas! Tem livros para meninos e livros para meninas! Fiquei boba de ver como as meninas são induzidas a um comportamento robotizado e escravizante. Monocromático e com glitter, o velho gel com purpurina. As meninas são, quase sempre, magrelas e de cabelos lisos ou com leves cachos devidamente disciplinados. E como não poderia deixar de ser, o lado cruel: a filha de uma amiga, por exemplo, sofre agressões contínuas das amiguinhas por conta de seu cabelo crespo. Fora isso, que já é algo reprovável e preocupante, temos livros ditando uma regra de comportamento feminino desde a infância. E a minha dúvida: incentiva também a segregar os meninos e estimula a competitividade entre as meninas?

 

E os livros dos meninos? Mais interessante que o mundo rosa das meninas pois estimula a aventura. Contudo, nem todos são assim já que muitos títulos e capas de livros aparentemente direcionados aos meninos, também estimulam a agressividade disfarçada de rebeldia. E a pergunta: ao mesmo tempo, igualmente segrega as meninas? Os meninos, aventureiros e as meninas, fashionistas descoladas. Engraçado que isso eu já percebia nos meus bebês: as vida dos meninos é mais interessante: para começar, tem todas as cores, exceto o rosa (tinha que ter um sexismo…). A das meninas, pelo contrário, quase não tem nenhuma cor, exceto o rosa, em profusão de tons, do pastel aos lilás.

 

O que me chama atenção é que, literatura não tem sexo. Na vida adulta, temos até alguns livros direcionados a determinados sexos mas são minoria, visto que a maioria das histórias são interessantes sem distinção de gênero. Mas na infância isso não é influenciador demais? Adultos já conseguem discernir e escolher como querem se comportar mas e as crianças? Essa geração vai crescer aprendendo a gostar de ler ou vai aprender a gostar de ler apenas livros direcionados especificamente para o sexo feminino ou masculino? E o que esses livros propagam, é uma visão construtiva dos mundos feminino e masculino?

 

Pensei também nas princesas. Quantas princesas, quantos filmes de princesas, quantos produtos de princesas. E os meninos? Nenhum príncipe. Não há incentivo para os principes, não há brinquedos… o que é bom! Mas não é muita princesa? Não é princesismo demais? O que é uma princesa senão aquela beleza perfeita a espera do príncipe encantado e perfeito? Coisa que sabemos, que não existe. Isso não vai gerar um conflito no futuro? Só saberemos mais tarde, se é que vamos conseguir associar os efeitos às causas.

 

Sei da dificuldade que existe na relação homem/mulher desde sempre. Mas atualmente vivemos uma era que a solidão impera. Somos seres humanos cada dia mais individualistas e solitários. Nossa sociedade apresenta uma enorme dificuldade de entendimento entre homens e mulheres. Além da competição, vemos muita carência de afeto. Como eu disse, isso não é de hoje, mas todos estes fatos não contribuem para aumentar ainda mais este abismo entre homens e mulheres? Quantas mulheres e homens legais a gente conhece que estão sozinhos, e sempre reclamam da dificuldade de encontrar alguém legal para viver a vida? O que falta para estas pessoas se encontrarem? Será que é uma dificuldade que carregamos desde a infância? E hoje e dia, isso é mais acentuado ainda?

[imagem: getty images /royalty free]

Mãe, eu amo alface!

Sabem quando eu imaginei meu filho falando isso? Nunca!

Pois ele disse! Esperei 5 anos, 9 meses, 12 dias mas ele disse!

Ele que nunca foi bom de comer, péssimo em experimentar novos sabores, me disse que ama alface!

E como foi isso?

Eu comecei a obrigá-lo a comer alface…rs… :)

Simples assim.

Tudo começou num almoço comum antes da escola. Um pedacinho, coisa mínima, muita careta e muitos aplausos.

No dia seguinte, outro pedacinho, depois um salzinho de nada, depois um azeitinho, depois pedacinhos maiores e maiores e maiores e um dia ele me brinou com quase meio prato de alface e essa frase maravilhosa.

Tô missi!  Missintindo ! :)

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Crianças e consumo

Há muito tempo eu queria escrever sobre isso e no post sobre o Natal, a Suzana Elvas que é colaboradora constante com sugestões para temas aqui pro blog, deixou o endereço deste (excelente) documentário e a Renata Matteoni já o havia me enviado por e-mail, que se chama “Criança, A Alma do Negócio” de Estela Renner e Marcos Nisti.

Aqui em casa somos muito preocupados com a quantidade e a qualidade do que as crianças possuem ou têm acesso. Claro que nosso controle, por mais que tentemos não é 100% eficaz. Ainda temos que levar em consideração as diferenças entre o pai e a mãe. Por exemplo, essa semana, eu e o pai tivemos opiniões completamente diferentes sobre um determinado desenho. Claro que eu achando que era muito mais violento do que ele achou. Não dá para impor a vontade ou opinião de um de outro todas as vezes, e no geral, chegamos a um consenso ou aguardamos para ver os efeitos que as decisões ou permissões causam.

Eu sou contra propagandas para crianças. Acho que a propaganda, quando existe, deve ser voltada para os pais que podem discernir sobre consumo. Criança não pode discernir e ainda é facilmente manipulada pelas técnicas de mídia. E um grande exemplo do mal que o consumo excessivo e descontrolado pode causar é ouvir a excelente entrevista com André Trigueiro que fala que o consumismo faz com que jovens cometam mais crimes. E claro que isso vem de antes da adolescência (você pode ouví-la clicando aqui.)

Aqui em casa, como em muitas famílias, o grande desafio é conciliar as tarefas e responsabilidades dos adultos com crianças ávidas por atividades durante todo um dia de chuva, por exemplo. Difícil não ligar a TV por menos de 3 horas por dia para os pequenos. Acha3 horas muito? Pois são uma hora de manhã e duas horas de tarde… cada hora são 2 desenhos ou um pouco menos que um filme.

Claro que o assunto é polêmico porque publicitários não querem saber da saúde emocional ou educacional dos nosso filhos, eles querem saber da saúde financeira de suas contas bancárias. E é essa motivação que os faz reclamar com toda a força, chamando de censura (HA-HA-HA), a possível proibição de anúncios para crianças ou anúncios de bebidas alcóolicas (conheça a campanha Propaganda sem Bebida) , assim como, -bendito seja-, aconteceu com os cigarros. E nenhum publicitário morreu de fome, a Souza Cruz não faliu, e eles apenas, como tudo que nos afeta, só precisaram se readequar à nova realidade. Com a grande vantagem de que nossos filhos não precisam, há muito tempo, ver propagandas de cigarros ligadas ao esporte ou à vida saudável, que era a grande MENTIRA PUBLICITÁRIA e INESCRUPULOSA que eles sempre veiculavam.

E aos pais e publicitários que pensem que propaganda não afeta as crianças, vejam o excelente documentário abaixo e ouçam com atenção a última frase que diz:

“…deixar de pensar ou refletir sobre a infância é desconsiderar nosso próprio futuro!”

Falar mais o quê???

Leia +

Televisão demais faz mal à saúde e pode viciar

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Pensamentos que nos fazem pensar

«Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e, esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.»

- Chico Xavier

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blogagem coletiva: infância, consumo e sexismo

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Eu já estava querendo escrever sobre isso há muito tempo! A blogagem coletiva proposta pelas Blogueiras Feministas foi o empurrão que faltava para que eu fizesse isso definitivamente. Há mais de 1 ano atrás eu fiz uma enquete no meu blog pessoal:

Pergunta para mãe/pai de meninOs: Você deu ou daria brinquedos como bonecas, vassouras e panelinas para seus meninos?

Apenas 66 pessoas responderam e o resultado foi que 47% daria sem problemas. O restante não daria por diversos motivos, mas não daria.

Por que eu fiz esta pergunta? Porque meu filho me pediu uma boneca. Sua justificativa era que seus bonecos (homens) estavam precisando de companhia de meninas. Diante desse argumento -e eu sempre procuro ceder diante de bons argumentos-, foi impossível não dar à ele sua desejada boneca ( ele ganhou 2: uma Susi –Barbie NOT- e uma Jessie (Toy Story). Afinal, nada mais saudável do que cultivar relacionamentos entre homens e mulheres de maneira igualitária através das brincadeiras. Pelo menos é isso que prego e acredito.

Mas talvez isso também não seja algo tão surpreendente se avaliarmos que eu dou brinquedos femininos para meus dois meninos. Não me prendo a cor ou ao gênero do brinquedo. Sendo assim, na nossa casa, não é surpresa alguma encontrar meus filhos brincando com panelinhas cor de rosa.

Além dessa questão, outra coisa me faz ver tudo isso com muita naturalidade e acredito plenamente que também a meu filhos: o pai deles, é um homem que faz tudo dentro de casa e usa camisa rosa…rs…: cuida dos filhos, cozinha, varre… ele não faz a menor distinção sobre o que é considerado tarefa feminina ou masculina.

Se essas brincadeiras são uma forma das crianças entenderem a sociedade e sua realidade, acredito que estamos criando meninos para serem ótimos companheiros e pais. Espero que minhas noras valorizem e nos trate muito bem…rs….

Contudo, é triste ver que quando vamos a uma loja de brinquedos, os fogões, vassouras e eletrodomésticos de brinquedos são todos rosa ou lilases. Por que aceitamos na vida adulta que homens sejam CHEFS  de cozinha, mas na infância, as panelas e tarefas domésticas cabem sempre às meninas? Na década de 70, as bonecas vinham com nomes que valorizavam a mulher submissa (afinal “Amélia é que era mulher de verdade”) e e santificavam a imagem da mãe. Aos meninos cabem os carros (como se mulher não gostasse de dirigir), as armas e junto com elas, a violência masculina banalizada desde a infância. E talvez isso explique muita coisa no comportamento violento de muitos homens jovens e adultos…

Mas aos meninos cabem também toda a gama de cores (exceto o rosa). Enquanto  as meninas, ficam presas num mundo monocromático de princesas cor-de-rosa e tarefas  consideradas menores. Ou ainda num mundo de consumo excessivo que cabe à Barbie oferecer em profusão com um apelo de uma beleza plástica irreal. Levando nossa sociedade a uma busca insana pela beleza perfeita e inexistente que gera doenças como bulimia, anorexia e depressão.

Fico pensando no que será desse mundo de princesas quando elas crescerem e virem que os homens não são príncipes encantados e também aos homens que cresceram acreditam em princesas que não existem. Será também que esta visão equivocada da realidade entre homens e mulheres incentivada na infância não é um fator determinante para essa total falta de sintonia entre os sexos gerando essa enorme dificuldade que nossa sociedade apresenta em se relacionar afetivamente?

Neste dia das crianças, fiquei longe dos meus filhos, num evento voltado para a discussão do incentivo ao consumo na infância. Quando recebi o convite, não pude deixar de aceitar porque estaria longe dos meus filhos no dia das crianças. Essa data é uma data comercial que ficou famosa nos anos 60 quando divulgada por uma indústria de brinquedos. A fábrica acertou na estratégia e hoje o dia das crianças e uma data exclusivamente comercial e aceita por todos como um dia de ganhar  presentes. Eu fiquei longe dos meus filhos neste dia, ele receberam brinquedos simples e não comemoramos nada. E no que pudermos oferecer a eles, vamos mostrar que o mundo é um lugar de homens e mulheres que partilham todas as suas tarefas de forma igualitária, com respeito e companheirismo, sempre. E gostaria que o dia das crianças fosse um dia de brincar de qualquer coisa. Mas não um dia de mostrar que só é feliz quem ganha presentes mirabolantes (e sexistas). Parece piegas dizer mas mais importante do que ser feliz por causa de um brinquedo, é ser feliz sem ele. É aprender que a felicidade não depende de uma fator externo. A felicidade deve estar dentro de nós para que possamos enfrentar com serenidade as dificuldades e limitações que a vida nos apresentará. Isso sem remédios como a ritalina e rivotril.