Elogie do jeito certo.

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante[1]. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios à capacidade de cada criança.

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.

Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.

As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.

No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.

Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito  legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.

Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

 

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MARCOS MEIER é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante.
Seus textos encontram-se no site www.marcosmeier.com.br e seus livros no www.kapok.com.br.

[1] Notícia veiculada na revista Galileu de jan de 2011.

 

Carta aberta às mães e pais

Diante de uma semana tão complicada e difícil, um grupo de mães escreveu uma carta. Não temos a intenção ou pretensão de saber ou entender ou resolver a gravidade de tudo o que aconteceu. A dor nos levou a pensar em plantar uma semente de amor. Porque só o amor salva e precisamos ter uma fé inabalável nesta verdade absoluta.

O presente, um dia foi uma criança.

As crianças são o futuro.

Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,

temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é?

Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor!

Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br

Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com

Letícia Dawahri http://sorrisosdaalma.blogspot.com

Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com

Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com

Se você gostou do conteúdo e quer se juntar à nós, publique esta carta agora em seu blog e vamos todos juntos mostrar que queremos uma sociedade melhor e que estamos prontos para o desafio de criar pessoas melhores.

Não tem blog? Mande a carta por e-mail aos amigos, dissemine esta idéia.

Além disso, vamos imprimir e levar para a escola de nossos filhos para conseguir que ela seja distribuída nas agendas  aos outros pais. Vamos agir, vamos movimentar a sociedade. Vamos mostrar a importância que a presença dos pais tem na vida das crianças, futuros cidadãos.

Vieram nos chamar, nós estamos aqui, o que é que há!

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Quem já publicou:

  1. http://ombudsmae.blogspot.com/2011/04/o-que-podemos-fazer.html
  2. http://sorrisosdaalma.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais.html
  3. http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  4. http://www.possoamamentar.com.br/blog/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem-coletiva/
  5. http://www.sitecristao.com/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  6. http://www.conscienciacoletiva.com.br/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  7. http://futurodopresente.com.br/ana/2011/04/cartaabertamaespais/
  8. http://www.saudedamulher.net/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  9. http://www.trezentos.blog.br/?p=5776
  10. http://claudiasimas.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  11. http://www.grupocria.com.br/index.php/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  12. http://poetrixica.blogspot.com/2011/04/divulgando-uma-carta-para-pais-e-maes.html
  13. http://drang.com.br/blog/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  14. http://mamaeantenada.blogspot.com/2011/04/sejamos-mudanca.html
  15. http://dricacrfviagens.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  16. http://rematteoni.wordpress.com/2011/04/13/precisamos-de-seres-humanos-melhores-2/
  17. http://mimirabolantes.blogspot.com/2011/04/blogagem-coletiva-que-futuro-terao.html
  18. http://duasxmarias.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-maes-e-pais.html
  19. http://www.ladybugbrazil.com/2011/04/14/que-futuro-terao-nossos-filhos
  20. http://mariabarriga.com.br/blog/geral/maria-barriga-na-blogagem-coletiva.html
  21. http://meumundoenadamaisevellyn.wordpress.com/2011/04/14/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  22. http://www.pastorclaybom.com.br/pessoal/o-choro-de-um-amigo
  23. http://www.jujubalandia.org/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  24. http://mamaecaprichosa.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  25. http://sandraronca.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  26. http://temquemgoste.wordpress.com/2011/04/14/carta-aberta-as-maes-e-pais-que-futuro-terao-nossos-filhos-blogagem-coletiva/
  27. http://sustentavel-desenvolvimento.blogspot.com/2011/04/blogagem-coletiva-carta-aberta.html
  28. http://longevidade-silvia.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  29. http://maed2.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  30. http://www.ladybugbrazil.com/2011/04/14/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  31. http://blogdati.com/2011/04/14/carta-aberta-a-todas-as-maes-e-pais-sosfilhos-filhosdobrasil/
  32. http://bleffepoprock.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-que-futuro.html
  33. http://www.samshiraishi.com/semana-desarmamento-infantil/
  34. http://pt-br.paperblog.com/que-futuro-terao-nossos-filhos-111284/
  35. http://giandme.com/2011/04/15/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  36. http://filhosematernidade.com.br/comportamento/o-que-estamos-fazendo-com-a-infancia-de-nossas-criancas-cartaaberta/
  37. http://smiletic.com/2011/04/15/simbolos-da-paz/
  38. http://www.blogmamiferas.com.br/2011/04/nossa-prece-por-um-mundo-melhor.html
  39. http://lilibollero.com/?p=580
  40. http://umblogdemae.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  41. http://brazucasnomundo.com.br/franca/2011/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  42. http://www.facebook.com/notes/eu-tenho-um-filho-especial/carta-aberta-%C3%A0s-m%C3%A3es-e-pais-que-futuro-ter%C3%A3o-nossos-filhos-blogagem-coletiva/10150168518895017
  43. http://umapitadadecadacoisa.blogspot.com/2011/04/familia-berco-da-educacao-cartaaberta.html
  44. http://luzdeluma.blogspot.com/2011/04/minha-infancia-fragmentos.html
  45. http://www.whatmommyneeds.net/2011/04/mudancas-vista.html
  46. http://jardimflorescer.wordpress.com/2011/04/18/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  47. http://www.maeetudoigual.com.br/2011/04/cartaaberta-que-futuro-terao-nossos.html
  48. http://kikaaqui.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-que-futuro.html
  49. http://www.zevaldoemaragogipe.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  50. http://www.cr15.net/post/4597017143/cartaaberta
  51. http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/04/recebi-uma-carta-e-voce.html
  52. http://nossaalegria.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  53. http://vilamulher.terra.com.br/emilia73/que-futuro-terao-nossos-filhos-9-4742321-146049-pfi.php
  54. http://www.gbclassico.net/15746_-cartaaberta-Que-futuro-ter–o-nossos-filhos-.html
  55. http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=3&id_artigo=2481&id_subcategoria=4

 

*Lista de posts com atualização esporádica, pedimos que aguarde.

(se você poublicou a carta e seu post não está aqui, nos escreva falecom@futurodopresente.com.br e envie seu link específico -no caso de postagem-  pois pode ser que não o tenhamos encontrado e ele passará a constar aqui).

Pode ser que não haja resposta ao seu e-mail em virtude do volume de mensagens (somos mães de múltiplas jornadas!) , apenas atualizamos a lista de links. Pedimos que acompanhe. Conto com a compreensão de todos. Obrigada.

Política que se aprende em casa e na escola

Se queremos pensar no futuro que vamos deixar para nossos filhos, temos que pensar em política e devemos exercer o voto consciente e responsável. Devemos estudar nossos candidatos, conhecer seus currículos, ver se têm a ficha limpa, analisar a postura na campanha (ele é ético, suja as ruas com suas propagandas, tem projetos com metas e prazos a serem cumpridos, qual seu histórico político?). Mas podemos (e devemos) ir além.

Me pergunto se diante do – triste e vergonhoso -  atual cenário político brasileiro, não é hora de começarmos também a educar nossos filhos politicamente? Será que nossa dificuldade em votar vem justamente na falta de base educacional política? Não seria hora de ensinar política às crianças já na escola? Qual a importância dos cargos políticos? Como devemos atuar, cobrar e acompanhar o desempenho do eleito durante o mandato? Não deveríamos/poderíamos aprender isso no colégio?

Sei que a grade escolar já está sobrecarregada. O mundo está tão diversificado que cada dia mais precisamos de uma base mais ampla de ensino (vide na grade escolar de muitas escolas a inclusão de filosofia, educação financeira, educação sexual, etc.). Acredito que, com o passar do tempo, haverá uma necessidade incontestável de aumentar o turno escolar diante de tantas matérias a se cumprir. Mas, no caso da política, o que fazer? Podemos continuar votando tão mal? Podemos continuar nos dando ao luxo, ou dando luxo aos maus políticos de continuarem fazendo a bandalheira que fazem sem o menor pudor? E nós, os pais, o que podemos fazer para falar de política dentro da nossa casa?

Sei que meu texto tem mais perguntas do que respostas. Eu mesma tenho mais perguntas do que respostas na minha, sempre surpreendente, missão de educar os filhos que coloquei nesse Brasil. Mas é das perguntas que surgem as mudanças e quem sabe, não aparecem um profissional que entenda de política e um pedagogo para nos ajudar com um ‘Pequeno manual de política para crianças, em casa e na escola’. Pronto, já sugeri até o título. ;-)

Mas, são apenas crianças e jovens que precisam ser ensinados sobre política? E os políticos? Qual a qualificação que eles precisam ter para exercerem funções de tamanha responsabilidade? Os políticos deveriam ser mais bem preparados?

Se você é médico, teve que estudar para exercer sua profissão. O mesmo se é jornalista, engenheiro, químico. Mas e o político? Ele apenas foi eleito com um determinado número de votos e pronto. Não significa que ele esteja apto a exercer um cargo político. Será que também não é hora de ter a obrigatoriedade de se fazer um curso para exercer o mandato?

Não, não acho e nem falo de um curso de política que crie políticos profissionais. Até porque, muitos políticos conseguem seus votos não pela capacidade intelectual, mas pelo trabalho que desenvolvem em uma comunidade ou com a participação atuante em entidades que representam alguma classe social ou profissional. O que falo é de um curso, como para tirar a carteira de motorista, como uma prova de Conselho Profissional (como CRM, CREA, etc.). Foi eleito, então agora ele tem que fazer o curso e prestar exame para exercer o cargo. ESTUDAR. Aí, muitos defenderão que alguns representantes do povo não têm base educacional, e são sim, figuras de representatividade onde foram eleitas. Ok. Então agora, amigo, se essa figura representativa quer ir além da sua comunidade e fazer algo de relevante  vai precisar sim se esforçar e passar no exame admissional . Entender do riscado, como se diz.

Pode parecer uma ideia estapafúrdia, mas esses eleitos pelo povo vão fazer e votar leis de interesse público. Essas leis precisam ser viáveis e coerentes, caso contrário, além de não serem aplicáveis, ficam tomando um tempo precioso de avaliações e votações que poderia estar sendo ocupado com providências que realmente fossem mudar nosso país para melhor.

Quem faz as leis? Tem conhecimento para isso? São leis aplicáveis? Adianta o judiciário ser sobrecarregado de leis que não funcionam? Adianta termos direitos que não nos atendem? Adianta existirem ações que não tornam o Brasil um país melhor?

Quem sabe assim, não deixa de ser tão fácil ser político. Quem sabe assim, quem entra lá pensando em tirar vantagem da máquina administrativa possa entender o significado dos votos que recebeu e respeitar melhor o cargo que irá ocupar.

O que penso é que precisamos mudar tudo na política que temos hoje em nosso país e talvez, as soluções importantes, mais uma vez, recaiam sobre a EDUCAÇÃO: seja dentro de casa, seja na escola, seja para assumir um cargo político.

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Texto publicado também: Ciclo Comunicar Política

[imagem: http://www.umsabadoqualquer.com/]

Ciclo Comunicar: Liderança rima com criança

Mais uma participação nossa no Portal Nós da Comunicação no Ciclo Comunicar Liderança.

Nosso tema não poderia ser outro: a criança. Os líderes do futuro formados hoje.

Artigo de @anaclaudiabessa p/ #ciclolideranca: Brincar para liderar http://ht.ly/3j1HZ

Fórum Criança e Consumo – Dia 2 – parte 3

Consumo Infantil, capitalismo e o papel da família

Somos contemporâneos da crise. A modernidade não está respondendo os grandes problemas da humanidade. O capitalismo fracassou para 2/3 da população do planeta. A maior parte das coisas na vida é difícil mas o capitalismo nos faz preferir as coisas fáceis. “Direitos Humanos” é luxo num mundo onde não temos direitos básicos como alimentação, por exemplo. O setor administrativo é seletivo, enquanto o repressivo é absoluto.O Estado só responde pela camadas privilegiadas da sociedade.

O Mercado, que é uma entidade abstrata, é tratado como um Deus a ponto de vermos atletas fazendo propaganda de cerveja na televisão. Tem coisa que não comungue mais do que bebida alcoólica e esporte?

A publicidade cria o desejo pelo não-necessário. A publicidade infantil é um tipo de pedofilia vertical. A erotização infantil precoce, nada mais é que a adultização num ser biologicamente infantil. E os produtos que ostentamos nos agregam valor. Não é interessante perceber que as roupas de grife passaram a colocar as etiquetas do lado de fora?
90% do aprendizado acontece entre 0 – 6 anos de idade que é considerada a fase em que temos maior capacidade de aprendizado, justamente a fase onde aprendemos a ser seres humanos independentes. Nem tudo pode ser permitido, as crianças têm necessidade de controle e censura.

Como criar uma sociedade que não viole o direito da criança a uma infância sadia?
ATV causa uma certa hipnose visto que prende nossa atenção por horas a fio sem que consigamos dar atenção a outra atividade. No Brasil, a criança fica, em média, 5 horas na frente da TV, mais tempo do que permanece na escola. A criança não tem discernimento para entender as mensagens publicitárias enviadas em sua direção: para elas, uma bicicleta e um copo d’água tem o mesmo valor. Uma forma de tirar as crianças dessa hipnose da televisão é incentivá-los a criar seus próprios brinquedos. Isso demanda tempo, atenção, concentração e exercita a criatividade. Tudo começa na imaginação, precisamos estimulá-la.

O que é preciso para uma pessoa ser feliz?
Como ensinar as crianças a serem felizes sem se comparar com os colegas? É preciso ensinar às crianças que a felicidade é uma realidade interior. Valores infinitos e valores de subjetividade. Generosidade, solidariedade e a prática de serviços desinteressados.]

Como os pais podem desestimular o consumo nos filhos sem que estes se sintam excluídos do seu círculo social já que maioria esmagadora dos outros pais (e sociedade em geral incluindo família e escolas) estão absolutamente passivos ou envolvidos diante do apelo consumista? Fiz esta pergunta à mesa e a resposta foi surpreendente pela simplicidade e pela constatação da dificuldade que os pais encontram em educar.

Como educar a criança diante da pressão consumista? Dando o exemplo. O que os pais querem quando levam o filho para passear num shopping a não ser dar a eles um referencial de consumo? Shopping é um templo de consumo, uma droga virtual baseado num mundo perfeito construído para encantar. Uma super proteção (shoppings, condomínios) que acaba por nos tornar inseguros e torna esses bens como mínimos referenciais.

“Estou apenas observando quanta coisa existe que eu não preciso para ser feliz” (Sócrates)

Em contra partida, os pais não encontram aliados quando querem fazer diferente e remar contra a maré de consumo imposta pela sociedade e sofrem pressão por todos os lados: escola, mídia, Estado. Os cidadãos precisam se ajudar, os cidadãos precisam ajudar os pais.

A Escola não está preparada. Cantinas reforçam a aversão das crianças aos alimentos saudáveis. Falta de orientações claras permitem competição entre materiais, brinquedos, roupas. A escola que deveria ser de igualdade (todos iguais juntos para aprender, usando uniforme e materiais iguais) se torna um local de competitividade por melhores brinquedos , presentes, roupas, marcas – mais um local onde eles aprendem a exibir o materialismo como valor essencial.

FREI BETTO [Palestrante] Frade dominicano e escritor, assessor de movimentos sociais. Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Com 51 livros publicados, escreve para vários jornais e revistas e profere palestras no Brasil e no exterior.
Benjamin Barber [Palestrante] : Teórico político de renome internacional. Foi Professor de Ciências Políticas (Walt Whitman) da Universidade de Rutgers por 32 anos, e em seguida, Professor de Sociedade Civil (Gershon e Carol Kekst) na Universidade de Maryland e durante cinco anos trabalhou como consultor informal do Presidente Bill Clinton. Os 17 livros de Benjamin Barber incluem o clássico Strong Democracy (1984), McWorld (1995 com uma edição pós 9/11 em 2001, traduzido para vinte e sete línguas) e Consumido: Como o Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos , publicado em 2007 por W.W. Norton nos Estados Unidos e em sete edições estrangeiras.

Volta às aulas sem consumismo

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Ainda dá tempo!

Não comprou ainda a bolsa escolar dos filhos?

Pensou numa alternativa diferente das caras mochilas infantis que tanto estimulam o consumismo infantil?

Feita de material reciclado, incentiva o consumo consciente pois se apresenta com uma alternativa às caras mochilas de marca e personagens de desenho animado. Inclusive porque, como estudos já comprovaram, as mochilas de rodinhas prejudicam a coluna e a postura da criança. Principalmente para as crianças em idade pré-escolar que levam pouco material para a escola diariamente. Conheça nossas bolsas!

Vamos dar às nossas crianças alternativas diferenciadas, saudáveis e simples e que estimule-os desde pequenos a não se render aos apelos de marketing da mídia que nos levam ao consumo desenfreado de bens de consumo.

Faça diferente.

Bolsa Escolar Infantil

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Crianças ainda tratadas como gado

pedofilia-denuncie

Conselho do MEC recomenda entrada no 1° ano de crianças com seis anos

“Em resolução publicada nesta sexta-feira no “Diário Oficial da União”, o CNE (Conselho Nacional de Educação) determinou que 31 de março é a data limite para que as crianças que vão entrar no 1º ano do ensino fundamental completem seis anos. (…) ”

Me impressiona como é tacanha um sistema de ensino que não permite à criança capacitada avançar.

As crianças devem ser avaliadas por sua capacidade e não pela sua idade.

O que justifica uma criança apta a ser alfabetizada a se manter na pré-escola?

E o pior: num mundo como o nosso, podemos nos dar ao luxo de atrasar e desestimular crianças?

Nos coloquemos no lugar dessa criança capaz, mantida em algo inferior à sua capacidade.

O que ensinamos às crianças desde cedo a não ser a desmotivação logo cedo a impedindo de avançar?

Está na hora do sistema de ensino rever seus conceitos e avançar junto com o mundo,empreender não é tolir capacidades.

É hora do sistema de ensino parar de tratar as crianças como gado e começar a desenvolver potencialidades individuais. Porque somos seres individuais com necessidades, capacidades e potencialidades diferentes.

Não é justo com a criança e nem educativo mantê-la num projeto de ensino inferior à sua capacidade somente por causa da idade. Isso é castração do seu desenvolvimento dinâmico e espontâneo, isso é desmotivador, isso atrasa suas conquistas, desmotiva seu desenvolvimento futuro.

Cabe ao professor e não à faixa etária, a autoridade para definir se a criança está pronta para dar uma passo adiante em seu desenvolvimento escolar.

Se o professor não estiver apto, aí é outra história. Tão grave quanto atrasar o aluno.




Autismo: 10 perguntas para Simone Zelner, Mãe.

simonegabi10 perguntas são pouco para conseguir resumir a luta de Simone Zelner, 35 anos, Nutricionista formada com especialização em Saúde Coletiva que sempre sonhou ser mãe e desde menina sabia que teria pelo menos um menino e que ele se chamaria Gabriel (Do hebraico “força de Deus), nunca se viu mãe de menina…engravidou, fez todos os planos, seu filho nasceu lindo e saudável, mas com cerca de um ano e meio ele não parecia se desenvolver normalmente. Não se considera uma guerreira, acredita que faz apenas que faz o que qualquer mãe que tem um filho com necessidades especiais faria :) Se considera sim privilegiada, por poder proporcionar atendimento especializado ao seu filho e aprender com ele todos os dias.

1- Quando você começou a perceber que seu filho talvez pudesse ser especial?
Gabriel nasceu e nos primeiros meses de vida parecia se desenvolver normalmente, começou a adquirir a linguagem na época certa, mas pronunciava as palavras e até frases de uma maneira “estranha” sempre meio cantada e arrastada. Tinha um vocabulário limitado com um repertório de umas 5 palavras, que sempre eram substituídas a medida que ia adquirindo outras. Com cerca de 18 meses todas as palavras sumiram, passou a se isolar, não dar atenção todas as vezes que era chamado, surgiram manias como enfileirar brinquedos e girar incansavelmente ao redor de si mesmo, perdeu o interesse em se relacionar com outras crianças – procurava mais os adultos, enfim começamos a achar que tinha problemas de audição. Procuramos um neurologista, que descartou autismo, porém meu instinto de mãe dizia que isso não podia ser normal, os poucos períodos de psicologia na faculdade me deram algum embasamento para que eu achasse que era autismo, e por isso insisti com vários (inúmeros) médicos.


2- Você disse que seu menino desenvolveu bem quando bebê. Ouve uma regressão?

Algumas teorias sobre as causas do autismo apontam para isso, mas particularmente não acho que seja 100% certo. Para pais de “primeira viagem” tudo o que seu bebê faz é lindo, conosco não foi diferente, porém hoje, olhando para trás percebemos que Gábi já demonstrava algumas características desde que nasceu. Na maternidade, o sistema era de alojamento semiconjunto, em alguns momentos o bebê era levado para o berçário para ser trocado. Meu filho era sempre o último a voltar entre todos os bebês, pois era o menos chorão. As enfermeiras aprontavam e traziam os que eram mais agitados e os que choravam mais primeiro e deixavam os mais tranqüilos por último. Outro detalhe, desde bem novinho tinha um “apego por objetos não convencionais”- eu achava lindo que com 6 meses ele andasse agarrado com uma nécessaire alaranjada. Quando sentadinho batia incansavelmente seu pezinho gordinho (tipo pão bisnaguinha) contra o bebê conforto. Nunca segurou um biscoito e se segurava, a última coisa que fazia era levá-lo até a boca. Eram sinais que na época passaram desapercebidos, as alegrias eram maiores e não chamariam a atenção de nenhum pai ou mãe coruja, mas foram mostras bem sutis que ele nos deu desde bem cedo. Com o passar do tempo, as diferenças começaram a ficar mais marcantes e notórias, como acontece agora, aos 7 anos: fica muito mais claro que ele tem dificuldades, afinal ver um meninão de quase 1,35cm pulando, gritandinho e abanando suas mãozinhas sai um pouco dos padrões aos quais estamos acostumados.

3- O diagnóstico de autismo infantil foi rápido?

O diagnóstico de fato, com laudo, veio quando Gabriel já estava com mais de 4 anos de idade, vários neurologistas, milhões de exames e rios de lágrimas depois. Não existe exame que diga se seu filho tem autismo, todos (laboratoriais, de imagem, de visão, audição, testes genéticos…) servem apenas para descartar possíveis causas físicas que possam explicar ou justificar os comportamentos e o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Durante muito tempo ouvia que meu filho tinha “pautas autistas”… algumas características de autismo, mas não tinha autismo propriamente dito. Cheguei a ouvir que “seu filho não pode ter autismo! Veja só: ele está olhando nos seus olhos e lhe abraçando” Esse é o pior período, uma época de “luto” onde tive a impressão que meu filho estava ali, mas que a sua essência, sua alegria, o seu EU estava indo embora.

4- Quais são as dificuldades que uma criança com autismo apresenta?
Pessoas com autismo (gosto de dizer assim e não autistas, afinal elas não são a síndrome que têm) apresentam dificuldades de socialização, imaginação e comunicação o que leva a graves problemas de comportamento. Por isso é comum acharem que seu filho é mal educado por dar “pitis” em locais públicos, mas imaginem uma criança que não fala, que não sabe mostrar o que quer ou o que a está fazendo mal a ela? Sua única saída é o choro…são como os bebês que choram para dizer que estão com fome, dor, sede…medo! Outra grande dificuldade são as alterações sensoriais que apresentam: sons altos, locais muito movimentados, o toque de outras pessoas, uso de sapatos, certas texturas de roupas, cortar as unhas e cabelos, pode ser muitas vezes doloroso para eles.

5- Crianças/pessoas com autismo gênios dos cálculos e da matemática?
Existem muitos mitos sobre o autismo, um deles é de que todos são gênios, fazem cálculos complicadíssimos rapidamente ou que decoram listas telefônicas e fazem contagem de cartas e palitos de dente com exatidão. O filme “Rain Man” mostrou esse lado, que realmente pode existir, porém nem todas as pessoas com autismo são assim, muitas delas apresentam um déficit cognitivo associado, a ausência da fala em muitos casos é um sinal de que existe algum déficit.
6- Existem locais específicos para tratamento especializado de crianças com autismo?
Sim, no geral pessoas com autismo precisam de uma maneira específica para desenvolver suas habilidades e conseguirem o máximo do seu potencial de aprendizado. As terapias comportamentais são as que apresentaram maior resultado no caso do meu filho, ele é atendido dentro da metodologia TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children), que consiste no ensino estruturado. Pessoas com autismo são muito visuais, portanto entendem e aprendem com maior facilidade quando recebem orientação visual, se sentem mais seguras e sabem o que é esperado delas, essas referências visuais lhes dão previsibilidade. Mas existem outras técnicas e linhas de tratamento.
7- Se o seu filho não fala, como ele se comunica com você? Como saber o que ele precisa?
Comunicação não é só fala, são sinais, gestos, expressões corporais. Existe uma forma de comunicação alternativa que foi criada para as pessoas com autismo: é o PECS (Picture Exchenge Comuncation System) que é o uso de cartões de referência para a solicitação daquilo o que ele deseja ou precisa. É um método simples, barato e eu diria universal, pois através dessa troca, meu filho pode pedir qualquer coisa para qualquer pessoa e ela com certeza entenderá, pois as referências apresentam desenhos e a palavra escrita, assim como pode pedir através de rótulos, revistas, gravuras. Falei anteriormente que a falta da comunicação gera sérios problemas de comportamento (birras e pitis) desde que Gabriel começou a utilizar o PECS, está muito mais tranquilo e menos ansioso, pois sabe que não precisa se jogar no chão ou gritar para conseguir aquilo que precisa. O Método lhe deu mais autonomia já que não precisa de uma pessoa que saiba “fazer a leitura” do seu comportamento para entender suas necessidades.

8- Existe muito preconceito com as pessoas com autismo?
Sem dúvida, o autismo ainda é uma síndrome pouco conhecida e não existe nenhum estigma físico que denuncie que uma criança tem o problema. Tudo o que não é conhecido gera preconceito. Não são raras as vezes que passam por crianças mimadas e nós passamos por pais relapsos e permissivos demais. Não é fácil controlar uma criança que não entende bem algum pedido ou comando verbal, que não tem medo do perigo ou noção de certo ou errado, no geral eles são muito agitados e hiperativos e seus maneirismos característicos acabam gerando receio, muitas pessoas têm medo de que eles se tornem agressivos e acabam tirando outras crianças e perto com medo de que possam se machucar. Há muita dificuldade em circular por locais públicos, os “olhares” de reprovação estão por todos os lados! Transporte público, shoppings, restaurantes, parques… Por isso é que precisamos de maior visibilidade, espaços como esse que a Ana está cedendo e em outras mídias, que tragam a informação à sociedade e reproduzam esse conhecimento.

9- Seu filho frequenta escola especial? E a Inclusão Escolar?
Sim, meu filho freqüenta diariamente uma clinica especializada em atendimento para pessoas com autismo (carinhosamente chamamos de escola também), onde recebe todos os atendimentos integrados (fisioterapia, fonoaudiologia, pedagogia, musicoterapia, terapia ocupacional, etc) Esses atendimentos centralizados num único local facilitam muito, pois além de não termos que ficar procurando terapeutas que trabalhem com a mesma metodologia, sabemos que o atendimento será de acordo com as necessidades específicas dele, com maior ênfase nos pontos de maior necessidade. Até o mês passado estava frequentando em contra-turno uma classe regular, com a presença de uma acompanhante, não é uma tarefa simples, embora a escola não precise se nenhum diferencial em termos de estrutura física, é preciso que o currículo seja adaptado, que as atividades sejam estruturadas e pensadas de acordo com as necessidades que ele apresenta. As escolas o geral não estão preparadas para receber crianças com autismo e com as particularidades que lhes são características. Não se espera que nenhuma escola saiba trabalhar de pronto com uma criança com autismo, mas a vontade de aprender com ele é fundamental. É preciso muito empenho para que a acompanhante e o professor desempenhem cada um o seu papel, a acompanhante é uma facilitadora da relação professor-aluno. Nesse último trimestre ele não está mais frequentando a classe regular, pagar a clinica, as terapias adicionais, uma escola particular e uma acompanhante terapêutica, transporte…não é tarefa fácil!!! A inclusão Escolar acontece sim, mas não é nada fácil. Mas já estou empenhada para o próximo ano letivo!
10- O tratamento do seu filho é pago de alguma forma pelo Estado? Existem políticas públicas para atender pessoas com autismo e suas famílias?
Não, todo o tratamento especializado que meu filho recebe é integralmente particular. Mesmo vivendo numa capital, o atendimento para pessoas com autismo é bem restrito. São poucas escolas especiais para uma procura muito grande. Dentro da metodologia TEACCH, só existe a clinica que meu filho frequenta. Não existe políticas específicas que amparem as famílias e suas crianças, em alguns estados, como no Ceará, Rio de Janeiro e Paraíba, isso já é realidade pelo menos no papel, não sei como anda a execução desses direitos. Ainda há um longo caminho a ser percorrido nesse sentido e só a união das famílias que fará a diferença!
11- O que espera e quais as expectativas e como acha que será o futuro do seu filho?
O autismo é uma Síndrome onde o que mais existe, são as incertezas. Não há nenhuma criança com autismo que tenha um futuro certo, ou que se desenvolva da mesma maneira que outra. Sabemos que desde que estimuladas de forma correta, e com intervenção precoce, podem sim ter um bom futuro. Não por quanto tempo, ou até quando frequentar uma escola regular será válido, o fato é que na fase da sua vida está sendo bom, talvez não consiga se alfabetizar ou ser um grande “doutor”…mas quem pode me dar certeza?! Por essa razão, acredito que pensar no futuro só trás insegurança, incertezas e medos que talvez não se concretizem. Ou seja, é sofrer por antecipação. Hoje não penso muito além não, não me permito imaginar meu filho adulto, tenho procurado viver cada dia. Seu desenvolvimento é bem irregular, existem fases ótimas e produtivas, e outras em que parece que tudo está desandando, sei que ele está crescendo e amadurecendo também, por isso cada alegria e cada vitória supera os maus momentos, aqueles de irritação, gritos, agitação, manias, estereotipas (comportamentos de auto-estimulação com movimentos repetitivos do corpo ou de objetos)…meu filho é muito amoroso, abraça, beija, gosta de estar com outras crianças, me mostra todo dia que é feliz!!!!! Para ele não são necessárias roupas da moda ou de marca, brinquedos caros ou aqueles que viu na TV… apenas importa se amado :) Preciso mais do que isso?! O passado ficou para trás, o presente está aqui para ser vivido da melhor maneira e o futuro a Deus pertence!

Leia +:

audiência pública estadual buscando benefícios para as pessoas com Autismo na Assembléia Legislativa do RJ (ALERJ) 17/11 das 10:00-12:00

Quem quiser conversar ou acompanhar a Simone e o Gábi, basta vistar o Blog do Gábi:

http://www.novoblogdogabi.blogspot.com

Autistas ganham centro de tratamento na rede pública do Rio

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1333036-5606,00-AUTISTAS+GANHAM+CENTRO+DE+TRATAMENTO+NA+REDE+PUBLICA+DO+RIO.html

TEACCH, seus princípios e objetivos.

http://www.cedapbrasil.com.br/portal/modules/mastop_publish/?tac=TEACCH_-_Princ%EDpios_e_objetivos

fotos dos paineis utilizados:

http://novoblogdogabi.blogspot.com/2009/11/calendario-e-paineis.html

O vídeo que tem uma eplicação em bacana de como é a comunicação alternativa:

http://novoblogdogabi.blogspot.com/search/label/4%C2%AA%20fase%20PECS

vídeo sobre diagnóstico precoce de autismo em bebês http://www.megaupload.com/?d=YAOL81II

Aproximando pais e escola

imagesA escola das crianças, sentindo a necessidade de aproximar mais os pais da escola, criou o projeto “Seja seu filho por uma noite”.

Sendo assim, cada dia desta semana, uma turma recebe os pais para terem aulas exatamente como é feito com os filhos. Hoje vai meu marido e amanhã serei eu. Bacana, não?

Estou ansiosa para ver como vai ser!

E adorei a idéia.

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[imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6f/Nens_escola.png/600px-Nens_escola.png]

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