Monthly Archives: julho 2012

Dia 20 de Julho é dia do amigo!

TEDxRio+20 e a insustentabilidade do dia-a-dia

Depois que me inscrevi para participar do TEDxRio+20, pensei: como vou me locomover até lá? De carro, eu sozinha? Nada a ver. Como eu, que tenho a preocupação de ter atitudes mais conscientes e sustentáveis poderia ir a um evento da Conferência Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, de carro, sozinha? Nada mais insustentável. Decidi: “Irei de busão amanhã para para o TEDx Rio+20. Não tem cabimento eu ir num carro sozinha para uma um evento ligado à sustentabilidade.” Decidi ir de transporte coletivo mas me arrependi. O trânsito estava caótico para chegar até o aeroporto do Santos Dumond. Não sei se encaro coletivo novamente amanhã. E pedir informação? Ninguém sabe nada. Mesmo quem trabalha na linha do ônibus. As empresas de ônibus deveriam ser obrigadas a treinar seus funcionários sobre o entorno dos trajetos das linhas onde trabalham. Nesta hora a gente vê como é complicado falar para o cidadão ser mais sustentável se os governos não dão estrutura suficiente para que nós possamos dar a nossa cota.

Chegando lá, 3 horas depois de ter saído de casa, 1 hora atrasada para o começo do evento, encontro o auditório lotado e não consegui entrar. Vejo o Eduardo Paes, prefeito da cidade, dando entrevistas sobre o evento. Prefeito por star e cidade caótica.

Depois do primeiro intervalo, consigo entrar no auditorio e fico surpresa. Lindíssima a decoração do auditório. Cheia de fotos de pessoas em atividades diversas. Uma auditório realmente globalizado de imagens. Helio Matta presidente do Akatu fala sobre consumo consciente e das sociedades onde o paraíso está relacionado com o que você pode comprar. Fala da ansiedade de comprar e do desespero de pagar. Vivemos para consumir quando deveríamos consumir para viver. O conceito de egoismo e mesquinhez leva à competição desvairada. E penso: muita gente precisa ouvir isso e refletir. Muita gente nem percebe o quanto o consumo desenfreado interfere negativamente na nossa vida. Perdida em minhas reflexões, já não sei se ele disse isso ou se eu conclui: Estamos na sociedade da insatisfação permanente, péssimo para a sociedade e ótimo para a indústria farmacêutica. Afinal, vivemos numa sociedade que resolve todas as nossas frustrações e ansiedades através do Shopping e dos remédios que vendem a ilusão (mais uma) de que nos acabar em compras e nos afogar em Rivotril preenchem o vazio do excesso.

Meninas versus Meninos e vice versa

Desde que me entendo por gente, escuto sobre as dificuldades de relacionamento entre homens e mulheres. Hoje como mãe, observo o quanto alimentamos isso na cabeça das crianças. Meninas e meninos recebem criações diferentes demais. Claro que existem diferenças entre meninos e meninas, físicas e hormonais, inclusive. Mas precisamos acentuar isso o tempo todo? Precisamos criar um abismo entre meninos e meninas que posteriormente será um abismo entre homens e mulheres na vida adulta?

 

Outro dia, fui comprar um livro para dar de presente a um amiguinho da escola dos meus filhos e fiquei assustada quando percebi, que na faixa etária deles (a partir dos 8 anos) os livros começam a ser sexistas! Tem livros para meninos e livros para meninas! Fiquei boba de ver como as meninas são induzidas a um comportamento robotizado e escravizante. Monocromático e com glitter, o velho gel com purpurina. As meninas são, quase sempre, magrelas e de cabelos lisos ou com leves cachos devidamente disciplinados. E como não poderia deixar de ser, o lado cruel: a filha de uma amiga, por exemplo, sofre agressões contínuas das amiguinhas por conta de seu cabelo crespo. Fora isso, que já é algo reprovável e preocupante, temos livros ditando uma regra de comportamento feminino desde a infância. E a minha dúvida: incentiva também a segregar os meninos e estimula a competitividade entre as meninas?

 

E os livros dos meninos? Mais interessante que o mundo rosa das meninas pois estimula a aventura. Contudo, nem todos são assim já que muitos títulos e capas de livros aparentemente direcionados aos meninos, também estimulam a agressividade disfarçada de rebeldia. E a pergunta: ao mesmo tempo, igualmente segrega as meninas? Os meninos, aventureiros e as meninas, fashionistas descoladas. Engraçado que isso eu já percebia nos meus bebês: as vida dos meninos é mais interessante: para começar, tem todas as cores, exceto o rosa (tinha que ter um sexismo…). A das meninas, pelo contrário, quase não tem nenhuma cor, exceto o rosa, em profusão de tons, do pastel aos lilás.

 

O que me chama atenção é que, literatura não tem sexo. Na vida adulta, temos até alguns livros direcionados a determinados sexos mas são minoria, visto que a maioria das histórias são interessantes sem distinção de gênero. Mas na infância isso não é influenciador demais? Adultos já conseguem discernir e escolher como querem se comportar mas e as crianças? Essa geração vai crescer aprendendo a gostar de ler ou vai aprender a gostar de ler apenas livros direcionados especificamente para o sexo feminino ou masculino? E o que esses livros propagam, é uma visão construtiva dos mundos feminino e masculino?

 

Pensei também nas princesas. Quantas princesas, quantos filmes de princesas, quantos produtos de princesas. E os meninos? Nenhum príncipe. Não há incentivo para os principes, não há brinquedos… o que é bom! Mas não é muita princesa? Não é princesismo demais? O que é uma princesa senão aquela beleza perfeita a espera do príncipe encantado e perfeito? Coisa que sabemos, que não existe. Isso não vai gerar um conflito no futuro? Só saberemos mais tarde, se é que vamos conseguir associar os efeitos às causas.

 

Sei da dificuldade que existe na relação homem/mulher desde sempre. Mas atualmente vivemos uma era que a solidão impera. Somos seres humanos cada dia mais individualistas e solitários. Nossa sociedade apresenta uma enorme dificuldade de entendimento entre homens e mulheres. Além da competição, vemos muita carência de afeto. Como eu disse, isso não é de hoje, mas todos estes fatos não contribuem para aumentar ainda mais este abismo entre homens e mulheres? Quantas mulheres e homens legais a gente conhece que estão sozinhos, e sempre reclamam da dificuldade de encontrar alguém legal para viver a vida? O que falta para estas pessoas se encontrarem? Será que é uma dificuldade que carregamos desde a infância? E hoje e dia, isso é mais acentuado ainda?

[imagem: getty images /royalty free]

Mundo melhor = crianças melhores

Carta Aberta ao CONAR

Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.

A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.

Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.

Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.

O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.

Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.

Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.

(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse:
http://www.infancialivredeconsumismo.com/. br)