
Como mãe, eu posso ver diariamente o desastre que é a publicidade voltada para crianças. Não somente com meus filhos. O consumismo é generalizado nas ruas, nas escolas, nas famílias. Acontece que ao contrário do que os publicitários alegam, que basta os pais controlarem o que os filhos assistem e consomem, eu posso afirmar que não é simples assim. E olha que eu não sou uma mãe ausente que deixa os filhos na frente da TV (seja por comodidade ou por necessidade, não cabe julgar isso agora). Eu trabalho em casa e fico com eles em todos os momentos. Ao contrário da maioria das crianças, só foram para a escola aos 3 anos de idade (hoje em dia é muito comum a ida para creche aos 6 meses). Aqui em casa tem hora para ver TV, o canal é selecionado, os desenhos razoavelmente controlados, eu raramente assisto novela , assim como raramente frequento shopping centers e lanchonetes de fast food. Além disso, não sou uma viciada tecnológica: não tenho o celular mais moderno, só troco quando realmente necessito e não possuo ou me esforço para ter os últimos
lançamentos de gadgets e eletrônicos. Ou seja, não pautamos nossa vida exclusivamente no consumo. Meus filhos, tiveram seu primeiro video game, após os 6 anos de idade, o que também é raro, muito raro, e eles não ganham tudo o que pedem, mesmo quando podemos dar. Porque não é questão de poder financeiramente que pesa na nossa decisão, o que pesa é o que vai significar o excesso de qualquer coisa na vida deles.
Mesmo diante de tudo isso, eles chegam na escola e encontram amigos que tem 200 jogos de video game, enquanto meus filhos só tem 3. Chegam em casa, e quando ligam a TV para ver desenho, são bombardeados com mais de 10 comerciais por intervalo. E mesmo já tendo aprendido como são seus pais e que a maioria das propagandas MENTE (sim, metem muito), ainda assim, eles têm seu desejo de consumo despertado pelas propagandas feitas técnicamente para encantá-los.
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Pegando o gancho dos 10 comerciais num mesmo intervalo, vamos imaginar a seguinte cena: 10 propagandas lindas, milimetricamente preparadas para te convencer a querer e a apreciar aquilo que você não quer ou precisa, dizendo, sim, sim, sim, você pode, você merece, quem é legal tem que ter…. aí chega a mãe e diz apenas não…10 e puros nãos. Um não seco, duro, frio e sem nenhum passarinho colorido ou aparato técnico neurolinguístico que ajude aquela mãe a competir com SIM`s tão tentadores.
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Não é uma competição igual.
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E há muito mais o que dizer a respeito disso. ConsumISMO é um grande mal. Eu não quero que meus filhos cresçam pautando sua felicidade na quantidade do que possuem ou consomem. Porque consumir é tão efêmero quanto o uso de drogas, é um prazer momentâneo, acompanhado de um grande vazio. Consumismo, é consumir mais do que necessitamos e até o que não queremos.
Além de fazer mal à nossa vida e torná-la uma sucessão de frustrações, gera um lixo absurdo que não temos mais onde colocar e retira infinitos recursos da natureza.
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Não, não é esse futuro que quero para meus filhos. Por isso defendo uma infância livre de propagandas que falem diretamente com as crianças. E quando alguém alega que isso é censura ou tirar a liberdade de expressão, lembro sempre do quanto é falso dizer que uma prato de comida pode ser facilmente trocado por um copo de achocolatado. É isso que a propaganda faz, com nossos filhos e com as mães que arduamente se esforçam para fazer o filho comer algo saudável. Isso é fazer uso responsável da liberdade de expressão?
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E por fim, temos um grande exemplo que foi a publicidade de cigarros proibida há mais de 20 anos. Quem é da minha geração se lembra das propagandas de cigarro com todo tipo de esporte e vida saudável (cigarro, esporte e vida saudável?). Hoje nos soa absurdo. Pois essa semente do absurdo foi plantada lá atrás e tenho certeza, foi um passo fundamental para a forma como nossa sociedade enxerga o cigarro hoje. Enxerga como ele é. O mesmo cigarro que já foi sinônimo de vida bem sucedida, hoje é sinônimo de doenças graves e proibido em lugares fechados. Estou certa que tivemos um grande ganho, e poupamos a última geração de crescer vendo o cigarro de forma tão equivocada. Assim é com publicidade infantil, não ter será grande engano.
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As crianças não geram renda tampouco tem maturidade para decidir sobre o próprio consumo. Usar a ingenuidade delas para convencer os pais e para criar nelas desejos desnecessários é uma maldade e uma irresponsabilidade com o futuro da nossa sociedade.
Agora eu pergunto, se para uma família que a mãe passa um tempo acima da média com os filhos, já é dificil, imagina para aquelas famílias que não têm esta possibilidade? Consideremos que a maioria da nossa população tem na
TV seu único entretenimento onde se instala um mundo de fantasia a ser almejado e copiado. Famílias essas onde a maioria dos pais enfrenta 14 horas de trabalho mais 4 de condução para dar uma vida minimamente digna para sua família. Eles tem condições de controlar e orientar o que é visto de publicidade infantil?
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Recentemente, a Telesena está veiculando uma propapaganda com o RESTART, dando uma viagem para Orlando e 5 figurinhas da banda. Isso é certo? Telesena não é título de capitalização? Por que a propaganda de um título de capitalização está sendo claramente direcionada às crianças e jovens se eles não são maiores de idade? Como a família vai controlar que o jovem não gaste 5 reais na compra deste produto sem que eles saibam?
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Botar a culpa na família é fácil. E uma ótima desculpa para encher os publicitários e as empresas de dinheiro. E as nossas crianças que se danem, vamos faturar!
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–este post faz parte da blogagem coletiva #infancialivredeconsumismo —
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