No SÃtio do Picapau Amarelo, na tarde de hoje, os netos da Sra. dona Benta, P. 9 anos, e a menina N. de 8 anos, mataram a facadas, estocadas de espeto de churrasco, uma pequena espingarda com pólvora dentre outros artefatos domésticos, uma onça pintada. O animal, considerado em extinção pelo Ibama, não resistiu aos ferimentos. D. Benta prestou depoimento e afirmou não saber explicar como tudo aconteceu. Como os menores estavam sob sua responsabilidade, ela será indiciada por crime contra o meio-ambiente, que dá de 2 a 4 anos de reclusão. Dona Benta permanece presa por ser crime inafiançável.
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Este é um texto de ficção baseado na obra de Monteiro Lobato, as Caçadas de Pedrinho que comprei para ler para meus filhos. Pensei nessa pequena historinha da prisão da D.Benta e publiquei aqui porque embora veja todo mundo dizer que leu,eu mesma nunca tinha lido este livro, nem quando criança. E não pude deixar de conter minha surpresa ao ver na história, crianças decididas a matar um animal sem motivo aparente com facas de cozinha, espeto de churrasco e espingardas com pólvora.
É impossÃvel não fazer um paralelo ou questionar uma história tão famosa com a realidade dos dias atuais onde seria impensável uma criança empunhar facas, espetos de churrasco e espingardas com tamanha naturalidade e matar uma onça! É importante lembrar que Monteiro Lobato era do inÃcio do século XX, e vivia na roça. Talvez ainda no interior, tenhamos crianças que tenham este comportamento de forma natural. Mas a dúvida permanece, o que devemos fazer? Deixamos o livro para crianças maiores, ou corremos o risco de ter que responder perguntas curiosas? Ou pior, que foi o meu caso, correr o risco de não haver pergunta nenhuma e não termos ideia de como essa história foi absorvida por nossos pequenos? Acho que vou tentar o Reinações de Narizinho. Alguém tem algo para me dizer? fale agora ou cale-se para sempre…
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Ana, esse foi um dos poucos livros do Monteiro Lobato que não li na minha infância, pois nunca gostei de caçadas, desse tipo de aventura, ir atrás de um bicho pra matá-lo e também porque gostava mais das aventuras da Narizinho e da EmÃlia… acho que era a semente do vegetarianismo que já dormia dentro de mim…
Não fiquei surpresa com essa violência num livro infantil, há muito dela em obras destinadas às crianças. Monteiro Lobato revisitado tem sido bastante criticado, acusado de racismo e, agora, de cometer crimes contra o meio ambiente. Garanto que se fizermos uma leitura sob o ponto de vista legal na maioria das obras brasileiras, atualmente, muitas seriam autuadas por discriminação sexual, racial etc. Evoluimos?
Ana, é preciso lembrar que o tempo era outro e a estória se passa no interior onde criança ainda mata animal a facada sim.
Eu amo Monteiro Lobato e ele teve uma importância enorme para a Literatura não só com seus textos para crianças, mas com os de adultos também.
Aqui em casa, as minhas filhas leem até porque a escola da caçula usa muito. Elas tem a coleção quase completa. É preciso cada vez mais saber discernir o que é ficção do que é realidade. Converso tudo claramente, não digo meia verdade.
E, cá pra nós, qual criança não pensa em fazer isso em algum momento? Não significa que vá fazer.