Este post poderia ter vários títulos. Fiquei pensando em qual seria mais adequado. Esta semana, duas notícias mais uma vez, chocam a opinião pública, mas e daí? Porque continuam a acontecer? Porque jovens e crianças continuam a cometer atos bárbaros e ninguém pergunta sobre qual é a vida familiar dessas pessoas? Cadê os pais? Não na hora do acontecido, mas antes? Como se comportavam, como são com os filhos, quais os valores foram ensinados? Talvez, um dia, se os pais começarem a ser questionados sobre como conduziram a educação de seus filhos e serem responsabilizados juntamente com eles (quando menores de idade), as coisas comecem a mudar.
Mas ao mesmo tempo, e a sociedade? E o resto do mundo, o que exige destes pais? Como você é como chefe? Permite que seu funcionário tenha uma vida saudável em família ou você o tira do lar para que ele dê o sangue pela sua empresa? E você, crucifica a mulher que dedica mais tempo aos filhos ou acha que ela é uma desocupada? E a escola? Como ela se comporta perante seus alunos e pais de alunos? É mera prestadora de serviços e está ali para atender uma sociedade cada dia mais interessada no que temos ou ela educa para que o importante seja o que somos? E as escolas públicas? E a condição de miséria e abandono que a sociedade deixa milhares de crianças e jovens (e seus pais) que acabam indo para o caminho mais fácil: o crime. São realidades e situações diferentes, mas tudo, ingrediente da mesma sopa que tem a ver com a vida de todos nós.
Os pais precisam cuidar melhor de seus filhos mas a sociedade precisa ajudar os pais a serem mais presentes em todas as classes sociais. Porque reclamar depois que o menino adolescente mata uma menina de 3 anos porque usou um jet ski sem o menor preparo para isso, é fácil. Reclamar é fácil.
Reclamar depois que um grupo de jovens (e menores de idade) entra numa festa e estupra várias mulheres e mata duas, também é fácil. Qual o papel dos pais, escola e sociedade neste resultado nefasto? Qual o tamanho do machismo e da irreponsabilidade que passamos para a formação dessas pessoas ainda na infância, em casa, na sociedade e na escola?
Sobre o Estupro, assalto e homicídio na Paraíba, basta ler este link aqui (Grupo invade festa faz reféns e mata duas) para ficar horrorizado: grupo de adolescentes invade a festa, tranca as meninas num quarto, as estupra, leva duas reféns e mata uma com 4 tiros na frente da igreja e outra é encontra com 3 tiros e meia na boca -ambas mortas porque reconheceram seus algozes. Aí, a gente continua lendo sobre o crime e descobre que foram crimes planejados por dois irmãos que organizaram a festa e que os estupros foram “presentes de aniversário” de um irmão para o outro e que todos os homens convidados participaram do estupro, combinado premeditadamente.
Crime de gênero, ódio á mulheres, machismo? O que justifica e explica um crime desses, o que os motiva realmente? Vale analisar o passado dessas pessoas para entender como chegaram até aqui? Vale analisar o passado dessas meninas para investigar onde as meninas também precisam escolher melhor seus parceiros já que uma das vítimas era ex-cunhada do estuprador? Não, ela não tem culpa do estupro por causa disso. Bandido é ele. Mas as meninas andam realmente se envolvendo com qualquer um. Isso também não dá direito a ninguém de violentar uma mulher, que fique claro. Não é questão de reclamar ou não, depois. É questão de auto-proteção. As mulheres precisam ser mais seletivas também! Mas como foram criadas? Qual os seus valores? Repito, a vítima de estupro não pede para ser estuprada. Estupro é crime e ponto final. Apenas acho que não podemos ignorar que precisamos melhorar os valores dados a homens e mulheres desde a infância.
Em São Paulo, a menina Grazielly é atropelada e morta por um adolescente que ligou ou pilotou um jet ski. Sabe o que os pais dele estão alegando? Que foi uma fatalidade. Vamos apelar para a religião e para o amor ao próximo com o “ame ao próximo como a ti mesmo”, ou ao “não faça com os outros o que não queres que façam contigo”
e perguntar: se a vítima fosse o filho deles, nas mesmas circunstancias, seria “fatalidade”? Eles prestaram socorro? Estão cuidando psicologicamente dos pais da menina com o mesmo afinco que cuidam do abalo psicológico que dizem que seu filho sofreu?
Menor e motor não combinam. Fato. Menor de idade, não pode guiar jet ski, moto ou carro. Porque não sabe as regras, porque não tem responsabilidade, porque não tem noção da “arma” que tem em mãos. A primeira foto do meu post, é pessoal, de 2008, numa padaria perto da minha casa. Aqui, por ser um local afastado e muito residencial, tem pouco policiamento e gente com muito dinheiro. Gente que acha que seus filhos merecem tudo que a vida pode oferecer e que na hora que eles fazem uma merda, chamam os melhores advogados para dizer que eles não sabiam o que estavam fazendo e que foi “uma fatalidade”. Aqui vemos todos os dias, jovens de motos, scooters, quadriciclos, carros, bicicletas elétricas nas ruas, em faixas de pedestres, em praças onde crianças brincam….
Mas a lei é branda, permite , por exemplo, que quadriciclos não tenham placa. Quer dizer, se um menor, guiando um quadriciclo, atropela um adulto ou criança, se os pais ficarem socorrendo a criança ou o adulto estiver sozinho (porque o menor VAI fugir sem prestar socorro), ninguém vai poder saber quem são os responsáveis que deixam um menor guiar nas ruas sem habilitação, como o menor que guiou ou ligou o jet ski e matou a menina na praia.
A impunidade nestes casos é o motivo de menores e seus pais acharem justo que eles se safem de destruir famílias.
O que me espanta, é que a maioria destes pais, de jovens que estão por aí, sendo satisfeitos em seus desejos mais bizarros, e se prevalecendo da impunidade, são filhos de homens e mulheres da minha faixa etária. Eu não me incluo porque tive filhos tarde e meus filhos são pequenos. Mas bem poderia ter filhos de 18 anos. É impressionante ver como a minha geração foi estragada já que são a geração que primou pelo trabalho, por acumular riquezas e bens a custa de dedicar todo o seu tempo ao progresso da carreira desde muito jovens. Estou viajando na maionese?
Tem coisas que lei poderia ser simples:
-Veiculo motorizado não pode ser guiado por menores. Nenhum. Nem bicicletas elétricas, nem quadriciclos, nem mini-motos (sem comentários!)!
-Qualquer veículo motorizado, de qualquer cilindragem tem que ter registro no Departamento de trânsito.
-Acidentes causados por menores, são de responsabilidade dos pais e do responsável pelo veículo. SEM ATENUANTES.
Não há garantias, não há nada que impeça que crimes ou acidentes aconteçam. Não existe um mundo perfeito. Mas enquanto a gente não começar a fazer as coisas direito e enquanto houver impunidade, teremos homens que acham que seus membros sexuais lhe dão aval para violentar mulheres e pais que acham que seus filhos estão acima do bem e do mal.
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futurodopresent







Muito bom seu texto!
Fez-me lembrar de um filme que assisti esses dias “Precisamos falar com Kevin”, excelente e acho que tudo é culpa dos pais. Não vou comentar mais pra não estragar…
Mas é por aí, damos exemplos e ensinamos o que é certo e errado, alguém que nunca diz não ao filho, está permitindo que ele faça TUDO que quiser na vida, inclusive coisas ruins.
Adorei!
Beijos!
Olha, Ana, é questão de pesquisar mais a fundo, mas acho que todos esses veículos motorizados, na verdade, requerem licença para serem conduzidos em via pública, sim. Eu sei que a bicicleta elétrica, por exemplo, precisa de habilitação específica. O grande problema é a falta de fiscalização.
[...] Gente acima do bem e do mal por Ana Claudia Bessa [...]
Silvia, vc tem razao, mas o que acontece é o seguinte: o cara , se pego em vias publicas andando com o triciclo sem placa, diz que ele nunca anda, que só foi aquele dia e a policia alivia. Por isso nao gosto dessa brecha. Já que a fiscalizacao é ruim, entao a lei tem que ser dura. E outro convite ä ilegalidade: se registrar, tem que pagar IPVA.
( Registro não obrigatório: Apesar de ser um veículo motorizado, o emplacamento do quadriciclo não é obrigatório. No entanto, o Departamento de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) explica que somente se ele for circular em via pública precisará ser registrado e emplacado. O órgão explicou que, neste caso, o proprietário terá que pagar, inclusive, o IPVA. O Detran ressaltou que se o veículo for utilizado em apenas áreas privadas, ou terrenos arenosos e montanhosos, não será preciso o emplacamento. A regra é a mesma para o condutor. O motorista precisa ter carteira na categoria B (automóvel) para circular em vias expressas ou em área pública.)
Então, Ana, é o que eu digo: a lei existe, mas, como tantas outras no Brasil, não é cumprida. Se o guarda pega o cara em via pública com um veículo não emplacado, deveria confiscar e cobrar multa. Menor de idade não pode tirar habilitação, então também não pode conduzir um veículo desses.
A “caca” no Brasil é justamente que as leis não “pegam”. Basta passar um papo ou, na pior das hipóteses, molhar a mão do guarda e tá resolvido o assunto.
A vida passa a ter menos valor. Pobrezinho, matou uma menina, mas ele é tão novo, não queria fazer isso. Ninguém questiona o fato, mas o problema é que fez. E cada um que escapa ileso de uma dessas contribui para que o mal não seja cortado pela raiz.
É muito triste.
[...] Gente acima do bem e do mal por Ana Claudia Bessa [...]