Monthly Archives: maio 2011

Criar uma pessoa devia ser a coisa mais importante do mundo

 

Essa semana pensei muito nisso. Muito mesmo.

Os pais delegam seus filhos às escolas.

As escolas se vendem como meros prestadores de serviço.

A sociedade trata os pais mais dedicados como fracos.

As mães que se dedicam mais os filhos são dondocas e desocupadas (tente fazer o mesmo).

As crianças não são prioridade do governo.

 

Mas se a gente olha em volta, de que é feito o mundo?

De um monte de coisas, não é?

E o que cria essas coisas?

 

AS PESSOAS.

 

São as pessoas que fazem o mundo que vivemos. Tirando a parcela que cabe à natureza pela nossa existência, o resto é feito por mãos humanas.

Mas a sociedade continua tratando a parentalidade como algo sagrado e pessoal e as crianças são apenas consideradas como filhos. Diferenciar filhos e pessoas talvez seja fundamental. Talvez precisemos parar de criar nossos filhos para passarmos a criar PESSOAS.

Isso muda tudo.

Quando a gente fala de filhos, fica aquela coisa sentimentalista, protecionista, paternalista. Aquela imagem da mãe que como uma galinha protege os filhos sob suas asas. E aí, cada um que cuide do seu. Cada um que olhe para seu rabo, cada um que lute pelo que é melhor para si e para os seus.

Mas e o mundo? Onde vão parar esses filhos que na verdade são as pessoas que vão compor, criar e modificar o mundo que vivemos? Não são elas as ferramentas primordiais da nossa vida? Não é das pessoas que depende tudo o que existe?

Então , talvez precisemos parar de criar os filhos e criar pessoas.

Nos conscientizar que criar pessoas de qualidade é fundamental para o mundo que vivemos e que vamos viver.

Criar pessoas precisa de tempo e dedicação como qualquer outro trabalho.

E se criar pessoas é algo tão difícil, então, demanda dedicação e esforço como todo trabalho difícil.

Não podemos mais ficar olhando para as crianças e colocando-as em última prioridade como se elas fossem menos importantes que nosso trabalho, que nosso lazer, que nosso qualquer outra coisa que tenhamos para fazer.

Criar pessoas é a coisa mais importante do mundo.

 

 

 

[image free: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_Library_of_Congress_-_Rural_school_children,_San_Augustine_County,_Texas_%28LOC%29_%28pd%29.jpg#filelinks]

dia dos namorados consciente

O dia dos Namorados está chegando.

Como a muitas datas do nosso calendário, esta também foi criada para movimentar o comércio de forma a dar às pessoas motivos para consumir.

O consumo é importante pois ele movimenta a sociedade de uma forma geral: venda gera empregos no comércio e na indústria que produz os itens que consumimos. Não podemos negar, afinal, emprego é renda e melhores oportunidades de vida para todos.

Contudo, vivemos um momento delicado: somos incentivados a consumir DEMAIS. Somos incentivados a consumir exageradamente, a consumir o que não precisamos, a desejar descartar constantemente tudo o que temos para comprar novos e exclusivos itens.

Um exemplo recente,  a mais nova “idéia” do marketing de consumo chegou ao exagero: os carros da linha 2012 já estão nas lojas. Como assim? Precisamos vender mais carros? Os carros já não são um dos itens mais vendidos? Sim… são…mas eles querem vender mais e você que gosta de trocar carro todo ano, agora terá um motivo para trocar de carro 2 vezes por ano! Afinal , melhor que ter um carro do ano, é ter um carro do ano que vem!

E , daqui a algum tempo, teremos carro de 2013, 2014, com 4, 5 anos de antecedência? Será que isso não é patético?

Então, vamos pensar nestas datas, curtí-las mas não levar o nosso consumo ao exagero desenfreado. Vamos dar a estas datas outros significados, vamos promover novos encontros nestas datas onde não é o valor do presente que importa, mas o carinho que damos á ele.

Consumir com consciência pode ser dar uma poesia de presente, um vaso de flores que não morrerão tão rápido, um lindo vaso de ervas perfumadas, um livro diferente, uma carta, uma fotografia num lindo porta-retratos, um desenho que fazemos, um passeio diferente, um encontro de família, uma música, um piquenique, um passeio de bicicleta, presentes que tenham sido feitos de matéria reciclada e que agridam menos o meio ambiente…

…porque o meio ambiente é nossos habitat e nossa vida depende do bem estar dele.

Consumir conscientemente não é deixar de consumir, mas consumir com coisas que gerem menos lixo, que este lixo seja corretamente destinado, que não compremos coisas apenas por status, que passemos a valorizar o que nos faz felizes de dentro para fora e não de fora para dentro.

Feliz dia a todos os namorados!

 

Elogie do jeito certo.

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante[1]. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios à capacidade de cada criança.

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.

Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.

As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.

No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.

Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito  legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.

Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

 

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MARCOS MEIER é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante.
Seus textos encontram-se no site www.marcosmeier.com.br e seus livros no www.kapok.com.br.

[1] Notícia veiculada na revista Galileu de jan de 2011.

 

Por que compramos? – parte 2

Amigos,

infelizmente os vídeos foram retirados do you tube por violação de direitos autorais (não de nossa parte mas da pessoa que publicou os vídeos no You Tube. Nós apenas repassamos o link de algo que já estava lá publicado). Uma pena. Mas, faz sentido. Afinal, é um canal pago. Realmente, não atentei em nenhum momento para este detalhe, apenas achei interessante mostrar algo que já estava lá no You Tube. Podiam ter deixado pelo menos a primeira parte  como se fosse o primeiro capítulo de um livro, de forma a atiçar a curiosidade, não é?

Lamento muitíssimo que justamente agora isso tenha acontecido. Será que nossos posts geraram tantas visitas ao vídeos assim para chamar atenção? Eles já estavam lá há algum tempo. Enfim, se foi isso, fico contente porque é sinal de que muita gente se interessou pelo conteúdo. Quem tem o canal, procure na grade de programação, vale a pena.

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Esta é a segunda parte de um programa que assisti no canal pago ManegementTV e achei muito interessante porque ele mostra algumas técnicas usadas para nos fazer consumir. Ou seja, como manipulam nossa vontade. O programa está dividido em quatro partes. Estou publicando semanalmente.

Para ver a parte 1, clique aqui.

 

3 Mães pro futuro e o mamaço

Vamos dar mais um selinho!

Este selinho foi pensado para homenagear mães blogueiras que pensam, agem, escrevem e debatem na blogosfera em prol do futuro de seus filhos!

Desta vez, vamos presentear três mães numa tacada: Kalu, Kathy e Tata do blog Mamíferas.

Isso porque esta semana que passou , aconteceu um fato histórico que eu simplesmente fiquei encantada e gostaria de ter podido fazer parte de fato deste momento: O “mamaço” na Av. paulista e o Mamaço virtual.

Os dois acontecimentos, foram motivados porque , no primeiro, uma mãe foi impedida de amamentar seu filho publicamente e no segundo, outra mãe teve sua foto amamentando censurada no Facebook.

Várias mulheres foram dar de mamar no saguão de onde uma mãe foi proibida de amamentar em público. E o mamaço virtual (que este sim, pude participar) que consistiu em que todas as mulheres que apoiam a causa publicassem fotos amamentando em seus perfis das redes sociais.

Eu, como mamífera que sou, não poderia ficar de fora.

Amamentar é amor, é saúde, é vida, é natural, é feminino e é inerente à maternidade. Não podemos aceitar que nosso país vire sede cópia de uma sociedade, muitas vezes, estranha, como é a americana, que censura imagens de mulheres amamentando em suas revistas e reprova quando este ato é exibido publicamente.

Então, segue nossa homenagem em forma de selo á essas mães que lutam e defendem a amamentação e que com este ato, com certeza, plantaram uma linda semente para um futuro melhor para toda a nossa sociedade.

Viva a natureza. Mamar é natural.

E nosso selinho para as queridas mamíFERAS!

Regra do selinho? Se quiserem passar adiante para outro mãe blogueira que considerem uma Mãe pro Futuro, será o máximo! Porque  essa é a delícia do selinho: uma forma simpática de nos conhecermos, incentivarmos e divulgarmos na maternosfera! :)

E linkem a gente para podemos saber e divulgar as mães que se presenteiam!

Por que compramos?

Este é um programa que assisti no canal pago ManegementTV e achei muito interessante porque ele mostra algumas técnicas usadas para nos fazer consumir. Ou seja, como manipulam nossa vontade. O programa está em quatro partes e eu gostei muito de assistir.

Ele mostra um pouco de tudo o que é usado para nos influenciar através dos nossos sentidos, como cores dos produtos e cheiros dentro de uma loja, por exemplo. Que tal um hotel suísso que tem o cheiro do dinheiro como umas das fragrâncias usadas no perfume que sai dos aparelhos de ar condicionado? Interessante, não? 

É fundamental que tenhamos consciência de que essas técnicas existem para que posssamos nos defender melhor dessa manipulação e entender que existe fundamentação técnica e estudos e profissionais que se preparam para vencer a nossa vontade e a nossa necessidade nos fazendo consumir e sentir bem estar com coisas que não precisamos e muitas vezes, nem mesmo queremos.

A briga é injusta porque sequer percebemos quando e o que nos influencia. Para se defender disso? Informação.

O presente maior

Consciente sobre os alimentos que come aos 11 anos!

Birke Baehr, de onze anos, fala sobre uma grande fonte de alimentos – granjas industriais distantes e nada pitorescas. Manter as granjas fora da vista promove um quadro cor de rosa e irreal da agricultura de grande escala, ele diz enquanto esboça o esquema para tornar mais verde e localizar a produção de alimentos.

Minha única crítica ao vídeo é a perda da naturalidade dele quando faz piadas com a platéia como costumam fazer os palestrantes da atualidade. Não precisava. Só de ouvir uma criança falar sobre o assunto, já impressiona e cativa qualquer platéia. Essa mania de adultizar as crianças, me incomoda, profundamente.

 

Caso não visualize o vídeo, clique aqui:  http://www.ted.com/talks/lang/por_br/birke_baehr_what_s_wrong_with_our_food_system.html