Saímos da época das festas, shoppings lotados de adultos e crianças ávidos por comprar seus presentes e artigos de Natal, ano novo, material escolar e carnaval, e não pudemos deixar de refletir sobre esse tema tão importante: consumo infantil.
Alguns defendem veementemente a proibição da publicidade infantil. De outro lado, alguns discordam, acham que estão querendo passar para a publicidade uma responsabilidade dos pais.
O que é importante afinal levarmos em consideração nesta questão?
Em primeiro lugar, que são debates como esses que fizeram com que a publicidade e a sociedade como um todo evoluísse. Somos a favor das diferenças, das possibilidades e do debate.
Mas por que é necessário regulamentar?
Não temos dúvida de que, no mínimo dos mínimos, é urgente uma regulamentação muito, mas muito rígida para a publicidade infantil. Quer dizer, nem todos têm a absoluta certeza de que serão as regras que vão melhorar o estímulo exarcebado ao consumo infantil, mas todos nós acreditamos que é necessário nos mover em busca de proteção à nossa infância.
A publicidade como vemos é um cerceamento à liberdade da criança de imaginar. A criança aprende através da TV e da publicidade a gostar de tudo que a mídia quer que ela goste.
O incentivo ao consumo é tão grande que as crianças não se satisfazem com nada: se é um, é pouco. Se são muitos mas menos que os outros, é pouco. Se são muitos mas o dos outros é maior, é pouco. Se temos muito mas não temos aquilo que o outro tem, é pouco. Se temos um sorriso, um abraço, mas não temos presente, é pouco. É a insatisfação compulsiva.
De quebra, boa parte das propagandas voltadas para crianças são mentirosas e desonestas. Nossos filhos devem e precisam saber: propaganda mente. É um jogo que não se trata do bonzinho e do maldoso, mas de interesses. Conscientizar as crianças já é algo proativo que nós pais podemos fazer independente de qualquer coisa: começar a ser mais enfáticos neste sentido com as crianças em casa.
O objetivo da publicidade voltada para crianças é atingir os pais via filhos. O que torna tudo ainda mais covarde, pois as crianças estão sendo usadas. Aquelas marcas que não dizem nada mais aos adultos, pelo simples fato de não terem nada a mais a oferecer (nenhum diferencial), se disfarçam com personagens infantis e vão pra cima dos pequenos. Os publicitários sabem que os pais, cheios de culpas, acabam comprando quando a meninada pede ou faz pressão. Então vira um non sense: criança não tem maturidade pra votar, pra casar, pra namorar, pra dirigir, para escolher a hora de dormir, para sair de casa sozinha. Mas é tratada como se tivesse maturidade pra tomar decisões de consumo. O que TODOS nós – pais, governo e publicitários – sabemos que elas não têm.
Preocupa muito, também, a abordagem dos anúncios de alimentos infantis. E aí, além da questão do consumo, entra um ponto também muito importante: a saúde. As mães de origem mais humilde, que tiveram seu poder de consumo aumentado nos últimos anos, estão claramente tentando satisfazer todos os desejos dos filhos – desejos que muitas vezes foram delas quando crianças. Isso não seria nem de longe um problema, exceto pelo fato de aquela criança estar sendo entupida de açúcar, farinha e gordura vegetal hidrogenada. O que é um problema que atinge, por diferentes motivos, as demais classes sociais e compromete gravemente a saúde das crianças. Gasta-se horrores em potinhos de “bebida láctea tipo iogurte com aroma artifical de qualquer coisa” quando é possível fazer em casa um litro de iogurte com R$ 2,00 e depois bater com frutas. Esse consumo não é fruto do desconhecimento, mas da propaganda do iogurte-super-divertido-e-colorido-do-super-herói-da-moda-que-dá-super-poderes.
E o risco da proibição? A sociedade pode se tornar imune?
(continua na próxima semana)
Texto escrito a 16 mãos por: Ana Cláudia Bessa, Ceila Santos, Maria Rê Carriero, Renata Gonçalves, Renata Matteoni, Rita de Cássia Couto, Silvia Schiros e Taís Vinha.
Posts e continuações deste debate:
Parte 1: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao/
Parte 2: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-ii/
Parte 3: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-iii/
E convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :
Cristiane Fetter http://todoyda.blogspot.com/
Vanessa http://fio-de-ariadne.blogspot.com/
Cybele Meyer http://cybelemeyer.com.br/
Mais posts :
http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/2010/05/nao_vale_por_um_bifinho.html
http://lucianaivanike.wordpress.com/2010/05/12/minha-filha-sabe-o-que-esta-querendo/
http://mamaecintia.blogspot.com/2010/04/bakugan-quem.html
http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2010/04/voce-e-favor-da-lei-contra-publicidade.html
http://graflor.blogspot.com/2010/03/publicidade-infantil.html
Fórum Criança e Consumo:
http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forum-crianca-e-consumo-dia2parte3/
http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forumcriancaeconsumodia2refletiroconsumo/
http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1-continuacao/
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Olá meninas!!
Sem dúvida nenhuma, alguma coisa precisa ser feita pelas autoridades competentes!MAs, como sabemos que elas, geralmente, elas demoram, acho que a educação deve começar em casa!! Os pais devem mostrar ao filho o que está por trás de toda essa propaganda….
Devem ensinar aos filhos como se defender delas, parece difícil, mas tem que ser feito. aqui em casa, usamos certas perguntas antes de comprar alguma coisa: Estou mesmo precisando disso? Vale a pena pagar mais só pq é de personagens licenciados? É de boa qualidade ou saudável? É claro que na maioria das vezes as crianças respondem sim em todas as questões, mas pelo menos, elas param antes para refletir!!! E, claro, daí entra o bom sendo dos pais….se não achar que deve comprar…não compre!!!!
Está rolando pela net um manifesto contra a publicidade infantil. Lá tem uma vídeo suuuuuper bacana. eu até postei láno meu blog!!
Abs
Carla
Bom, sou dos que se enquadramna categoria dos absolutamente contra a publicidade infantil. Além de ferir frontalmente os princípios e normas adotados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, vivemos em uma sociedade onde a publicidade faz dos pais pessoas incapazes de agir diante dos intermináveis pedidos das C&A. É outra grande mentira dizer que cabe aos pais a responsabilidade pelo consumo dos filhos, quando eles mesmos são tornados consumistas inconscientes. Da mesma forma que foram proibidas as propagandas de cigarro na TV (e deveriam proibir as de cerveja), penso que deveriam pura e simplesmente proibir a publicidade infantil, inclusive nos canais pagos. Particularmente, não aguento mais ver propaganda do Carrefour, por exemplo, no Discovery Kids. Já não bastasse ter que pagar para assistir propaganda (desculpa, é outro tema, mas,..) ainda atingem diretamente as crianças. É muita cafagestagem dizer “nosso papel é divulgar; os pais que se virem…” E é isso que fazem. Empurram para os outros. Fácil, né?
[...] texto foi retirado do blog Futuro do Presente, seu link está AQUI. Texto escrito a 16 mãos por: Ana Cláudia Bessa Ceila Santos Maria Regina Renata Gonçalves [...]
Cafagestagem…juro que gostei do termo que o Afonso uso no comentário aí de cima. Perfeito pq toda vez que ouço esse argumento tosco em torno da responsabilidade dos pais fico muito p… da vida.
Aliás, Ana, querida, que belo post esse. Eita mulherada poderosa essa que escreveu
Carla, é por aí, temos que começar a agir em casa. O PL é próximo debate que pretendemos empreender.
É isso aí, Afonso. A coisa é empurrada aos mais fracos. Dá uma olhada neste post sobre publicidade na TV paga. Vc tocou num assunto que tem tudo a ver, tudo ingrediente da mesma sopa. http://futurodopresente.com.br/ana/2010/02/televisao-por-assinatura-e-transparencia-das-relacoes-de-consumo/
Lu, obrigada pela publicação do texto no seu blog, divulgar é tudo o que precisamos para ampliar o debate!
Re, o primeiro post de muito dessa turma boa que esperamos que cresça bastante!
Ana, enfim, cheguei e resolvi postar sobre este tópico específico lá no blog do Desabafo. Acabo de programar o danadinho pra amanhã, tá, 15/04. Bjkas!!!
Oi, Carla!
Desculpe a demora em responder.
Concordo plenamente com você e nosso texto foi justamente com este intuito: de trazer mais pais e mães para este importante debate e conscientização.
Eu prefiro pedir o link do seu post co o vídeo, assim a gente divulga seu blog, coloca um link aqui pro debate que nós divulgamos aqui seu post!
Beijos!
Afonso, você não tem nada que se desculpar. Só tocou em assuntos correlatos. Não tenho nada a acrescentar, concordo plenamente.
Ceila, Muito bom ter você na conversa, sempre!
Respostas duplicadas…coisa de mãe louca…rs…
Olá, sou um profissional da area de publicidade e marketing, concordo plenamente que o mercado tem que ser regulamentado.
Parabens as 16 mãos e continuem na luta.
Obrigado
Henrique, você não imagina como fico feliz que você pense dessa forma. Infelizmente a maioria dos profissionais ligados à área só olham para o próprio umbigo e pro próprio bolso.
Ana! Super texto esse, realmente muito bem escrito e com todos os argumentos os quais compartilho! O que é muito legal no texto é que todos os argumentos, na maioria dificeis de explicar por sua subjetividade, foram abordados de maneira cotidiana, o que os torna bem mais palpáveis.
Essas mulheres estão todas de parabéns pela luta, apoiadas!
Henrique, obrigada por seu valoroso apoio!
[...] anos depois de uma roda de conversas entre blogs e muita troca de emails nasce o movimentoInfância Livre de Consumismo. Muita coisa [...]