Monthly Archives: maio 2009

Jack e a gripe suína

CLÓVIS ROSSI para Folha

SÃO PAULO Um estraga-prazeres chamado Andrew Cook, historiador britânico, está dinamitando a lenda de Jack, o Estripador. Diz que não passou de uma invenção para vender mais jornais. É o que relata o “Times” de ontem, com base no livro “Jack, o Estripador: Caso Encerrado”. Nele, Cook afirma taxativamente que Jack é um personagem de ficção inventado pelos jornalistas e que os crimes no East End londrino, em 1888, foram obra de diferentes homens, sem nenhuma ligação entre eles.�
O foco principal do livro é o jornal “The Star”, lançado pouco antes de os assassinatos começarem e que foi o primeiro a sugerir um “serial killer”. Coincidência ou não, o “Star” viu sua circulação aumentar em 232 mil exemplares durante o período em que noticiou à exaustão os crimes atribuídos a Jack.�
Sou obrigado a confessar que, ao ler a história do “Times”, não consegui deixar de pensar no mais recente “serial killer” a frequentar a mídia, a tal de gripe suína, agora rebatizada para H1N1. Com uma ressalva essencial: jornais como esta Folhadependem quase nada de venda avulsa, ao contrário de tabloides. Mas um sucessor do “Star”, o tabloide “The Sun”, vazou ontem relatório (de setembro) do Departamento de Saúde britânico prevendo que, na eventualidade de uma pandemia, 750 mil pessoas morreriam (só no Reino Unido) e 1,2 milhão seria hospitalizado, levando ao colapso “total ou parcial” da infraestrutura de saúde.�
Quando se sabe que até ontem apenas dez pessoas haviam morrido -e no mundo todo-, é inevitável o paralelismo entre um “serial killer” que não existia e um que parece estar sendo exagerado. Pergunta também inevitável: quantas pessoas morrem, no mundo, de gripe comum no mesmo período em que morreram as dez vítimas da H1N1?

crossi@uol.com.br

A qualquer preço

Publicidade é uma carreira que não cansa de me indignar. Claro que não são todos os publicitários mas me chama muita atenção certas campanhas. Campanha de remédio é algo que TODOS deveriam se negar a fazer. Automedicação pode matar portanto, remédio tem que ser propagandeado para médicos e só. Eu não aceitaria trabalhar na Souza Cruz, por exemplo. Questão de princípios meus. É comum ver um monte de celebridades fazendo propaganda de remédio. Será que eles não tem o menor semancol de que suas imagens estimulam as pessoas a consumir medicamentos? Já até postei sobre isso aqui.

Campanha para criança é outra coisa abominável, afinal, são pessoas ainda sem discernimento para decidir o que é melhor para si. Covarde é a palavra que para mim define as empresas, as agências, os profissionais e os artistas que fazem este tipo de propaganda.
Mas algumas agências de publicidade e alguns artistas e celebridades se superam no quesito “pagando bem que mal tem” e fazem propaganda de qualquer coisa, menos de papel higiênico. Acho que suja a imagem.
Antigamente, era comum vermos as propagandas de cigarro serem relacionadas à esporte e à vida saudável. Felizmente, as propagandas foram proibidas e paramos de ver este absurdo já que fumar é “proibido” para quem quer praticar esportes. Aquele jogador Gérson fez a famosa campanha de cigarro criando o famoso slogan “gosto de levar vantagem em tudo” e criou a o famoso termo “lei de Gérson” para aueles que gostam de se dar bem em cima dos outros e que garanto que o incomodou o resto da vida. Deve ter incomodado mais do que fazer propaganda de cigarro. Merecido castigo na minha opinião. Quem dera outros artistas tivessem o mesmo nefasto destino cruel às suas imagens. É aquela velha história da publicidade tentando vender a qualquer preço e celebridades que recebem bem e mal não vêem.

Como o Ronaldo, que fenomenalmente faz agora uma propaganda de cerveja. Um atleta como ele fazendo propaganda de cerveja? Não pode, né? Se ele precisasse não justificaria, sem precisar fica mais feio ainda.
Espero que o efeito seja bem ruim para a imagem dos dois afinal, esporte e cerveja não combinam e um atleta barrigudo tomando cerveja, explica muita coisa!
Para bom entendedor…
E que os publicitários idealizadores da campanha sejam citados como case do que não se deve fazer para anunciar um produto em vários congressos, programas de televisão, palestras….
Sim, estou rogando uma praga. :)

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Ana Cláudia Bessa

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A coisa é tão séria quando se trata de dinheiro que li num post do blog Escuta Zé, do jornalista José Luiz Teixeira um artigo do José Roberto Torero que fala que o Lula assinou um decreto que classifica como alcoólica qualquer bebida com mais de 0,5 grau GL como alcoólica, o que restringe a sua propaganda na TV, contudo, inexplicavelmente não restringiu a propaganda de cerveja. Sério isso.