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Vida nua, vida besta, uma vida

mulherovoPor Peter Pál Pelbart
Ao reduzir a existência ao seu mínimo biológico, o biopoder contemporâneo nos transforma em meros sobreviventes.
O contexto contemporâneo se caracteriza por uma nova relação entre o poder e a vida. Por um lado, uma tendência que poderia ser formulada como segue: o poder tomou de assalto a vida. Isto é, ele penetrou todas as esferas da existência, e as mobilizou inteiramente, pondo-as para trabalhar. Desde os gens, o corpo, a afetividade, o psiquismo, até a inteligência, a imaginação, a criatividade, tudo isso foi violado, invadido, colonizado, quando não diretamente expropriado pelos poderes. Mas o que são os poderes?
Digamos, para ir rápido, com todos os riscos de simplificação: as ciências, o capital, o Estado, a mídia. Sabemos, no entanto, que os mecanismos diversos pelos quais eles se exercem são anônimos, esparramados, flexíveis, rizomáticos. O próprio poder tornou-se “pós-moderno”: ondulante, acentrado, reticular, molecular. Com isso, ele incide diretamente sobre nossas maneiras de perceber, de sentir, de amar, de pensar, até mesmo de criar. Se antes ainda imaginávamos ter espaços preservados da ingerência direta dos poderes (o corpo, o inconsciente, a subjetividade) e tínhamos a ilusão de preservar em relação a eles alguma autonomia, hoje nossa vida parece integralmente subsumida a tais mecanismos de modulação da existência.
Até mesmo o sexo, a linguagem, a comunicação, a vida onírica, mesmo a fé, nada disso preserva já qualquer exterioridade em relação aos mecanismos de controle e monitoramento, se é que alguma vez tal exterioridade fosse cabível. Para resumi-lo numa frase: o poder já não se exerce desde fora, nem de cima, mas como que por dentro, pilotando nossa vitalidade social de cabo a rabo. Não estamos mais às voltas com um poder transcendente, ou mesmo repressivo, trata-se de um poder imanente, produtivo. Como o mostrou Foucault, um tal biopoder não visa barrar a vida, mas tende a encarregar-se dela, intensificá-la, otimizá-la. Daí nossa extrema dificuldade em situar a resistência, já mal sabemos onde está o poder, e onde estamos nós, o que ele nos dita, o que nós dele queremos, nós nos encarregamos de administrar nosso controle, e o próprio desejo está inteiramente capturado. Nunca o poder chegou tão longe e tão fundo no cerne da subjetividade e da própria vida como nessa modalidade contemporânea do biopoder.
É onde intervém o segundo eixo que seria preciso evocar, sobretudo em autores provenientes da autonomia italiana. Resumo tal tendência da seguinte maneira. Quando parece que “está tudo dominado”, como diz um rap brasileiro, no extremo da linha se insinua uma reviravolta: aquilo que parecia submetido, controlado, dominado, isto é, “a vida”, revela no processo mesmo de expropriação, sua potência indomável.
Tomemos apenas um exemplo. O capital precisa hoje não mais de músculos e disciplina, porém de inventividade, de imaginação, de criatividade, de força-invenção. Mas essa força-invenção, de que o capitalismo se apropria e que ele faz render em seu benefício próprio, não só não emana dele, como no limite poderia até prescindir dele. É o que se vai constatando aqui e ali: a verdadeira fonte de riqueza hoje é a inteligência das pessoas, sua criatividade, sua afetividade, e tudo isso pertence, como é óbvio, a todos e a cada um. Tal potência de vida disseminada por toda parte nos obriga a repensar os próprios termos da resistência.
Poderíamos resumir esse movimento do seguinte modo: ao poder sobre a vida responde a potência da vida, ao biopoder responde a biopotência, mas esse “responde” não significa uma reação, já que o que se vai constatando é que tal potência de vida já estava lá desde o início. A vitalidade social, quando iluminada pelos poderes que a pretendem vampirizar, aparece subitamente na sua primazia ontológica. Aquilo que parecia inteiramente submetido ao capital, ou reduzido à mera passividade, a “vida”, aparece agora como reservatório inesgotável de sentido, manancial de formas de existência, germe de direções que extrapolam as estruturas de comando e os cálculos dos poderes constituídos.
Seria o caso de percorrer essas duas vias maiores como numa fita de Moebius, o biopoder, a biopotência, o poder sobre a vida, as potências da vida
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1. Mas aqui isto será feito sob um crivo particular, o do corpo. Pois tanto o biopoder como a biopotência passam necessariamente, e hoje mais do que nunca, pelo corpo. Assim, proponho trabalhar aqui três modalidades de “vida”, isto é, três noções de vida, acompanhados de sua dimensão corporal correspondente, percorrendo de um lado a outro a banda de Moebius mencionada.
O “muçulmano”
É preciso começar pelo mais extremo -o “muçulmano”. Retomo brevemente à descrição feita por Giorgio Agamben a respeito daqueles que, nos campos de concentração, recebiam essa designação terminal
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2. O “muçulmano” era o cadáver ambulante, uma reunião de funções físicas nos seus últimos sobressaltos
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3. Era o morto-vivo, o homem-múmia, o homem-concha. Encurvado sobre si, esse ser bestificado e sem vontade tinha o olhar opaco, a expressão indiferente, a pele cinza pálida, fina e dura como papel, já começando a descascar, a respiração lenta, a fala muito baixa, e feita a um grande custo…
O “muçulmano” era o detido que havia desistido, indiferente a tudo que o rodeava, exausto demais para compreender aquilo que o esperava em breve, a morte. Essa vida não humana já estava excessivamente esvaziada para que pudesse sequer sofrer
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4. Por que os detidos dos campos chamavam de “muçulmano” aqueles que tinham desistido de viver, já que se tratava sobretudo de judeus? Porque entregava sua vida ao destino, conforme a imagem simplória, preconceituosa e certamente equivocada de um suposto fatalismo islâmico: o “muslim” seria aquele que se submete sem reserva à vontade divina.
Em todo caso, quando a vida é reduzida ao contorno de uma mera silhueta, como diziam os nazistas ao referir-se aos prisioneiros, chamando-os de “Figuren”, figuras, manequins, aparece a perversão de um poder que não elimina o corpo, mas o mantém numa zona intermediária entre a vida e a morte, entre o humano e o inumano: o sobrevivente. O biopoder contemporâneo, conclui Agamben, reduz a vida à sobrevida biológica, produz sobreviventes. De Guantánamo à Africa, isso se confirma a cada dia.
Ora, quando cunhou o termo de biopoder, Foucault tentava discriminá-lo do regime que o havia precedido, denominado de soberania. O regime de soberania consistia em fazer morrer e deixar viver. Cabia ao soberano a prerrogativa de matar, de maneira espetacular, os que ameaçassem seu poderio, e deixar viverem os demais. Já no contexto biopolítico, surge uma nova preocupação. Não cabe ao poder fazer morrer, mas sobretudo fazer viver, isto é, cuidar da população, da espécie, dos processos biológicos, otimizar a vida. Gerir a vida, mais do que exigir a morte.
Assim, se antes o poder consistia num mecanismo de subtração ou extorsão, seja da riqueza, do trabalho, do corpo, do sangue, culminando com o privilégio de suprimir a própria vida
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5, o biopoder passa agora a funcionar na base da incitação, do reforço e da vigilância, visando a otimização das forças vitais que ele submete. Ao invés de fazer morrer e deixar viver, trata-se de fazer viver, e deixar morrer. O poder investe a vida, não mais a morte -daí o desinvestimento da morte, que passa a ser anônima, insignificante. Claro que o nazismo consiste num
cruzamento extremo entre a soberania e o biopoder, ao fazer viver (a “raça ariana”) e fazer morrer (as raças ditas “inferiores”), um em nome do outro.
O biopoder contemporâneo, segundo Agamben -e nisso ele parece seguir, mas também “atualizar” Foucault- já não se incumbe de fazer viver, nem de fazer morrer, mas de fazer sobreviver. Ele cria sobreviventes. E produz a sobrevida. No contínuo biológico, ele busca até isolar um último substrato de sobrevida. Como diz Agamben: “Pois não é mais a vida, não é mais a morte, é a produção de uma sobrevida modulável e virtualmente infinita que constitui a prestação decisiva do biopoder de nosso tempo. Trata-se, no homem, de separar a cada vez a vida orgânica da vida animal, o não-humano do humano, o muçulmano da testemunha, a vida vegetativa, prolongada pelas técnicas de reanimação, da vida consciente, até um ponto limite que, como as fronteiras geopolíticas, permanece essencialmente móvel, recua segundo o progresso das tecnologias científicas ou políticas. A ambição suprema do biopoder é realizar no corpo humano a separação absoluta do vivente e do falante, de zoè e biós, do não-homem e do homem: a sobrevida”
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6.
Fiquemos pois, por ora, nesse postulado inusitado que Agamben encontra no biopoder contemporâneo: fazer sobreviver, produzir um estado de sobrevida biológica, reduzir o homem a essa dimensão residual, não humana, vida vegetativa, que o chamado “muçulmano” dos campos de concentração, por um lado, e o neomorto das salas de terapia intensiva, por outro, encarnam.
A sobrevida é a vida humana reduzida a seu mínimo biológico, à sua nudez última, à vida sem forma, ao mero fato da vida, à vida nua. Mas engana-se quem vê vida nua apenas na figura extrema do “muçulmano”, sem perceber o mais assustador: que de certa maneira somos todos “muçulmanos”. Até Bruno Bettelheim, sobrevivente de Dachau e Buchenwald, quando descreve o comandante do campo, qualifica-o como uma espécie de “muçulmano”, “bem alimentado e bem vestido”. Ou seja, o carrasco é ele também, igualmente, um cadáver vivo, habitando essa zona intermediária entre o humano e o inumano, máquina biológica desprovida de sensibilidade e excitabilidade nervosa. A condição de sobrevivente, de “muçulmano”, é um efeito generalizado do biopoder contemporâneo, ele não se restringe aos regimes totalitários, e inclui plenamente a democracia ocidental, a sociedade de consumo, o hedonismo de massa, a medicalização da existência, em suma, a abordagem biológica da vida numa escala ampliada.
O corpo
Tomemos a título de exemplo o superinvestimento do corpo que caracteriza nossa atualidade. Desde algumas décadas, o foco do sujeito deslocou-se da intimidade psíquica para o próprio corpo. Hoje, o eu é o corpo. A subjetividade foi reduzida ao corpo, a sua aparência, a sua imagem, a sua performance, a sua saúde, a sua longevidade. O predomínio da dimensão corporal na constituição identitária permite falar numa “bioidentidade”. É verdade que já não estamos diante de um corpo docilizado pelas instituições disciplinares, como há cem anos atrás, corpo estriado pela máquina panóptica, o corpo da fábrica, o corpo do exército, o corpo da escola. Agora cada um se submete voluntariamente a uma ascese, científica e estética a um só tempo. É o que Francisco Ortega chama de bioascese
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7. Por um lado, trata-se de adequar o corpo às normas científicas da saúde, longevidade, equilíbrio, por outro, trata-se de adequar o corpo às normas da cultura do espetáculo, conforme o modelo das celebridades.
Como o diz Jurandir Freire Costa, a obsessão pela perfectibilidade física, com as infinitas possibilidades de transformação anunciadas pelas próteses genéticas, químicas, eletrônicas ou mecânicas, essa compulsão do eu para causar o desejo do outro por si, mediante a idealização da imagem corporal, mesmo às custas do bem-estar, com as mutilações que o comprometem, substituem finalmente a satisfação erótica que prometem pela mortificação auto-imposta
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8. O fato é que abraçamos voluntariamente a tirania da corporeidade perfeita, em nome de um gozo sensorial cuja imediaticidade torna ainda mais surpreendente o seu custo em sofrimento.
A bioascese é um cuidado de si, mas, à diferença dos antigos, cujo cuidado de si visava a bela vida, e que Foucault chamou de estética da existência, o nosso cuidado visa o próprio corpo, sua longevidade, saúde, beleza, boa forma, felicidade científica e estética, ou o que Deleuze chamaria a “gorda saúde dominante”. Não hesitamos em qualificá-lo, mesmo nas condições moduláveis da coerção contemporânea, de um corpo fascista -diante do modelo inalcançável, boa parcela da população é jogada numa condição de inferioridade sub-humana. Que, ademais, o corpo tenha se tornado também um pacote de informações
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9, um reservatório genético, um dividual estatístico, com o qual somos lançados ao domínio da biossociabilidade (“faço parte do grupo dos hipertensos, dos soropositivos” etc.), isto só vem fortalecer os riscos da eugenia. Estamos às voltas, em todo caso, com o registro da vida biologizada… Reduzidos ao mero corpo, do corpo excitável ao corpo manipulável, do corpo espetáculo ao corpo automodulável, é o domínio da vida nua. Continuamos no âmbito da sobrevida, da produção maciça de “sobreviventes”, no sentido amplo do termo.
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1 – No rastro de Foucault, Deleuze, Negri, Lazzarato e outros, tal mapeamento foi tentado em “Vida Capital”, São Paulo, Iluminuras, 2003.
2 – G. Agamben, “Ce Qui Reste d´Auschwitz”, Paris Payot & Rivages, 1999.
3 – J. Améry, “Par Delà le Crime et le Chatiment”, Arles, Actes Sud, 1995
4 – P. Levi, “É Isto um Homem?”, Rio de Janeiro, Rocco, 2000.
5 – M. Foucault, “La Volonté de Savoir”, Paris, Gallimard, 1976, p 179.
6 – G. Agamben, “Ce Qui Reste d´Auschwitz”, op. cit, p. 205.
7 – Francisco Ortega, “Da Ascese à Bioascese, Ou do Corpo Submetido à Submissão do Corpo”, in “Imagens de Foucault e Deleuze”, Rio de Janeiro, DP&A, 2002.
8 – Jurandir Freire Costa, “O Vestígio e a Aura: Corpo e Consumismo na Moral do Espetáculo”, Rio de Janeiro, Garamond, 2004.
9 – Paula Sibília, “O Homem Pós-orgânico”, Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 2002.

2 anos de blog !

imagemfrenteblogHoje estamos comemorando 2 anos de blog!! Uau!

Como passou rápido! Há dois anos atrás acontecia aquela tragédia que foi a morte do menino João Hélio e isso desencadeou uma série de acontecimentos que levaram ao nascimento do blog.

Hoje ele é bem diferente do que era quando comecei e já passamos por muitas coisas. Tivemos muitos colaboradores  fixos e hoje temos mais colaboradores ainda de forma mais espontânea.

Começamos a escrever um post por semana e eu ficava morrendo de medo de não conseguir produzir nada a ponto de não cumprir este compromisso. Mas a medida que as semanas passavam, os assuntos eram tantos que um texto por semana começou a ser pouco. Passamos a postar duas vezes por semana. Mas rapidamente a agenda ficava cheia por várias semanas e todos ficavam tão ansiosos com a publicação dos seus textos, que mudamos para 3 vezes por semana. E a postagem acontecia direto, independente do final de semana. Contudo, fomos percebendo que as visitas caiam bastante durante o fim de semana. Passamos então a postar 3 vezes por semana somente durante os dias úteis. E essa é uma regra que mantemos até hoje. Mas tivemos que  aumentar ! Mesmo com muito medo do compromisso que isso envolvia, passamos a postar diariamente. E mesmo assim, os assuntos eram tantos que nossa agenda chegou a ter datas para novos textos somente depois de 3 meses! As visitações aumentavam a cada dia e tivemos visitações por dia , semana e mês que nunca poderíamos sonhar.

As discussões eram sempre acaloradas e participativas. Um orgulho poder dizer que as pessoas que lêem o blog são pessoas de muita qualidade e realmente interessadas em debater o futuro. Contudo, essa grande movimentação e a demora de datas disponíveis para publicação dos textos, se por um lado era estimulante, por outro deixava os colaboradores fixos sem estímulo de escrever porque os textos demoravm demais a ser publicados. Era bom e ruim. E isso foi um dos fatores que fez com que decidíssimos por abrir a colaboração e sempre que temos textos bons de pessoas que conhecemos, publicamos aqui.

Neste ponto, fomos a outro extremo: os colaboradores fixos perderam o estímulo e eu resolvi liberá-los o que fez a produção de textos cair sensivelmente. Foi uma loucura dar conta de um blog diário praticamente sozinha, mesmo que por opção. Nem sempre eu dava conta.

iconefpNo meio disso tudo, começamos  a acalentar o sonho de fazer alguma coisa que pudesse difundir melhor nossas idéias.  E foi aí que descobrimos a malha feita de garrafa PET reciclada e começamos a desenvolver os desenhos e os produtos que hoje formam a Futuro do Presente – Artigos ecológicos, educativos e reciclados, nossa loja virtual.Isso foi no final de 2007. Nove meses depois, como uma gestação, a loja começava a funcionar em meados de 2008.

À medida que o blog crescia em visitações, comecei a conhecer outros blogueiros que frequentavam essa comunidade blogosférica além das barreiras do monitor. Existe um universo imenso por trás dos blogues e eu nem imaginava. Como sempre fui a favor conhecer as pessoas e trazer o mundo virtual para o real, comecei a conhecer essas pessoas de fato e tive a grata surpresa de encontrar grandes pessoas por trás de seus blogues. Muita gente mesmo. E com eles estou aprendendo ferramentas mais técnicas e todo um aparato mais profissional de fazer este blogue amador. :) Hoje temos vários parceiros e participamos de vários projetos que só nos orgulham e recebemos mais convites e propostas do que ainda conseguimos aceitar. Mas vamos conseguir.

No final do ano passado, demos um salto audacioso: mudamos de servidor e estamos ainda nos adaptando à nova casa. Isso foi um salto mas também um recomeço já que perdemos muitos números e links arduamente conquistados. Mas isso não me preocupa de forma determinante. O mais importante é não ter medo de mudar, de crescer, de melhorar. Porque o nosso, ou o meu intuito maior é fazer com que as pessoas e principalmente, os pais, possam encontrar neste espaço o estímulo que precisam para aceitar que o futuro depende dos filhos que estamos criando hoje.

 

Ana Cláudia Bessa

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Reusando

p1050063p

A cadeirinha de carro do mais velho começou a rasgar em vários pontos. A cadeira é indicada até um determinado peso e idade e sua capa não aguentou ser usada durante este tempo sem se desgastar. Para piorar, eu coloquei (como sempre) na máquina para lavar e ela rasgou mais ainda. Pensei em comprar outra mas fiquei pensando que essa daqui iria para o lixo e a outra no futuro também. Além disso, ele vai usar muito pouco, já que mantenho-o usando a cadeira apenas porque é mais confortável quando ele dorme.

Pensando na possibilidade de comprar outra capa,  eu, até por curiosidade, consegui o telefone do representante do fabricante (através do site na internet) e fiquei sabendo que uma única capa, nova, custava 140 reais. Não dava para gastar tanto dinheiro em algo que usaremos tão pouco.

Pensei na possibilidade de mandar para um estofador fazer uma igual mas eu já ouvi falar que uma pessoa fez e se arrependeu porque não ficou legal. Nem lembro quanto tinha sido cobrado, acho que foi 90 reais para um estofador aqui perto reproduzir a capa sem garantia nenhuma de que ficaria boa. Aliás, ele já preveniu que perfeita não ficaria.

Tive a idéia de remendar, e o estofador, reticente, topou. Falei que era só para eu usar por mais um tempo, que ele fizesse o melhor possível e graças as orientações que dei, consegui convencê-lo de fazer o serviço que ele falou que não daria para fazer de jeito nenhum porque o tecido estava rasgando com facilidade. Dei as orientações e ele se convenceu e cobrou 20 reais! Topei na hora !

p1050115pPegaria a capa no dia seguinte, ao final da tarde. Não orientei-o a usar um tecido de cor similar à capa porque fiz tantas recomendações de que a única ressalva era que o acabamento tinha que ficar bonito, que o importante era fazer os remendos com capricho, que achei que era óbvio. Apesar de já ter aprendido em experiências anteriores que nada é óbvio. Temos que falar em detalhes quando queremos algo sob encomenda. Tive que pedir , por exemplo, para ele usar um tecido que fosse além do rasgo de forma a não forçar uma parte que já estava cedendo, etc..etc..etc… Parece óbvio, né? Tanto não foi que você pode ver a cor do retalho que ele usou na cadeira. Eu não falei a cor!!! Mas eu nem reclamei porque fico tão cansada de ter que falar tudo e reclamar de tudo que preferi pagar os 20 reais e usar a cadeira durante mais um tempo. E ainda estou feliz da vida.

Pior para ele que sei que não é um cara caprichoso e que cuida dos detalhes do seu serviço. Se ficou ruim, não ficou. Ficou até “fashion”. Poupou o meio-ambiente de um lixo desnecessário e poupou uma boa grana. Mas dava para ficar bem melhor e com acabamento sem essa cara de remendo. Taí o resultado e a dica caso alguém passe pelo mesmo problema. Não jogue fora, não compre outra. Um bom remendo resolve!

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Ana Cláudia Bessa