Monthly Archives: dezembro 2007

Educação, pra quê mesmo?

“A educação liberta”

REMÉDIOS – parte 1

Neste post vou voltar a falar um pouco sobre a vida americana e o que tem de diferente que eu encontrei aqui.

No Brasil estamos acostumados a entrar nas farmácias e comprar qualquer remédio. Eu digo qualquer, pois até aqueles que são regulados por receitas azuis, os famosos tarja preta, você compra. Inúmeras reportagens de telejornais brasileiros comprovam isso. E quando não é direto na farmácia, você pode adquirí-los pela internet.

Eu mesma, quantas vezes, comprei antibióticos, ansiolíticos, remédio para pressão alta, anticoncepcionais e tantos outros, para mim ou outras pessoas, sem necessidade de uma receita. Fui criada com essa cultura. A cultura da auto-medicação. Completamente errado.

Portanto, quando cheguei aqui nos Estados Unidos e fui pela primeira vez até uma farmácia para comprar um anticoncepcional e me informaram que somente com uma receita médica autorizada eu poderia adquirí-lo, levei um choque. Tive um chilique, argumentei que eu já utilizava este remédio no Brasil e que não havia motivo para ele não me vender o remédio.

O farmacêutico (pois aqui todas as farmácias tem um de plantão enquanto ele estiver aberta) me explicou que: “neste país é lei, pois se algo acontecesse comigo na utilização do produto que ele venderia sem receita, eu poderia processá-lo. Auto-medicação é proíbida aqui, se no meu país isso era normal, ele não poderia fazer nada, mas aqui só com acompanhamento médico”.Grosseiro não, direto, normalmente assim são os americanos. Em assuntos assim não existe meio termo. Estão certos em não querer assumir responsabilidades.
Nem vou entrar no assunto de que no Brasil muito gente morre e chega a té a passar mal com a auto-medicação e a conivência das farmácias e seus funcionários.

Bem, voltando, – Pensei cá comigo: Ah isso é uma forma dos planos de saúde ganharem mais dinheiro, e claro os médicos também. E o que eu fiz? Quando soube que um amigo vinha do Brasil para cá, pedi que ele trouxesse os remédios que eu precisava. Mais uma vez cometi o mesmo erro.

O tempo foi passando, fui conhecendo melhor o sistema aqui e descobri que:

Se você não tem plano de saúde, qualquer médico que te atenda, dá para você DE GRAÇA todo o medicamento necessário. O governo entra com uma parte do pagamento e os laboratórios a outra;

Quando um médico prescreve algum remédio para você, ele faz a receita com a quantidade de dias e doses que você precisa e o farmacêutico prepara exatamente aquilo que você tem que tomar. Por exemplo, agora mesmo acabei de tomar um antibiótico por 10 dias, 1 por dia, então eu recebi da farmácia uma embalagem, com uma receita no meu nome e 10 comprimidos. Você compra exatamente o que vai usar, seja comprimidos ou solução. O remédio vem no seu nome e com seus dados.

Continua…

__________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter

PRÊMIO Escritores da Liberdade

A Drica do blog Natureza Inconstante nos presenteou com esta indicação e agradecemos muito!

Tão legal quanto a indicação é a forma interessante de divulgação dos blogs e da oportunidade desses blogs se conhecerem.

Agora, como normalmente acontece no mundo dos blogs, escolhemos 10 outros blogs para receber o selo e postamos aqui. Depois visitamos seus blogs e comunicamos a nomeação para que cada um nomeie mais dez, e assim, sucessivamente. Então, segue nossos dez nomeados que são todos blogs que falam de assuntos delicados ou não, sempre com liberdade :

-blog Kálido
-Clube da Insônia
-Ética Já
-Folha Verde
-Fora do Manual
-Lucas, milagre da vida!
-Mude o Mundo
-Seção Karinassa
-Síndrome de Estocolmo
-O Chato

Obrigada, Drica!

Não é divertido!

Há algum tempo atrás, fui surpreendida com a frase acima, dita pelo meu mais velho de 3 anos e meio. Fiquei espantada, claro.
Ao mesmo tempo, não me surpreendi porque isso é uma coisa que eu já tinha dito a mim mesma: esse negócio desses programas de TV ficarem falando em diversão o tempo inteiro, não pode estar certo!

E não deu outra: escovar os dentes, não é divertido!

Ele cismou com isso.
E quem disse que na vida a gente só faz o que é divertido?
Claro que a escovação pode ser divertida, podemos fazer ajustes (eu canto, faço careta, boto a lingua prá fora, escovo meus dentes com eles…), mas é certo que ele tenha sempre esta expectativa?

Eu faço muitas coisa que não são divertidas mas que precisam ser feitas e nem por isso são ruins.

Outro dia vi uma matéria ou entrevista sobre trabalho e prazer e alguém disse uma frase que mencionava que se o trabalho te diverte, você não precisa se preocupar em trabalhar… É certo que temos que fazer nosso trabalho com prazer e ele rende sempre mais e melhor. Mas será que essa deve ser sempre a expectativa?

Será que é certo acostumar nossas crianças a não terem este tipo de frustração?
Será que isso não pode ocasionar frustrações maiores e mais difíceis de lidar?
Escovar os dentes, nem sempre é divertido, mas é tão importante que devemos fazer com prazer.

Eu acho que diversão, prazer e satisfação podem caminhar paralelamente, sem se cruzarem em muitos momentos e nem por isso, devemos perder o entusiasmo de fazer as coisas.

E agora tenho que arrumar um jeito de ensinar isso para esse menino!
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Ana Cláudia Bessa

Roubalheira institucionalizada

Salete Lemos está fazendo participação fixa, com cachê, no “Hebe”, mas ainda não digeriu sua demissão da Cultura, em julho. Ela diz que foi dispensada após criticar os bancos e o governo. “Um banco ameaçou tirar o patrocínio se eu não me retratasse no ar. A Cultura perdeu o compromisso com a liberdade editorial”, afirma Salete. A Cultura diz que a demissão dela não teve relação com o comentário.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/zapping/ult3954u323871.shtml

Lei do Retorno

Em um belo e frio fim de tarde de um domingo outonal, estava eu chateada com não ter nada para fazer, quando me deparei com um comercial de uma seguradora americana. Ele dizia que todos temos uma responsabilidade com os outros. Era um comercial para vender seguros, mas o tema é muito interessante.

Faça o bem sem olhar a quem ou O que desejares para mim que venha em dobro para você, são duas frases “populares” que seu sempre ouvi enquanto crescia. Acredito muito na lei do retorno. Se você faz uma gentileza, ela volta, se você faz uma grosseria, ELA VOLTA!.

Temos responsabilidade sim com outros humanos que vivem ao nosso redor. Discutimos muito hoje em dia em como trabalhar para diminuir a poluição em nosso planeta. Também temos que trabalhar nossa consciência coletiva. Vivemos em comunidade e não adianta, precisamos de outras pessas que precisam da gente.

Se eu sempre faço algo em prol da comunidade em que vivo, outros terão um exemplo para também fazer a mesma coisa. Mesmo que isso seja um simples abrir de porta para uma pessoa que está carregando bolsas e está com as mãos ocupadas.

Sempre procurei fazer isso no meu dia-a-dia. E vou contar uma coisa que eu sempre fazia quando saía para o trabalho (quando ainda morava na zona sul do Rio de Janeiro onde o tráfego é muito alto nos horários de rush). Quando eu chegava à saída do prédio com meu carro, ficava aguardando que alguém me desse a oportunidade de passar para a rua, então logo a seguir eu fazia a mesma gentileza com outra pessoa que precisava de espaço. Aí vem a lei do retorno. Gentileza gera gentileza. Aí está a nossa responsabilidade.

Ajudar alguém que carrega peso, abrir uma porta, dar uma carona para um vizinho, ceder seu lugar no ônibus, não varrer sua sujeira para a calçada do vizinho, não deixar o som alto ao ponto de atrapalhar o bebê que está dormindo do outro lado da parede, pregar um botão para o irmão que está sem tempo para isso, pesquisar na internet um tema para sua mãe que não entende como fazer, e por aí vai.

É como se fosse uma daquelas correntes enviadas por e-mail, você recebe e passa para mais 10 pessoas. E funciona.

E nossa responsabilidade fazer com que o ambiente em que vivemos seja muito mais agradável, por isso é tão interessante ver as pequenas cidades brasileiras, onde todo mundo conhece todo mundo e ajuda todo mundo. Alguns vão dizer que em grandes cidades isto não é fácil, ok eu concordo que não é possível fazer isso, mas é possível fazer no condomínio, na sua rua, no seu trabalho, na sua escola, não é impossível.

Sempre me taxaram de chata por querer ser correta e não querer “embrutecer” por qualquer coisa, mas eu acho que devemos sempre tentar um acordo para qualquer situação antes de tomar decisões mais radicais e principalmente dar o exemplo as gerações que estão vindo.
Isto é nossa responsabilidade.

De acordo?

Depois encontrei um video no youtube que fala exatamente do exemplo que damos as crianças. Olha aqui

_________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter

O moderno homem das cavernas

Na casa de amigos, conversávamos com um casal recém-casado também convidado e claro, o assunto pairou sobre filhos. O que me chamou a atenção foi o comentário do amigo que disse que queria ter filhos mas que a mulher não contasse com ele para trocar fraldas. Nem pensar!

Isso é uma coisa que acho bastante interessante em muitos homens: eles querem ter filhos, a mulher grávida os fazem se sentir no auge da virilidade mas na hora de assumir os filhos como estes se apresentam, se acham no direito de “escolher” aquilo que eles vão ou não fazer pelos filhos.

Já pensou se a mãe resolve que também não vai trocar fraldas?

E o pior é que existem muitos homens assim, ainda hoje em dia.

Vivemos uma época de globalização, de igualdade de direitos, de abolição de preconceitos e o mesmo homem que sai em seu carro ultra-moderno com seu laptop dentro da pasta e vive todas as outras “modernidades” possíveis e imagináveis do nosso tempo, esse homem, esse mesmo homem, não quer trocar fraldas.
Não lava louça, não cozinha, não ajuda nos afazeres domésticos e se comporta como nossos avós (porque nem nossos pais são mais assim) e só vêem o filho como prova de sua constatada masculinidade.

E o pior: ainda existem mulheres que aceitam que seus homens sejam assim e ainda não deixam que o homem divida as responsabilidades da vida em comum.

Pois eu acho que as mulheres merecem mais do que homens ao seu lado simplesmente. Merecem companheiros. Nossos filhos merecem pais de verdade: que trocam fraldas, que dão banho, comidinha na boca, ajudam a fazer dormir, levantam de noite, dão remédio, levam ao pediatra e acompanham os filhos nos passeios e, principalmente, não acham que cuidar do filho é uma atribuição exclusiva da mãe. Porque gerar o filho também não foi.
Esse é o homem moderno.

É assim que pretendo mostrar ao meu filho como ele deve ser.

Porque ser homem não é apenas fazer o filho. Ser homem é também participar, manter, educar e DAR O EXEMPLO.

E não é só ser marido, é ser companheiro.

__________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

FILHOS?

Este blog é uma criação de, e, para pessoas que se procupam com o futuro do nosso presente, estamos sempre procurando mostrar nossas dúvidas, dicas e abordar temas muitas vezes polêmicos. Falamos sempre sobre os filhos que já temos e nossa preocupação com eles.

Estou levantando este tema porque me lembrei que na minha gravidez só falaram de algumas coisas para mim, como ter o neném, como amamentar, o que precisava comprar, mas não me prepararam para a impotência de ver um filho doente e não poder fazer nada, até que os remédios façam efeito, a não ser pegá-lo no colo, murmurar uma prece e falar baixinho no ouvido dele que – calma meu filho, já vai passar. Nem da dor de ver nos olhinhos do rebento a sua primeira decepção, ai meu Deus!.

Mas e as pessoas que ainda não os tem? O que será que elas pensam? O que será que elas sentem? Normalmente só falam das coisas lindas que a maternidade/paternidade traz, mas e as preocupações? E responsabilidades?
Muitas perguntas né?

A responsabilidade de ter e preparar uma criatura para o mundo é muito grande. Ter é fácil, mas continuar a preparação é que é difícil.
Tive oportunidade de perguntar a pessoas mais velhas qual era a preocupação delas quando tiverem os seus. A resposta que tive foi: nenhuma, só queríamos filhos!
Como mudou.
É muita importância, é muito importante.

Hoje não nos importa a quantidade mas sim a qualidade. Quem é mãe/pai, pãe ou mai sabe como é. Muitos valores se inverteram. Nós pensamos mais sobre este ato maravilhoso que é a criação de um novo ser e sua preparação para este mundo de meu Deus (adoro esta frase: “mundo de meu Deus”).
Mas percebo que quem ainda não tem filhos quase não deixam seus comentários em nossos posts, com raras exceções.
Medo? Não sei, dúvidas? Com certeza.

Eu só posso dizer uma coisa. Não consigo entender como a minha vida era vivida antes da vinda do meu filho. É impressionante isso. Era como se antes da vinda dele eu não existisse. É muito forte, é arrebatador. Mesmo com todos os problemas, dificuldades e preocupações.
Aí me lembrei de um Poema do Vinícius de Moraes que fala sobre estas criaturinhas e de forma bem divertida resume muito do que a gente sente.

Poema enjoadinho
Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

_________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter

Poema retirado so site http://www.viniciusdemoraes.com.br/

Recado da Mercedes

ESPÍRITO DE NATAL

Há muito tempo a comemoração tradicional do Natal já perdeu o último resquício de autenticidade em nosso mundo contemporâneo. Dizem até que já nasceu assim, visto que a data era mesmo dedicada ao deus pagão Mitra, e foi incorporada pela igreja católica por questões que não entrarão no mérito deste humilde e despretensioso texto…

Enfim, já que as tradições estão assim maleáveis… e pelo que ouço e leio, o verdadeiro espírito de Natal anda deixando muito a desejar para todos nós – resolvi fazer eu mesma um novo espírito de Natal… resolvi fazer aqui um ensaio de como pode ser um espírito-aquariano de Natal, na minha visão particular é claro.
Vou enumerar algumas coisas que podiam ser, digamos, adaptadas… e quem sabe tornarem-se ao menos mais divertidas ou genuínas?

Por exemplo: árvore de Natal… em vez de cortar pinheiros, podíamos iniciar a “tradição” do “plantio da árvore do Natal”… todos os anos, na véspera, iríamos com a família a algum parque ou no nosso jardim mesmo, e plantaríamos a árvore de Natal de 2007 (por exemplo). As árvores mais antigas nos lembrariam a infância de nossos filhos, ou a nossa adolescência… Isso já faria parte das comemorações, visto que todos teriam de ajudar. Também o cuidar da árvore perpetuaria o clima do Natal pelo ano afora…

A ceia é outro item onde podíamos inventar inúmeras novas tradições… cada uma das pessoas podia fazer um prato, mesmo que simples, nada de banquete… todos participariam, até as crianças. Ah, e uma das pessoas seria sorteada, porque seu prato seria levado até o local mais próximo onde houvesse pessoas necessitadas de alimento. Certamente daríamos boas risadas com alguns pratos, mas todo mundo ia sentir que participou de algum modo. A bagunça familiar na cozinha também faz parte das comemorações… afinal o Natal começa na véspera!

E se também instituíssemos que os presentes não poderiam ser comprados? Valem coisas inventadas, materiais e imateriais… vale cantar uma música ou fazer uma poesia, vale fazer um artesanato, vale trazer flores (roubadas do jardim, não compradas!). Vale fazer sachês, vale uma performance, uma piada… vale um abraço apertado; um beijo de tirar o fôlego também vale!

Por fim, podíamos nos sentar à ceia, comer e contar causos, e também conversar sobre o que cada um pensa do aniversariante… como cada um O conheceu, como é nossa amizade com Ele…

Você já pensou como seria um Natal assim?

Há espaço para a criatividade e para as relações?

Abra espaço neste Natal… especialmente limpando a área que anda entupida de ansiedade consumista, de dívidas financeiras, de angústia em parecer feliz.
Um lindo e generoso Natal a todos!
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Mercedes Lorenzo

TAPA NA ELITE

O filme TROPA DE ELITE é uma tapa na cara da gente. Um tapa na cara de todo mundo. Um sacode geral. Um acorda! O filme é violento e mostra a realidade nua e crua da violência no Rio de Janeiro. Ninguém concorda com o que retrata o filme. Mas a verdade é aquela. De qualquer forma, o efeito do tapa já passou e pouco se fala do filme. A comoção já passou.

Não acho que o BOPE seja “aquilo tudo” que mostra no filme, mas tenho certeza que a Polícia Militar é aquilo: baixo, pequeno e danoso à nossa sociedade que o filme mostra. Embora a polícia seja a “ponta” mais fraca da corda, embora exista policial sério e honesto. A maioria é aquilo ali. O Policial é vítima e algoz.
E mostra o mais importante: que é a “elite” da classe média que sustenta e mantém essa violência e o governo patrocina. É o consumidor de droga que financia e mata. É o governo quem deixa entrar e ficar.

Não sei se a legalização das drogas resolveria o problema, mas que daria um fim rápido à tudo isso, daria. Claro, que isso não é solução porque assim como o tráfico veio substituir os bicheiros, alguma atrocidade vai substituir o tráfico.
Mas até que isso tome força de novo, teremos um tempo para respirar e quem sabe, nos preparar para não deixar que isso aconteça de novo (utopia, eu sei…).

Cerveja não é droga, cigarro não é droga? E são permitidos e estão por aí, acabando com a vida de muitos jovens, levando muitos a morrer prematuramente e dizimando famílias. Mas só bebe e fuma quem quer. Não há tráfico, não há violência que seja sustentada pelo consumo dos mesmos. Há contrabando e falsificação, uso abusivo de propaganda e mídia, mas isso é outra história.

Outra coisa que muito me intriga é o que os militares ficam fazendo que não estão de plantão nas fronteiras e aeroportos coibindo a entrada de droga ilegal no país?

O que falta para o governo usar essa “inteligência” sub-utilizada?
A gente ainda não está em guerra com o tráfico de drogas?
Vai lá ver o filme para ver se aquilo não é guerra? Pode ser civil, mas é guerra.
O Brasil manda militares para outros países como o Haiti e nós estamos aqui, abandonados pelo nosso governo.

E outra coisa que me veio á cabeça outro dia: apesar da justiça ser lenta, ineficaz e medíocre, que tal se os usuários tivessem as mesmas penas que os traficantes? Usuário, atualmente, diante da realidade, deveria ser tratado como criminoso, pois é isso que ele é. E isso inclui todo mundo que dá uma inocente cheirada no seu baseadinho ilegal comprado do tráfico!

Sei lá, gente…a gente sai do filme elétrico e desanimado, porque tá difícil acabar com aquilo tudo. A corrupção está em todos os níveis de nossa sociedade e eu, pelo menos, não vejo solução diante de tanta impunidade, falta de vergonha, ambição e falta de caráter que reinam em todas as esferas. Nota Zero para o Brasil, nota dez para o cinema nacional. O filme é muito bom, infelizmente.

A gente se tranca em casa, anda nos nossos carros com ar-condicionado, coloca os filhos em escolas particulares, compra videos games ou não se preocupa com o que eles estão fazendo numa Lan House.
E senta na frente da televisão num dia de domingo…
achando que com a gente nunca vai acontecer nada.

Até que um dia, acontece.

Foto: capa do livro no qual o filme se baseia

__________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa