Monthly Archives: julho 2007

PARTO: acompanhante não paga!

Na época que eu estava grávida, ouvi muita gente dizer que os hospitais cobram pela presença de um acompanhante para a parturiente na Sala de Parto ou no Centro Cirúrgico. Muitas vezes, essa cobrança vinha (e ainda vem) disfarçada como custo da roupa descartável a ser usada. Mas essa roupa descartável é tão baratinha e falava-se em taxas de até 100 reais!

Eu não passei por isso. Tive meus dois filhos acompanhada do meu marido e sem que houvesse nenhuma objeção nem da equipe médica nem do hospital.

Contudo, é importante que saibam que depósito em hospitais ….É PROIBIDO POR LEI.

Foi publicado no D.O. em 09/01/02 a Lei numero 3.359 de 07/01/02 que define:

“Art.1o – Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internamento de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada.”

“Art 2o – Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pelo internamento.”

“Art 3o – Ficam os hospitais da rede privada obrigados a fixarem em local visível e dar possibilidade de acesso aos usuários, a presente Lei.”

“Art 4o – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.”

Divulgue para que as pessoas não tenham dúvidas e possam reinvindicar seus direitos em caso de necessidade.

E principalmente para que as mulheres tenham direito a estarem acompanhadas por quem desejarem. E que os pais também tenham direito a estarem com suas esposas e assistirem o nascimento de seus filhos sem que ninguém venha fazer disso mais um modo de mercantilismo.

80% dos partos são cesareanas, quando o recomendado é apenas 15% pela OMS.

Isso indica que, provavelmente, 65% deve ser uma cirurgia desnecessária feita por opção do médico ou da paciente e/ou desinformação da paciente.

Ser submetida a uma cirurgia sem necessidade correndo o risco maior (ou sem ser informada do mesmo) do que no Parto Normal é anti-ético e desumano.

Privar a mãe de partilhar este momento e receber apoio de seu companheiro também.

Divulgue esta informação e contribua para que o parto passe a ser menos médico e mais humano no Brasil.

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Texto de Ana Cláudia Bessa

Conhecendo o Rio: O ENCONTRO DOS TRÊS RIOS

Três Rios é uma das cidades mais importantes do Vale do Paraíba. Fica ali logo depois de Petrópolis (pela BR-040), a meio caminho de Juiz de Fora.

Esta cidade, que já se chamou Entrerrios, recebeu este nome porque em suas terras ocorre o encontro de três importantes rios: O Paraíba do Sul, vindo de S. Paulo, o Piabanha, vindo do Rio de Janeiro, e o Paraibuna, vindo de Minas. Ali eles se juntam e seguem com o nome de Paraíba do Sul, fazendo a divisa Rio-Minas até o noroeste fluminense.

Formação rara, este tipo de confluência possui uma beleza natural muito grande. Por isso, bem ali no Pontal foi construído um restaurante bem campestre onde você pode almoçar comida de fogão de lenha, num enorme varandão à beira do rio e da mata, apreciando uma natureza exuberante. “Celestial”, para quem gosta de peixe, é o SURUBIM NA TELHA. É comum a visita de animais silvestres.

Este mesmo restaurante é o ponto de encontro dos praticantes de “rafting”, aqueles passeios em enormes botes infláveis através das corredeiras do Paraibuna.

Atenção: Não aconselho o “rafting”, pois a poluição do Paraibuna não é pequena!

Mas o visual, a paz, a comida, valem a pena.
O preço é bem razoável, as crianças se esbaldam.

Indo pela BR-040, sentido Juiz de Fora, ao chegar no acesso a Três Rios, você encontra um Posto de Polícia Rodoviária. Entre como se fosse para o Posto e siga por uma estradinha que vai beirando a 040. Entre na primeira estrada de terra à direita (Tem placas indicando o Pontal – Hotel e Restaurante). É pertinho, e a estrada é ótima.

Este passeio pode ser coordenado com o da Estrada Real, se você planejar direitinho. Não dá meia-hora entre a estação de Paraíba do Sul e o Pontal.

Quem quiser curtir mais do que um almoço pode se informar sobre hospedagem e outras opções de lazer (cavalgadas, Treckking, pesca etc), no site http://www.aventur.com.br/.

Foto do encontro dos 3 Rios

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Texto de Ivo Fontan

Será que adianta? ( Cap.2)

Depois do acontecido no shopping, me lembrei do motivo pelo qual este blog foi criado. Ele começou a se formar quando o menino João Hélio foi arrastado vivo por bandidos no Rio de Janeiro. Fiquei muito chocada e me perguntando até onde vamos suportar viver sob tanta violência.

Talvez isso tenha me tocado tanto porque nunca tinha sentido esse tipo de violência tão forte depois de ter sido mãe e principalmente, porque eu sempre me preocupei com o que faria no caso de ser abordada por bandidos estando com meus filhos presos aos cintos de segurança no banco de trás.

Aí, recebi um texto de autoria do Paulo Coelho (que já postamos aqui) falando do quanto temos também nossa parcela de culpa nestas tragédias e em todas que acontecem todos os dias.
O que eu faço? Que mundo vou deixar para meus filhos?
Que nível de violência eles vão ter que enfrentar?

Eu não sabia, como ainda não sei , exatamente o que fazer. Tentei debater isso com um grupo de mães de várias partes do Brasil com bom nível cultural e social, que poderiam se organizar para tentarmos reagir diante deste quadro. Contudo, não quiseram debater o assunto e diante da minha insistência “inconveniente” fui convidada gentilmente a me desligar do grupo e fazer algo por conta própria em outro lugar depois que comentei uma mensagem que postava o editorial do Alexandre Garcia.
Nossa…como eu fiquei triste, na época…
É uma decepção enorme ver tanto desperdício potencial.
Mas na hora de usar nível diferenciado, para tentarmos mudar alguma coisa deste mundo caótico em que estamos vivendo, a maioria se cala .

Para mim foi muito difícil entender: eu dou boa educação ao meu filho, comida mais natural possível, controlo seus programas de TV, etc…

Mas…
Só me cabe rezar para que ele chegue à faculdade vivo.
Porque eu não posso fazer nada para mudar o mundo onde estou.
Estou trabalhando para dar á ele tudo que ele precisa e que se dane este país porque meu filho não precisa dele.
O resto…bem…o resto é o resto.

É como nosso governo: quem manda não quer saber de mudar nada.
E talvez muitas das pessoas que se calam façam a mesma coisa se um dia estiverem no mesmo lugar que eles. “Desfrutando” do mesmo poder.

E, aí, lamento dizer (e digo com tristeza,mesmo), desperdiça-se dinheiro na com educação lúdica, comida orgânica (que algum louco começou a plantar pensando em mudar o mundo…), gasta-se dinheiro á toa na livraria…
No mundo que a maioria não quer mudar,
Tudo isso é perfumaria.

Mas é uma maioria que pensa assim. E isso é o que me desanima.
E da mesma forma que na fila do shopping, somos tão poucos aqui frente a multidão calada que eu muitas vezes me pergunto:
Será que adianta?
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Texto de Ana Cláudia Bessa

Pessoas que fazem diferença no Mundo

Dorothy Mae Stang ,

conhecida como Irmã Dórote, foi uma freira norte-americana naturalizada brasileira.

Ela estava presente na Amazônia junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Trabalhava intensamente na tentativa de minimizar os conflitos fundiários, principalmente a grilagem de terras e a extração ilegal de madeira.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte sem deixar intimidar-se.
Pouco antes de ser assassinada com sete tiros à queima roupa, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, declarou:
«Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»

Saiba mais sobre a vida de Dorothy Stang:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dorothy_Stang
http://www.brasiloeste.com.br/noticia/1702/dorothy-stang
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u105580.shtml
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MENOR IDADE

É fato que, vez ou outra, a mídia nacional escolhe um tema, ou temas, que serão o foco das atenções da opinião pública. E uma das “bolas da vez” é a redução da maioridade penal, que tem ocupado um espaço cada vez maior em jornais, TV´s, internet etc.

Sempre que uma campanha destas aparece, nós, como cidadãos, devemos refletir que interesses estão envolvidos e se é justa a causa defendida pela imprensa.

Afinal, casos de delinqüência e participação de menores em crimes não é uma novidade.

Será que estes crimes têm realmente aumentado?
Será que a redução da maioridade, da forma como é proposta, vai resolver nossa situação?
Respostas para estas perguntas exigem calma e não podem ser resolvidas no calor da emoção.

Ao acabarmos de ver uma reportagem, como do caso João Hélio, somos levados a clamar por esta redução. Mas e depois de algum tempo, comparando os prós e os contras, será que nossa opinião será a mesma?

A questão abordada pela redução da maioridade penal é bastante complexa. Eu particularmente sou contra, por acreditar que o problema da criminalidade extravasa a simples noção da idade, envolve fatores sociais, educativos, políticos e econômicos, e até psíquicos. Mas também acredito que o tempo máximo estipulado para internação não é, muitas vezes, suficiente para recuperar ou avaliar este jovem. Portanto reduzir a maioridade penal, no calor de nossas emoções, é criar uma saída paliativa, temporária. É “empurrar” a solução para nossos próprios filhos, que no futuro terão pela frente a mesma discussão. È deixar para eles esta “batata quente”.

Devemos entender que muitos jovens são empurrados para a marginalidade por falta de opção, por falta de perspectivas e oportunidades. E que os pais destes jovens, muitas vezes, estão desempregados ou ocupados demais com a sobrevivência para poder responder às suas obrigações. Ou, de repente, também foram cooptados pelo crime.

Não se trata de esconder o problema ou passar a mão na cabeça destes jovens, mas de entender que existem outros caminhos para reinseri-los à sociedade. E que eles merecem sim, um sistema diferenciado que evite que entrem para a Escola e Universidade da bandidagem, como se transformaram as penitenciárias, os presídios brasileiros e mesmo a própria FEBEM. O maior criminoso é aquele que arregimenta um adolescente para o crime. Adolescente que um dia poderá ser uma criança, se continuarmos pensando que a redução resolverá o problema. Hoje clamamos pela redução para 16, depois para 14, depois para 12 e assim sucessivamente. No Oriente Médio, as facções de luta armada, como o Hezbollah, recrutam crianças para a guerra. Pelo menos é isso que nos passa a mídia. Quem garante que o tráfico, com a redução, não procurará esta alternativa (se já não está procurando). A pena para um sujeito que alicia jovens deveria ser bem maior e mais severa. Esta sim seria uma medida mais eficaz.

Temos que enfrentar este problema agora. E a via mais sensata não me parece a redução, matéria aliás, inconstitucional, pois a Lei Máxima de nosso país determina a maioridade em 18 anos. Não podemos deixar que a mídia, por mais bem intencionada que seja, pense por nós; que decrete a urgência desta decisão passando por cima de outras questões tão importantes quanto. Do Congresso talvez não possamos esperar muito, pois a maioria dos congressistas não desejará se indispor com a opinião pública e votará aquilo que lhes for mais conveniente politicamente. Mais uma vez os problemas não são discutidos em suas causas, mas em suas conseqüências. Sendo assim, empurramos para nossos filhos um problema no futuro, um problema maior e mais cruel.

Muitos casos recentes de crimes hediondos nos assustam pelos requintes de crueldade. Entretanto é salutar discutirmos que não importa apenas a lei ser severa, mas ser aplicada. E no Brasil o que acontece é isso: não está interessando se o marginal vai ficar preso três dias ou trinta anos. O que importa é que o marginal sabe que, na maioria das vezes, a mão pesada ou leve da lei não o alcançará; que sempre haverá um policial ou juiz para “molhar a mão”; que sempre haverá uma sociedade horrorizada com a violência, mas que só abre os olhos quando o problema está escancarado demais, arraigado demais… A realidade da violência tem sido forjada há anos, mas quase todos preferiram “fechar os vidros de seus carros”. É isso: a sociedade não se interessa até que o problema bata à sua porta ou apareça na tela de sua televisão. Enquanto o problema é “dos outros”, na verdade “está tudo bem”.

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Texto de Renata Gonçalves

Conhecendo o Rio: O TREM DA ESTRADA REAL

Para você, 135 Km são uma viagem ou um passeio?

Se você respondeu passeio então não perca esta dica.

135 Km é a distância do Rio até a pacata Paraíba do Sul, seguindo pela BR-040 (Rio-Belo Horizonte). Entre no acesso a Três Rios e Paraíba do Sul fica ali “coladinha”.

O que é que tem lá? Tem um passeio imperdível. O TREM DA ESTRADA REAL.

É um passeio de duas horas (quatro, ida-e-volta), em “maria-fumaça”, por um trecho recuperado da antiga Estrada Real (aquela que vinha lá das Minas Gerais).

O passeio começa na Estação de Paraíba, e vai até o distrito de Cavaru, 14Km adiante, com parada na Estação de Werneck. Atravessa regiões de mata atlântica e antigas fazendas do tempo do café. Cruza também o rio Paraíba por um antigo pontilhão de ferro.

É lindo! Nas estações você pode comprar artesanato e comidas típicas e vai também vivenciar uma aula de história, inclusive da nossa (infelizmente destruída) história ferroviária, como por exemplo a “ponte rotatória”, em Cavaru, onde o trem faz a “manobra” para retornar aos trilhos na direção contrária. Eles ainda fazem como há cem anos!

Os preços e horários são os seguintes:
Crianças de 5 à 12 anos: R$ 8,00

De 13 até 64 anos: R$ 15,00
Acima de 65 anos: R$ 12,00
Todo sábado às 14:30h
Todo domingo 10h e 14:30h

Atenção, para ter certeza, pois estes dados são do início do ano, você pode ligar para: Secretaria Municipal de TurismoTelefone: (24) 2263-2368 ou (24) 2263-6116 (guichê da estação).

Você sai de casa pela manhã (nem precisa ser muito cedo) e está de volta no finzinho da tarde ou no início da noite. As crianças ADORAM.

Curiosidade: Sabe a origem do nome CAVARU?

Era assim que os antigos escravos das fazendas da região pronunciavam CAVALO!

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Texto de Ivo Fontan

Sugestões para políticos

Toda hora eu me deparo com alguma situação em que penso: Taí, isso podia ser lei.

Embora as leis não sejam cumpridas por não ter fiscalização e porque os cidadãos só funcionam na base do “chicote”, o primeiro passo, é a lei existir.
Fazer cumprir, é outra história, um segundo passo.

Então vão aí, algumas sugestões para nossos políticos terem o que fazer para melhorar a vida de seus eleitores:

-Acabar com o atendimento PREFERENCIAL. Todo comércio e prestador de serviço deve ter um serviço de atendimento EXCLUSIVO para idosos, gestantes e deficientes. Porque o que mais se vê é gente que não tem direito (na maior cara grande) a atendimento prioritário na fila porque a placa diz Preferencial.

-Todas as calçadas devem ser da mesma altura, sem sobressaltos ou desníveis para que deficientes, idosos e carrinhos de bebês possam passar livremente. Devem ter ainda rampa de acesso e uma largura mínima sinalizada para que os motoristas não estacionem em frente às mesmas.

-Todas as empresas devem ter um departamento preparado para dar destino ou orientar o consumidor a dar destino reciclável ao lixo produzidos pelos seus produtos. Isso já está acontecendo com empresas de pneus que já estão se organizando para dar destinos aos pneus que não são mais reutilizáveis. E mesmo assim, já estão começando tarde e com um déficit enorme para o meio ambiente.

-Todos as novas construções e condomínios são obrigados a ter estrutura para coleta seletiva de lixo. Seja em lixeiras disponíveis, seja em dutos separados, seja em norma de convenção. Os condomínios antigos teriam um prazo para se adequarem a nova lei.

-Criar um fundo ou leis de incentivo financeiro a pessoas físicas e jurídicas através de bancos privados e do BNDES para produção de projetos de construção ecologicamente corretos. Mais conhecidas como casas verdes, pois estudos já demonstraram que este tipo de construção ajuda mais a combater o efeito estufa que o próprio Protocolo de Kyoto. Inclusive, essa semana, já saiu a notícia de que receberemos o primeiro Selo Verde para um prédio construído no Brasil, ou seja, construído seguindo orientações que reduzem o impacto ambiental. Viva!

O que você acha?

Não se acanhe, dê a sua sugestão e ela constará no próximo post como continuação deste. É só deixar escrito nos Comentários.

Quem sabe alguém não se interessa em aceitar uma de nossas sugestões e criar novas leis, pequenas leis mas que fazem muito para melhora a vida de nós, cidadãos?

Um grande abraço a todos!


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Texto de Ana Cláudia Bessa

Brinquedo de Sucata

Hoje em dia a reciclagem é assunto discutido por pessoas de todas as idades. Muitas crianças já têm consciência de que o lixo pode ser renovado ou transformado em algo útil. Em casa ou na escola elas aprendem a dar valor em materiais que aparentemente não serviriam para nada e transformam sucata em brinquedos.

O brinquedo feito com sucata, além de ajudar a preservar a natureza, é oportunidade dada à criança para desenvolver sua criatividade e seu pensamento crítico em relação ao desperdício (conseqüência do consumo desenfreado). É uma maneira simples, econômica e divertida de educar e ajudar na formação dos cidadãos mirins.

Resgatando a Infância

Não precisa voltar muito no tempo para lembrarmos das brincadeiras e dos jogos que inventávamos sem precisar sair de casa. Lembro-me de quando era criança e que a falta de recursos, muitas vezes, me “obrigava” a colocar a cabecinha para funcionar e a fazer meus próprios brinquedos. Como era divertido fazer tartaruga com caixa de ovos, bonecos de meia, barquinhos de papel… e brincar com as sobras de legumes.

No meio dessa era do descartável há uma infinidade de opções que podem fazer do seu lixo um brinquedo educativo e atraente para as crianças. Você já pensou em construir um vai-e-vem com garrafas pet, um bibelô com copo descartável, dobraduras com papel, um jogo da velha com tampinhas coloridas, um fantoche com caixinha longa vida, um chocalho com garrafinhas de leite fermentado ou fazer casinhas com caixas de fósforo?

Então não perca tempo! Chame seu filho, sobrinho e todas as crianças que estiverem por perto. Use a criatividade e a imaginação para construir brinquedos e jogos originais.

Infância Roubada?

Outro ponto que julgo ser interessante tocarmos é o apelo da mídia pelo consumo de brinquedos que usam tecnologias cada vez mais avançadas, sem contar a promoção de personagens e de “personalidades”, como é o caso daquele grupo os Rebelados…..os Rebeldes (sei lá!) e mais todas essas coisas que a mídia cospe no comércio e nos entopem de cd’s, dvd’s, bolsinhas, blusas, agendas…

Será que essa situação, muitas vezes incentivada pelos próprios pais, não mascara a verdadeira identidade da criança? É tão bom ser a gente mesmo, não é? Pensem nisso!

Sugestões de links que ensinam a construir brinquedos com sucata: http://www.ultragaz.com.br/comunidadeativa/alegria.htm http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=692 http://www.recicloteca.org.br/Default.asp?Editoria=7&SubEditoria=35

http://www.clicfilhos.com.br/site/display_materia.jsp?titulo=Lixo+que+vira+brinquedo

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Texto de Renata Gonçalves

OS MORANGOS E AS FORMIGAS

Era a realização de um sonho de vida. Minha casa, de madeira, com quintal, varanda, jardim…
A floresta exuberante “lambendo” o quintal. Meus filhos soltos, andando de bicicleta na rua de terra.
A noite o aconchego da lareira, o coral dos sapos. De dia os pássaros, as cores, os cheiros.
E, naturalmente, a horta!

Claro, tudo isso sem uma horta para colher meus próprios alfaces, couves, tomates, não seria a realização completa de meus sonhos.

Tudo ia muito bem até o dia em que resolvi cultivar… morangos!

Nunca antes havia visto um pé de morango na vida. E daí?. Comprei as mudinhas, preparei o canteiro e iniciei a plantação já me sentindo o maior produtor do pedaço.

Tudo foi bem. Os moranguinhos surgiram. A primeira leva eu comi todinha antes mesmo que eles atingissem o tamanho e a doçura ideais. Veio a segunda e, com um pouquinho mais de paciência eu saboreei frutas mais gostosas. Assim foi até um dia em que me deparei com elas!

Estavam lá, formando uma fila serpenteante pelo canteiro. Cada uma com um pedacinho de folha engastalhado em cima da cabeça, carregando, de forma organizada, todo o meu morangal sei lá para onde!

Eu não acreditei no que via. As formigas estavam dizimando minha plantação de morangos.

Calma, disse para mim mesmo. Isso faz parte da vida no campo. Vamos enfrentar o problema. Sem fazer mal às pobrezinhas que só estavam fazendo o que a natureza lhes determinava, fiz de tudo para enganá-las e desviá-las para outras “comidas” menos nobres. Induzi a fila para a direção da amoreira, das ervas daninhas e, até mesmo das couves! No dia seguinte lá estavam elas de novo. Metade das folhinhas já tinham ido. Negociei com elas. Os alfaces! Tudo bem, um canteiro de alfaces inteirinhos, em troca dos morangos.

No dia seguinte adivinhem! Perdi as estribeiras. É guerra? então vamolá. Lancei mão de todo o arsenal de que dispunha: limão, vinagre, água de fumo, sabão de coco, inseticida. Parti prá porrada!

No dia seguinte… Perdi! Não tinha mais uma única folha. Meu morangal parecia uma plantação de alfinetes. Só tinha os talinhos. E as malditas, certamente morrendo de rir de mim, já não estavam mais lá. Fiquei desolado. Nem tive coragem de desfazer o canteiro. Deixei os alfinetes lá e passei a cuidar das couves e dos alfaces, desprezadas pelos monstrinhos. Algum tempo depois novas folhinhas começaram a surgir. Dali vieram as flores, os frutinhos e… acreditem, a safra de morangos que veio foi, de longe, a mais extraordinária. Frutos enormes, enjoados de tão doces, abundantes!

Dali em diante eu ficava torcendo para as pestinhas aparecerem!


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Texto de Ivo Fontan