Conselho do MEC recomenda entrada no 1° ano de crianças com seis anos
“Em resolução publicada nesta sexta-feira no “Diário Oficial da União”, o CNE (Conselho Nacional de Educação) determinou que 31 de março é a data limite para que as crianças que vão entrar no 1º ano do ensino fundamental completem seis anos. (…) ”
Me impressiona como é tacanha um sistema de ensino que não permite à criança capacitada avançar.
As crianças devem ser avaliadas por sua capacidade e não pela sua idade.
O que justifica uma criança apta a ser alfabetizada a se manter na pré-escola?
E o pior: num mundo como o nosso, podemos nos dar ao luxo de atrasar e desestimular crianças?
Nos coloquemos no lugar dessa criança capaz, mantida em algo inferior à sua capacidade.
O que ensinamos às crianças desde cedo a não ser a desmotivação logo cedo a impedindo de avançar?
Está na hora do sistema de ensino rever seus conceitos e avançar junto com o mundo,empreender não é tolir capacidades.
É hora do sistema de ensino parar de tratar as crianças como gado e começar a desenvolver potencialidades individuais. Porque somos seres individuais com necessidades, capacidades e potencialidades diferentes.
Não é justo com a criança e nem educativo mantê-la num projeto de ensino inferior à sua capacidade somente por causa da idade. Isso é castração do seu desenvolvimento dinâmico e espontâneo, isso é desmotivador, isso atrasa suas conquistas, desmotiva seu desenvolvimento futuro.
Cabe ao professor e não à faixa etária, a autoridade para definir se a criança está pronta para dar uma passo adiante em seu desenvolvimento escolar.
Se o professor não estiver apto, aà é outra história. Tão grave quanto atrasar o aluno.






futurodopresent






Oi Ana! Nossa, que tema esse…acho polêmico impor o ingresso baseado em idade. Por um lado penso como vc, mas por outro sou a favor de a criança esperar pra entrar no fundamental. Falo isso por tudo que aprendi até aqui em relação à primeira infância e tb pelo que passei, ao ingressar no fundamental antes da hora. E, veja, do ponto de vista intelectual eu estava preparada. Mas emocionalmente…definitivamente não!
A verdade é que toda criança estimulada avança. Só que a um custo emocional alto demais, entende? E segundo alguns estudos, um custo fÃsico tb, e o dano só vai aparecer lá na frente, perto da terceira idade.
O problema que vejo é de ensino, público e privado, no Brasil. Estimular a criança na medida certa, preservando a infância e evitando a intelectualização precoce. Na turma da Pipoca no ano passado testemunhamos um aluno que entrou com 5 anos já totalmente alfabetizado e não foi submetido a atividade sintelectuais. E o estÃmulo através de oras atividades como artes, música, trabalhos manuais e corporais foi muito positivo pra essa criança. Ele não ficou desmotivado, ao contrário, equilibrou energias, interesses e mesmo habilidades. O problema de fato é se obrigar uma criança já intelectualizada a ficar numa turma de jardim nos padrões tradicionais.
A Pipoca escreve o nome dela, reconhece várias letras, números e tem interesse em aprender. isso sme a gente estimular e sem ver nada disso na escola. Eu não nego informação, mas procuro nãl estimular. E ainda assim ela ama a escola e as atividades que faz lá. Ela não precisa de mais intelectualização e não precisará com certeza por mais 2 anos, ainda que eventualmente demonstre interesse e capacidade.
Enfim, esse é um papo muito rico, podÃamos abordar no grupo…
Beijo!
Re
Re, eu tb, acho errado e sou contra essa superestimulação infantil. Mas infelizmente , como sempre, estão atacando no problema e não na causa e os penalizados são as crianças.
O MEC tem que controlar a qualidade das escolas, a qualidade do conteúdo e a capacitação dos professores. Por outro lado, os pais precisam tb fazer seu papel de parar de escolher escolas que desrespeitam o desenvolvimento das crianças e as superestimulam. É a droga da lei de mercado: tem superestimulação das crianças porque a maioria dos pais paga por isso. É aà que deve haver uma campanha informativa. As escolas particulares fazem o que querem , desde que sigam a cartilha do MEC que ainda trata o aluno coletivamente. O que defendo é o respeito ao desenvolvimento individual. Isso tem um preço que todos temos que pagar. Mas que vale à pena.
Ótimo tema para discussão.
Ana, parabéns pelo blog.
Vou ler sempre.
Abs
JanaÃna – São Paulo
É aquele velho problema, amiga: meu discurso para o ideal encontra vários poréns quando lembro da situação geral, dos problemas, sociais do Brasil, enfim…muito, muito complicado…queria mandar um link pra esse post para o grupo…vc se importa?
Beijo
Re
Ana, eu acho melhor que definam uma data-limite para impedir que a criança avance do que o contrário. Porque na grande maioria das vezes em que a criança está preparada do ponto de vista intelectual não está do ponto de vista emocional. E isso pode não se refletir de imediato, mas laáááá pra frente, na adolescência, que já é uma fase complicada.
É importante que os professores sejam capacitados para avaliar se a criança tem maturidade para acompanhar uma certa turma do que capacidade intelectual. Porque uma escola “rica” em termos de ensino nunca vai deixar uma criança inteligente desestimulada.
Ana, sinceramente, não fico espantado com tais diretrizes editadas pelo atual governo (não que os governos anteriores tenham sido melhores que este), na medida em que, desde o primeiro dia de sua 1ª gestão, o Presidente da República deu declarações menosprezando a educação acadêmica e desdenhando do necessário desenvolvimento cientÃfico do paÃs (mais especÃficamente com relação à s pesquisas desenvolvidas no paÃs).
Com o passar do tempo e a edição de novas lei e diretrizes, o menosprezo pela educação acadêmica e, consequentemente, o flagrante desestÃmulo na formação de educadores, professores e afins se tornou cristalino.
A (pseudo) “análise” dos problemas do paÃs, especialmente no que pertine à educação, jamais será efetiva, se continuar sendo dada continuidade à atual polÃtica que insiste em “agir” baseando-se em meros números e estatÃsticas, desconsiderando a qualidade do ensino.
A persistência nesse erro, trará, como efetivamente traz, distorções entre o mundo real e mundo formal, onde naquele temos uma infinidade de pessoas que não sabem ler ( entendendo o texto) e/ou escrever (formulação de frases, parágrafos, etc), enquanto que neste, o Ãndice de analfabetismo cai anualmente e de forma vertiginosa, pois, cada vez mais pessoas conseguem “assinar” (desenhar) seus nomes, sendo consideradas alfabetizadas.
[...] vi uma polêmica sobre uma nova determinação do MEC que me fez pensar nestas imposições públicas que são sem [...]
É amigos,diante de tudo o que vocês disseram, penso em reescrever este texto com mais pontos de vista, afinal, é uma realidade inquestionável a de que a educação virou um comércio e que os muitos pais permitem e até pedem de seus prestadores de serviço que seus filhos sejam adiantados a qualquer preço. Mas também não muda o fato de que essa medida é como tirar o burrico da sala… resolve de forma imediata mas sem resolver o cerne da questão efetivamente.
Obrigada JanaÃna pela sua visita e por suas palavras. Ficaremos esperando sempre seus comentários que serão muito benvindos!
Não sei se colocaria dessa forma, Ana…acho que são dois problemas diferentes que se embolam, o que torna tudo mais complicado. Penso que é preciso levar os dois em consideração – isso não invalida sua crÃtica nem meu discurso…rs…é preciso buscar solução para os dois.
As reflexões e trocas que os blogs proporcionam são mesmo fantásticas. A conclusão a que chego é que os que sabem ouvir e ler os pontos de vista divergentes com respeito sempre saem ganhando!
Beijo
Re
ANA…, estou de passagem fazendo o q mais gosto…, ler, pesquisar e argumentar.
Sou educadora e atualmente estou na direção de uma escola de Educação Infantil. Pactuo com vc a insatisfação da Educação Brasileira, porém não acho desperdÃcio nossas crianças permanecerem na educação infantil. Infelizmente é desanimador e deseperador como muitos professores deste nÃvel de ensino, minimizam a capacidade infantil numa rotina simplista (parque, areia, atividade) e diminutiva (lanchinho, bonitinho, trabalhinho)!!!! Isso realmente me entristece e embravece ao mesmo tempo.
Nossas crianças são capazes, curiosas e habilidosas. As oportunidades, equilibradas com a responsabilidade, geram resultados surpreendentes e toda vez que nossos alunos forem tratados como seres pensantes e construtores de seu próprio conhecimento, estaremos valorizando o ser humano sem atropelar os nÃveis de desenvolvimento e encantamento que todos temos.
Porém não concordo quando vc aponta as instituições de Educação Infantil, como prisões e gaiolas…, antes as vejo como espaço livre e aberto onde cultivamos a beleza da infância, sem minimizar, ridicularizar, menosprezar e infantilizar as idéias de nossas crianças, apenas oferecendo ambiente propÃcio, lúdico e prazeroso para que a construção de novos saberes se concretizem e tenham no Ensino Fundamental um elo precioso de continuidade e não um rompimento brusco onde a importância e a seriedade do trabalho se vislumbra.
Espero realmente que nossos alunos, possam ser considerados e respeitados como seres pensantes e não como máquinas do saber, onde a aprendizagem é confundida com ensinagem. Por isso, não acredito que a inclusão de nossas crianças de seis anos para o EF, seja a solução mas sim a sintonia e sincronia dos nÃveis de ensino, da escolaXfamÃlia, interesses polÃticos e decisões governamentais.
Agradeço a oportunidade!
Boa-noite
Elika, Não entendi muito sua mensagem mas eu pensei bastante sobre todos os comentários postados aqui e pretendo escrever mais sobre o assunto, tão logo eu consiga. Contarei com suas observações a respeito. Obrigada!