A violência masculina desde a infância e o rodeio de gordas
Posted on 28 outubro 2010
Mais uma vez vemos alunos universitários se comportando como animais irracionais.
Recentemente, foi a Geisy sendo humilhada e quase agredida (ou melhor, quase linchada) por uma multidão de jovens na Uniban porque estava vestindo um vestido curto. E a entidade expulsou-a (leia-se, puniu a vítima) enquanto os outros envolvidos foram apenas afastados . Se eu ou algum de meus filhos estudasse lá, eu mudaria de universidade na hora.
Agora as gordas são as vítimas da violência física e moral. E sempre e banal é a violência contra a mulher.
Alguns alunos da Unesp fizeram um chamado “RODEIO DE GORDAS”. A “diversão” consiste em puxar conversa com meninas gordas e jogá-las repentinamente no chão montando sobre elas como se fossem touros de rodeio. Ganhava quem permanecesse mais tempo sobre a vítima que durante a violência ainda era chamada como animal de montaria. A agressão era organizada e tinha até venda de camiseta e comunidade na internet. Pelo menos, é isso que andaram divulgando. Mas andam também dizendo que não foi bem assim e que o assédio era discreto e apenas a menina era agarrada e ficava ouvindo os absurdos ditos por estes estudantes.
Inevitável para mim desassociar o comportamento juvenil delinquente com a infância. Quem educou, como educou, onde educou?
A família fez parte atuante na infância ou foi educado por terceiros cujos valores eram desconhecidos?
E o que passa na TV, a criança imita comportamentos? Quando nos perguntamos, onde ele aprendeu isso, pode ser dentro de casa. Algumas TV’s abertas passam desenhos absolutamente impróprios como “Os Simpsons” diariamente pela manhã! Um absurdo.
Que exemplos damos em casa e na escola? Ridicularizamos os diferentes? Rotulamos por padrões estéticos de beleza, cor de pele, sexo? E com relação ás mulheres, a educação é sexista, preconceituosa e machista?
A violência contra a mulher me indigna mas não me espanta. Além do caso de agressão na universidade, as agressões relacionadas à homofobia também são constantes. Meninos são educados desde criança a guerrear, serem violentos e agressivos. Olhe os brinquedos para meninos: Só dá monstros, guerra, ataque, violência, armas de fogo, destruição. A violência é masculina já na tenra infância. A sociedade não dá opção, ou dá muito poucas e a maioria acaba absorvida sem nem perceber. Isso não é a única causa mas uma delas, muito provavelmente.
Aí, quando agridem mulheres, queimam mendigos, surram outros até a morte, sempre tem que pergunte: o que foi feito de errado?
Nós, mães que temos o olhar mais apurado para a educação dos filhos, comprovadamente,temos q ficar atentas à violência social masculina desde a infância. E chamar sempre os pais para estarem presente, não ajudando, mas fazendo a parte deles. Os filhos são do casal e os pais (homens) assim, como seus meninos, também foram educados pela “batalha” e a violência para eles é muito mais banal que para nós. Eu mesma certa vez debatendo sobre um desenho que considerei violento, vi que para meu marido, era apenas mais um desenho como tantos outros.
Penso que tem tudo a ver a violência banalizada na infância com o comportamento juvenil delinquente e intolerante.
Os pais não são os únicos responsáveis e a sociedade empurra os pais a tercerizarem os filhos de forma sistemática. Qualquer um substitui os pais, sendo que a propabilidade de alguém ter um olhar mais dedicado, criterioso e cuidadoso são justamente eles.Toda a sociedade precisa ajudar os pais a cuidar das crianças. Escolas precisam mudar, vizinhos, amigos, parentes. Mudar uma sociedade adulta e mal formada é muito mais difícil do que cuidar das crianças.
As crianças são responsabilidade de todos porque elas formarão a sociedade do futuro como estes jovens delinqüentes, um dia crianças, formam a sociedade doente que temos hoje. Não é só a família que paga o preço de uma pessoa mal formada, toda a sociedade paga esse preço.
Não espero outra coisa da Unesp se não uma apuração enérgica deste episódio para que ele sirva de exemplo para este e outros jovens. A entidade tem obrigação de punir com rigor porque educa de forma pública os filhos dos cidadãos que pagam impostos para que esta entidade, espera-se, educacional , faça seu trabalho.
Infelizmente, já sabemos que , mais uma vez, a violência continuou banalizada dentro de uma universidade pois os alunos envolvidos levaram uma punição de 5 dias de afastamento, ou seja, um prêmio pela violência cometida: uma semana de descanso em casa.
As perguntas que não querem calar são:
-se fosse seu filho, você diria que foi uma coisa á toa, que isso não é violência, e foi algo sem importância?
-se fosse sua filha, como você se sentiria diante de tanta violência e impunidade?
-se seu filho estudasse nessa universidade?
-e sua filha estudasse?
—-
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4 responses to A violência masculina desde a infância e o rodeio de gordas



@anaclaudiabessa



e sobre a Unesp… fique tranquila, é uma insituição MUITO séria e respeitável, eu tenho muito orgulho de estudar aqui! E vou carregar esse orgulho comigo, pq esse lamentável episódio protagonizado por meia dúzia de caras imaturos intelectual e emocionalmente nem de longe representa os estudantes maravilhosos que temos por aqui. Só esperamos que a punição seja JUSTA, que puna não apenas para botar medo nas futuras gerações, mas que consiga CONSCIENTIZAR e PREVINIR, para que isso não volte a acontecer! Cuidaremos de perto para que isso seja possível!
Ana, muito legal o sua manifestação. Também acredito que o respeito que esses alunos não tiveram pelas colegas se aprende em casa, e não na escola! Um bom profissional, qualquer que seja a profissão, é, antes de tudo, um bom ser humano.
Mas, por Deus! Já cansei de explicar nos blogs que as garotas não eram jogadas no chão e os meninos não subiam em cima delas! a “graça” do jogo era FICAR ABRAÇADO com a menina depois de ter sussurrado as ofensas pra ela!
O grau da violência não diminui só pq estou dizendo que eles só ficavam abraçados; mas tem muita gente xingando AS MENINAS pq acham que elas se submetiam aos caras que supostamente subiam nas costas delas! ELES APENAS ABRAÇAVAM, A GAROTA NÃO SE SUBMETIA. Se elas tivessem sido jogadas no chão, os caras teriam apanhado ali mesmo, na hora! Mas como estavam apenas abraçados, não dava para os outros perceberem a violência!
Espero ter esclarecido.
tod@s nós estamos chocad@s. Sempre pode piorar!
abraços solidários.
Temos um grande desafio ao educar os novos jovens, né, Janaína?