A Mulher na prateleira da história
Posted on 19 agosto 2009
Semana passada eu assisti um filme que gostei muito pela qualidade da produção e por contar uma história real. O filme se chama “A Outra” e conta a história de Ana Bolena (1501-1536) que é considerada a rainha mais controversa da Inglaterra. Como eu adoro história, adorei o filme mas é uma história de ambição e tragédia que fez o rei romper com a igreja católica e resultou no nascimento da Igreja Anglicana e mostra, mais que tudo, o quanto as mulheres já foram usadas e subjugadas na história do mundo.
A história é a seguinte: O Rei Henrique VIII da Inglaterra queria um filho homem e sua esposa, a rainha Catarina de Aragão não poderia ter mais filhos. O pai de Maria e Ana Bolena, influenciado pelo irmão, oferece a filha solteira, Ana, para se tornar amante do rei. Alguém seria amante, que fosse a filha dele, assim receberia “favores” e teria influência. Mas acaba que o rei se interessa pela irmã de Ana, Maria, que mesmo casada, é influenciada a aceitar a “corte” do Rei, sob aceitação (a contragosto) do marido. Maria então vai para o castelo, vira amante do rei e engravida. Por uma necessidade de repouso durante a gravidez, perde o interesse do Rei e o pai das Bolena, volta a oferecer a filha Ana (!). Resumindo, Ana acaba se tornando rainha da Inglaterra mas é decapitada, em torno de 1000 dias depois da coroação, por traição por sob acusação de ter praticado incesto com o irmão, o que não aconteceu.
É difícil não ter discursos feministas quando vemos a trajetória das mulheres na história do mundo. Nesta história toda, a única que nunca concordou com nada, foi a mãe das Bolena. Mas sua palavra e opinião não tinham peso nenhum. E suas filhas, foram como sempre, mulheres usadas como seres apenas para sexo e procriação, sem vontades ou sentimentos.
Isso é passado? Sim, em parte é. Mas continuamos vivendo numa sociedade machista e mesmo sob outros aspectos, a mulheres ainda são muito exploradas (principalmente sexualmente) e subjugadas. Então, fica fácil a gente entender porque é tão difícil para nós, aceitarmos certas posturas hoje em dia.
Aí, ontem lendo pela primeira vez um post do Site do Morróida ele narra sua insatisfação com as mulheres que não correspondem ao mesmo sentimento e tratam o cara como “amigo”. E termina falando, na opinião dele, o que essas mulheres merecem: “ Na eventualidade do excesso alcoólico, não hesite (…)se ela ficar bêbada além da normalidade a ponto do vômito e da amnésia temporária, COMA-A SEM DÓ, TIRE FOTOS E PUBLIQUE NA INTERNET!”
Se o texto se mostra um desabafo bem humorado de um dos revezes da condição masculina, ele termina de forma absolutamente retrógrada com traços de modernidade. Assim como o Rei Henrique VIII, vemos um homem achando que a mulher que não faz a sua vontade, merece fazer sexo sem vontade e ser decapitada publicamente. Não? Ou a gente pensa que publicar as fotos ou imagens de uma mulher transando na internet, é o quê? Fazer sexo com um homem sob amnésia temporária é sexo voluntário?
Vamos fazer o mesmo paralelo: Se a mulher se sente traída ou desprezada e publica as fotos ou imagens do cara praticando sexo com ela, ele vira gostosão e ainda tira onda. Com a mulher a coisa é mais cruel. Mulher ainda é piranha. Absurdo mas ainda é.
Outro ponto, é a questão de não hesitar em “comer a mulher sem dó”. Bem, pelos termos dele, a mulher estaria bêbada em ponto de amnésia temporária. Pra mim, sexo sem consentimento é estupro. Terceiro ponto é a covardia porque a mulher é impossibilitada de fazer o mesmo com o homem, “comê-lo sem dó”, quando ele não quer ter relações com aquela determinada mulher.
Conversei com o @morroida pelo twitter e ele me garantiu que essa não é a reprodução do que ele acredita, ou seja, o Fabião –que posta– é um, o @morroida é outro, pelo que entendi. Aliás, devo dizer que ele levou minhas críticas numa boa, coisa rara hoje em dia. O que me preocupa é que o humor, em todas as esferas, está perdendo os limites. É que eu não concordo que sob pretexto do humor pode-se fazer e falar de tudo. Por isso eu detesto o programa Pânico, por exemplo, e acho o CQC muito melhor (ou melhor, menos pior).
Sei que ele não está falando de meninas de 10 anos. Fala de mulheres. Mas será que não falta um pouco de preparo nesta história? Ele alega que o cara legal é usado, enquanto o cafajeste pega todas. O cara que pega não é legal ou menos legal…ele tem pegada. Simples. E quem nunca levou um pé na bunda que atire a primeira pedra. Será que o cara legal não está se interessando pela mulher errada? Procure mulheres legais que não gostem de cafajestes, oras!
Uma diferença básica entre a mulher cafajeste e o homem cafajeste é que a mulher não tem como forçar um homem a praticar sexo contra sua vontade.
Me incomoda demais qualquer coisa que se relacione a sexo sem consentimento, seja com mulheres de 10 ou de 50 anos. Porque a mulher pode sim ser forçada. O homem não. Talvez o homem só entenda o que sentimos se um cara gostar dele mais do que ele gosta do cara e se ache no direito de abusar sexualmente da sua bebedeira. E ainda colocar tudo na internet, claaaro.
Precisa denegrir publicamente a mulher só porque ela não o quer? Precisa sugerir que se faça sexo com ela sem consentimento? Precisa colocar isso num blog super-lido (ele teve mais de 120 comentários num post, nunca cheguei nem perto!)? Não exagerou? Não precisa pensar antes de escrever?
A pegada meus filhos vão ter que aprender sozinhos, eu não posso ensinar. Mas vou ensinar a serem caras legais para que não tenham atitudes retrógradas perante as mulheres e não achem que elas estão em prateleiras para que eles se sirvam. Se puxarem ao pai, vai dar certo porque ele é um cara legal e a mãe nunca gostou de cafajestes.
Ele pode estar brincando, eu entendo e ri de parte do texto mas exagerou muito no final. E eu levei a sério, sim. Porque brincando ou não, o que ele escreveu, é sério.
.
A Outra – filme : http://www.interfilmes.com/filme_19101_A.Outra-(The.Other.Boleyn.Girl).html
Ana Bolena http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Bolena
Rei Henrique VII http://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VII_de_Inglaterra
18 responses to A Mulher na prateleira da história



@anaclaudiabessa



Amigos, é isso aí. Por conta e sob pretexto de que blogs de humor dão retorno financeiro, assim como os programas de humor na TV, desrespeito e códigos de ética e respeito são ignorados. Temos a questão cultural que faz parecer normal violência contra a mulher, contra o homossexual, contra o CDF,enfim contra aqueles que incomodam por serem diferentes ou “mais frágeis”. É aquela velha história das mulheres que são estupradas com roupa curta e falam: “também, o que ela queria usando essa roupa?”. Como se a roupa desse o direito aos outros de nos abusarem. Isso precisa mudar. Obrigada por suas opiniões ao post. Com certeza, eu prefiro ter muito menos comentarios – mas de infinita qualidade- do que o blog desse rapaz que tem tantos comentários absurdos que apoiam seu texto. Nem comentei no blog dele porque não quero atrair seus comentaristas para cá. E porque, na verdade, seria pregar no deserto, plantar no cimento. Nunca havia lido, não li outro texto porque não me interesso por blogueiros que acham que o importante é ser famoso e ganhar dinheiro. Assim como sei que ele pouco se importa com minha opinião.E só cheguei a este post dele porque no twitter um monte de gente elogiou e fiquei curiosa. Depois fiquei mais ainda: cadê o bom senso e o critério das pessoas? No twitter, quando falei com ele, só uma pessoa se manifestou,mulher, defendendo que era um texto de humor e nao deveria ser levado a sério. Em que mundo estamos?
Oi, passando só para lembrar
Amanhã tem vídeochat às 10h30 sobre “Consumo Consciente” veja detalhes em http://migre.me/5I5N
Está dada a largada para a Blogagem Coletiva.
Vamos fazer com que seja um sucesso!
Conto com você!
abs
[...] http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2446 [...]
Caramba!!!!
Falar o que depois disso? Você foi perfeita em todos os pontos do seu texto, se eu fosse acrescentar qualquer comentário certamente sería dispensável; não conhecia seu blog e vou dizer que amei seu posicionamento sobre o assunto, é exatamente o que eu penso, muitos homens vão naquela de que ‘pimenta nos olhos dos outros é refresco’. O que falta é as pessoas começarem a se colocar no lugar dos outros antes cometer semelhantes absurdos.
Parabéns pelo post (além de ter citado um dos meus filmes preferidos)
Ana, eu concordo 100% com o comentário da Denise Rangel. Humor o car*lho!
também nunca gostei de cafajeste. talvez por isso meu marido seja quem é.
o que mais me deixa irritada é o número de meninas que leriam esse post que você falou e ainda achariam engraçado. e o tanto de amigas minhas! de mulheres inteligentes, instruídas.
eu acho muito difícil criar homens legais nesse mundo (e eu também tenho 2). mas eu acho ainda mais difícil criar meninas que se dêem o respeito, viu? criar filhos ecologicamente corretos é bem mais fácil.
Ana, nunca li o blog que vc cita, nem nunca lerei. É aquela velha história, e isso aconteceu recentemente no twitter com uma piada ofensiva aos negros. Há sempre argumentos pra justificar, mas no fundo esse povo perde o amigo mas não perde a piada (na melhor das hipoteses) ou realmente não tem respeito algum pelas minorias e pelo outro em geral (na pior das hipóteses – e provavelmente é esse mesmo o caso). Pior do que a pessoa escrever coisas do gênero, é ela ter audiência.
Outro dia um fdp no trem se esfr*gou numa das meninas que trabalha aqui em casa até g*zar nela – desculpe a terminologia, mas não tem como explicar de outra forma – se quiser, fique a vontade pra censurar. Ela chegou aqui chorando se sentindo suja e humilhada. E eu chorei de raiva. De raiva, muita raiva do sujeito que faz uma coisa dessas. E, pelo que já me contaram, ai da mulher que encara um sujeito desses no trem, e sabe por que? Por que a macharada toda começa a encarnar. Pois é.
E depois acham que propaganda de cerveja com mulher seminua é ok.
Me lembrei tb da polêmica envolvendo a Juliana Paes e o José Simão. Confesso que dou umas risadas com ele de manhã no carro, e talvez o motivo pelo qual ela se sentiu ofendida seja até meio besta, mas acho absurdo o argumento de mtas pessoas que ciritcaram ela de que se ela tira foto pelada ou faz fama por causa da bunda tem que aguentar quieta ofensas sexuais. Porque essa lógica só serve pra mulher, exatamente como o que vc cita nesse post.
E no final das contas, nessas horas fico com mais medo do que já tenho do futuro, do que minha filha, criada com todo cuidado em vários aspectos, vai ter que encarar. Tenh medo dos meninos e homens que cruzarão o caminho dela, mas confio na educação que estou oferecendo e, eterna otimista que sou, nas mães dos meninos. Sei que poucas são como vc, mas sinceramente tnho esperança de que evoluiremos, ainda que lentamente.
beijo e parabéns por tocar nesse tema tão importante.
Re
Ana querida,
Lindo texto, claro, direto, suave. O melhor é como você inclui isso na sua vida: ensinar seus filhos a fazer diferente. Eu conheço o @morróida (ops, o Fábio) e confesso: não chego nem perto do blog dele. O dele e de muitos outros foram para a black list por absoluta falta de interesse (para mim).
É raro, raro. O único, entre os “famosos” que consegue, é o @cardoso – ontem chorei de rir com as respostas às perguntas que ele recebe no twitter.
O que realmente me entristece não é este fato. É isso, mais as propagandas que estão por aí (a Marjorie Rodrigues fez um ótimo post), mais a falta de respeito com seres humanos generalizada – seja por sexo, idade, cor ou condição social. Caaansaaaa…
(e mais valem 9 comentários que falam ao coração que 120 de bobagens)
Ana, que dó deste rapaz! Se prostituir de tal maneira por conta de uma postagem, somente para satisfazer os leitores rejeitados que ele tem e garantir ‘audiência’ e por que – Meu Deus! – tanta pobreza para garantir acessos ao blogue? Quem produz um texto daquele e publica, merece ser exposto em praça pública.
Então, li os comentários e só tem ‘mané’ comentando. Álias, decepção com alguns blogueiros e blogueiras – garotinhas escrotas e velhos babões – um nojo!
Enfim, queremos que as mulheres sejam respeitadas, mas este respeito começa por nós. Não se deixar usar, que denigram a nossa imagem ou que sejam incentivados atos de violência. Aquele texto é uma violência contra a mulher, do começo ao fim e deveria ser levado a um orgão de defesa feminina.
Eu, estou passada! Peraí que vou lá ler o texto dos ‘meninos”.
Segundo o dicionário Michaelis:
estupro
es.tu.pro
sm (lat stupru) 1 Atentado ao pudor cometido com violência. 2 Coito sem consentimento da mulher e efetuado com emprego de força, constrangimento, intimidação ou decepção quanto à natureza do ato; violação.
Sendo que sabemos que pode ocorrer com homens também.
A verdade é que a linha é muito tênue entre o humor e incitação a que outras pessoas cometam atos criminosos que podem e devem ser punidos por lei.
Quando eu era adolescente tinha um colega de classe que dizia que “homem quando é amigo de mulher é cabeleleiro” e todos riam, eu tenho amigos homens, são amigos, sempre foram e sempre serão, porque a amizade não nasceu da intenção de um “pegar” o outro, o problema é quando um dos dois se faz de amigo quando na verdade quer algo mais, aí com certeza alguém sai machucado.
Bem infeliz o texto dele, muito infeliz!
O caso é que o blog dele é considerado de humor, um humor escrachado e bem politicamente incorreto e não vejo nada errado com isso. Agora, é preciso responsabilidade com tudo que a gente escreve porque tem gente que acessa e não se liga que é uma brincadeira, enfim, é preciso responsabilidade porque tá cheio de idiota por aí que acredita.
OI, Ana!
Concordo contigo. E, olha, fiquei com uma mistura de sentimentos ao ler o que o cara escreveu – me senti triste, ofendida, até senti um pouco de pena dele, tamanha estupidez.
Mas, sabe, pensei cá comigo uma coisa: se ele é o tipo de cara que pensa assim – e publica isso na internet! Jesus! -, é claro que ele ainda vai escrever muitos posts reclamando sobre seu infortúnio com as mulheres. Porque pensar assim é que vai fazer com que ele não pegue ninguém…
Ter pegada ou não pra mim é a mesma coisa que ser gostosão. Uma coisa chama a outra.
O problema do cara que se transforma em amigo de uma, até então, potencial parceira é que não dá pra ser bonzinho o tempo todo. Não dá pra pedir “por gentileza vou introduzir meu membro na sua vagina.”
Teóricamente toda mulher quer um homem carinhoso afetuoso rico cheiroso etc. e quando um homem aparece com semelhantes características é descartado. É bom demais pra ser verdade.
Ana, o texto desse rapaz me parece de alguém que não gosta das mulheres, não estou dizendo que o mesmo é homossexual ou coisa do gênero, mas sim que não respeita a mulher como um ícone da sociedade.
Admito que há muita sem vergonha por aí, mas se o cara fosse íntegro, bastaria não estar com estas e não fazer de sua insignificância um motivo para degradação.
Não é porque existem idiotas que devemos nos portar como um.
Beijoka do Urso
Ana, Bola fora do @morroida. Personagem ou não , o texto ultrapassa o politicamente incorreto e chega as raias do crime, sexo nessas condições é estupro, crime previsto no código penal e o post pode até dar problema sério para seu criador. Henrique VIII, é um vilão absolvido pelo contexto histórico. Mas isso não quer dizer que ainda hoje, guardadas as devidas proporções, não existam homens que ainda veem a mulher como mais um bem a dispor. Belo post, quero mundo ver este filme.
abraço
Ana Cláudia, sou meio agressiva ao tratar deste assunto. Sinto muita raiva, não só pela postura dos homens que pensam que mulher é para seu prazer, mas principalmente pela impunidade que impera na sociedade. Você disse bem: sexo sem consentimento é estupro. Mesmo que seja namorada ou esposa. Se a mulher diz não, houve abuso, se o sexo é feito à força. Esta tradição de oferecer a mulher para atender os interesses masculinos não mudou. E hoje em dia, o ‘dote’ é muito mais caro, do ponto de vista emocional. E quanto a posts “bem-humorados”, me desculpe, humor é o c@(³t3! Eles escrevem o que pensam e o que fazem (ou gostariam de fazer). Um homem que respeita as mulheres e tem sentimentos nobres, jamais escreveria uma barbaridade destas.
beijo, menina
Ola Ana,
Concordo com cada palavra sua. Cheguei a sentir uma ponta de tristeza ao perceber com clareza que nós mulheres não passamos de objetos, ainda hoje.
Mesmo com tantas conquistas de nossa parte, o homem e seu orgulho ferido, acha que para se sentir mais homem e melhor consigo mesmo precise denegrir a mulher de todas as maneiras, seja na cama, no trabalho, no transito…
Amo ser mulher e não troco isto por nada, mas realmente me entristece ver que este tipo de comportamento esta longe de acabar e parece ser mais difundido, já que blogs de grande audiência são capazes de publicar absurdos como este.
Alias, muitas mulheres se prestam a certos tipos de coisas, como vender a própria imagem como mulheres objeto, frutas, etc.
O publico que nos lê, nem sempre é bem esclarecido (devido à inclusão digital todos tem acesso aos textos que publicamos), e pode achar que o correto a fazer é aquilo que se lê na internet. Por isto temos que ter muito cuidado com o que publicamos, pois querendo ou não influenciamos pessoas e acabamos nos tornando responsáveis por aquilo que cultivamos.
Espero, sinceramente, que este quadro um dia venha a mudar.
Excelente post! Assisti ao filme duas vezes, e acho-o excelente por retratar bem os costumes e absurdos de uma época. Melhoramos muito de lá para cá, mas nossa sociedade ainda está longe de ser a ideal.
Beijos!
Ótimo artigo, Ana Cláudia.
Disse tudo o que eu penso e mostrou que é preciso tomar cuidado com o que se fala publicamente, mesmo que através de uma ‘persona’ de um blog. Temos que pensar que nossas palavras podem sim influenciar pessoas, às vezes até de forma diferente do que era nossa intenção original.
E fiquei com vontade de ver o filme!
Beijos!