A morte e o fim
Posted on 30 junho 2009

No mesmo dia da morte do Michael Jackson, faleceu minha tia.
Tia Dida.
A família dos meus pais é grande e eu tenho muitos tios e primos. Muitos, a maioria absoluta, mora em outros estados, portanto, tem gente que nem conheço. A Tia Dida foi muito presente na minha infância e fiquei muito triste com sua partida. Foi de uma forma tão repentina: levou um tombo e bateu com a cabeça. 40 dias depois, faleceu.
Meu tio, marido dela, faleceu há nove meses, apenas. Ou seja, meus primos perderam pai e mãe em menos de 1 ano.
Depois de adulta, estive poucas vezes com eles. A vida é assim, nos afasta, ainda mais quando moramos em cidades diferentes.
Mas no enterro, não pude deixar de lembrar os momentos que passei com ela, com meu tio, com meus primos (que são mais velhos que eu). Tenho claro ainda na lembrança estes momentos.
Primos que poucas vezes encontramos também depois de adultos. Minha prima, filha mais velha dela, já é avó e sua neta é mais velha que meu primeiro filho. Ou seja, ela foi avó antes mesmo de eu ter sido mãe! E quando nos encontramos, ela me abraçou e lembrou de quando eu dormia em sua cama. Minha outra prima, sua irmã, me chamou de bonequinha, porque era assim que ela me tratava. Me senti criança de novo nesses abraços.
O coração apertou pelas lembranças, pela tristeza dos meus primos que perderam, de repente, pai e mãe.
Inevitavelmente, pensamos nos nossos pais. No tempo que ainda temos com eles.
Pensamos em tudo o que vivemos, dos tempos em que tudo para o que eles viviam era para ver as crianças correndo, brincando, comendo. Como hoje fazemos com nossos filhos.
Morte é sinal do tempo. Ele está passando. Ontem éramos apenas filhos, sobrinhos, primos.
Hoje somos pais, tios. Ontem foram eles, hoje somos nós. Amanhã, serão nossos filhos.
A morte não é o fim, mas termina aqui nossa convivência nesta vida. E vão com eles lembranças e momentos que nem nós lembramos, coisas que somente eles testemunharam de nossa infância. Sentimentos, emoções, momentos, alegrias, sorrisos, palavras.
Sempre que morre alguém com quem convivemos, morre um pouco de nós mesmos.
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@anaclaudiabessa


