Um relato de parto – parte 7
Posted on 27 maio 2009
PREMATURIDADE
Não sei exatamente em que momento após a cirurgia surgiu a história de que o meu menino era prematuro. Que eu saiba, o bb já pode nascer 15 dias antes ou depois da DPP (data provável do parto) que vai estar tudo bem. É o período que se chama gestação a TERMO. Pela DUM (data da última menstruação) o parto, como disse anteriormente, poderia ser a partir de 31/07. O médico previra a data a contar de 02/08. A bolsa rompeu dez a doze dias adiantados. Mas com esta história de prematuro, justifica-se tudo. A baixa glicêmica, a cirurgia “salvadora” por causa da queda do líquido amniótico, enfim…
Pela DUM, como mencionei antes, ele nasceu com 38 semanas e 3 dias. Ele nasceu com 2895g, perímetro cefálico 36cm e 50 cm de comprimento. Com apgar 8/9. Neste ponto minha dúvida é: pelo que sei, prematuridade de peso, seria abaixo de 2800g. Prematuridade de tempo, abaixo de 37 semanas. O teste do pezinho, revelou posteriormente que nenhum dos índices indicaram prematuridade.
-Prematuro nestas condições?
Mas me foi dito que foi feita pelo método de Capurro que avalia várias caracterísitcas do bebê nos primeiros minutos após o parto.
Tudo bem, ele nasceu com bastante vérnix, mas esse dado apenas seria indicativo de prematuridade?
O fato é que trouxeram-no para a primeira mamada por volta da meia noite; não lembro da cena, mas o fato ainda está vivo na minha memória. Estranho… mas é assim. Ele pegou o peito super rápido e com muita facilidade. Não percebi o quanto mamou, mas eu apaguei logo em seguida.
Às 3 da manhã, voltam com ele para mamar. Eu já estava um pouco mais lúcida e ele novamente mamou com tranqüilidade. Depois apaguei novamente. Às seis ele voltou e mamou menos, observei isso mas achei que poderia ser normal. Não sou uma pessoa apavorada.
A pediatra do plantão veio falar comigo (acho que foi a mesma que acompanhou o parto e, por acaso, ela não era a esposa do médico que normalmente o acompanha, o que também me causou estranheza…Será também por medo da localização do hospital? -tijuca-) . Perguntou como eu estava e disse que entendia como eu me sentia, pois ela também havia passado por uma cesárea e até hoje não engolia a cirurgia. Não entendi como ela sabia daquilo, mas eu ainda não tinha condições de falar coisa com coisa. Ela disse que tinha ido falar comigo porque o bebê estava com o nível de glicose baixo e por isso ela estava administrando NAN para ele, junto com as mamadas, mas que não era para eu me preocupar pois se tratava somente de uma medida preventiva, até que os níveis de glicose viessem a normalizar.
Só que o que aconteceu é que ele ficava no berçário porque eu não tinha realmente condições de ficar com ele, e quando ele vinha mamar, mamava cada vez menos e dormia direto, chegando ao ponto dele não mamar nada até às 10 da manhã. Então a enfermeira veio buscar falando que tinha que dar NAN pra ele (“A médica prescreveu, “mãezinha”…). Foi aí que eu comecei a reclamar e falei que se continuassem a dar NAN pra ele, obviamente que ele não ia mamar no peito, e que eu queria que parassem de dar o NAN. A enfermeira vendo que a “mãezinha” não ia mudar de idéia, deixou-o no quarto com a gente. Eu ainda tentei fazê-lo mamar novamente, mas ele simplesmente nem abria os olhinhos.
Depois de algum tempo chega uma outra pediatra no quarto e explica que ele não está acordando por causa da baixa glicose no sangue e que, mesmo administrando NAN, ele não estava mantendo um nível satisfatório. Explicou também que esse quadro poderia ter sido causado pela prematuridade (?) e que se não fosse normalizado poderia causar até danos cerebrais (falam tanto nisso que a gente não sabe se é verdade ou se é aquele argumento que convence a “mãzinha” a fazer o que eles querem). Em vista destas circunstâncias ela estava indicando que ele fosse colocado no soro, mas que para isso ele teria que ser internado na UTI (!!!).
De uma hora pra outra, ele virou prematuro e precisava ir para a UTI. Apenas porque a bolsa estourou “antes” do tempo, tinha nascido com pouco peso e estava com muito vérnix. Disseram até que ele tinha 48 cm quando na verdade, eram 50 cm, conforme registrado na ficha do hospital. Soube de nascimentos de crianças menores, e com o mesmo médico, que sequer se cogitou prematuridade. Sinceramente, pelo meu sentimento, não acredito nesta prematuridade. Pela DUM, pelo tempo que levou até eu começar a sentir os sintomas de gravidez e posteriormente, pelo desenvolvimento do bebê após o nascimento. Mas o fato é que não tive sequer o prazer de ter nosso filho conosco no quarto quando os amigos vieram nos visitar no hospital. Foi muito triste ter que dizer que ele estava na UTI e ninguém poderia vê-lo. Eu mesma não pude receber pesssoalmente algumas pessoas porque de 3 em 3 horas eu ia lá amamentá-lo. E não fazia nenhuma força; para sair de lá. Me partia o coração deixá-lo sozinho.
continua na próxima semana
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@anaclaudiabessa



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