Polêmicas confissões? | Ana Cláudia Bessa

Polêmicas confissões?

Posted on 14 maio 2009

pe0060238… ou polêmicas reações ?

Maria Mariana acabou de escrever outra confissão -ela que escreveu as de adolescente, que nunca li-, agora de mãe, e está causando a maior polêmica diante de suas afirmações depois de ter 4 filhos.

Ela fala que mulher que tem parto normal é porque merece, assim como quem amamenta, que só quem casa é feliz, que homem é que tem que estar no comando, etc.

Acho incrível é que mulheres inteligentes, instruídas, bem informadas estão quicando com as declarações dela. Eu que sou defensora ferrenha das mulheres, que acho que temos que tomar nosso lugar no mundo com a importância que realmente temos, estou mais assustada com a indignação e agressividade dessas mulheres do que com as declarações da Maria Mariana.

Eu defendo a atuação das mulheres e saí do mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Ambiguidade? Não! Eu me sinto atuante, sim! Sempre fui.

Atuo quando digo que meus filhos não terão babá, nem ficaram em creche antes dos 3 anos (e só foram para a escola não para creche porque quiseram, pediram por isso). Atuo quando digo que amamentar não é fácil fazer papinha e mamadeira é muito pior mas é preciso amamentar (e só nós temos esse alimento para dar, não é uma questão de escolha) e que poucas mães tem reais problemas para amamentar mas a maioria acha que dar a latinha de Nan é mais fácil, e dá. É fato. Assim como é fato que não é a mesma coisa. Talvez quando ela diga que amamenta quem merece, seja exatamente isso: aquela maioria que tem dificuldade e busca informação e consegue. A maioria que busca, consegue reverter e amamentar. Uma minoria absoluta é que tem reais problemas fisiológicos.

Mas isso não é ser menos mãe…tem mãe que faz coisa pior como amamentar fumando. Não dá para ter ilusões.

Atuo quando penso que cesárea eletiva é uma escolha retrógrada diante da seriedade que é escolher uma intervenção cirúrgica sem necessidade clínica. Atuo quando, mesmo depois de ficar em casa cuidando dos filhos, volto a ter uma atividade profissional. É possível, e ficar em casa foi um momento, que está passando. Mas isso não quer dizer que as outras mulheres estão erradas. É a minha opção e a minha possibilidade. Você tiraria os seios pela possibilidade de ter um câncer? Então, como justificar uma cesárea apenas por medo da dor, ou porque é mais prático, mais rápido?

E quem disse que não estou errada? Posso estar errada como qualquer uma de nós, todas podemos estar erradas, seja qual for nossa escolha. Mas você imagina opção melhor do que a que você fez para sua vida? Uma minoria dirá que sim. O mesmo acontece com Maria Mariana.

Uma grande amiga, Renata Matteoni do blog Pipocando disse algo que achei fantástico: “as pessoas odeiam aquilo que não compreendem” e deve ser um pouco disso mesmo porque só isso justifica rotularem a autora como louca (ou coisa pior).Será que ela não está tocando em feridas abertas, mal resolvidas? Aliás, recomendo a leitura do texto que foi o mais ponderado que li até agora!

Por exemplo, quando ela fala que “Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor.” Eu não pari naturalmente. Embora meu desejo e luta para isso tenham sido bem grandes mas diante de uma experiência tão intensa, quem não se torna melhor? Eu sinceramente imagino que eu seria melhor, muito melhor. Mas……..por não ter tido, não me sinto inferior. Sou o melhor que pude, e dei o máximo que pude. E acho sinceramente que parte da responsabilidade da mulher ter que lutar para ter um parto normal é culpa das próprias mulheres. Parte. Uma parte grande é dos médicos, mas isso é outro assunto. Sou defensora do parto normal, não o vivi, tenho minhas responsabilidades sobre isso, sim, mas só Deus sabe que mãe eu seria se tivesse parido meus filhos naturalmente. Uma mulher diferente, com certeza. Meu parto é uma ferida aberta, mas resolvida. Sendo assim, suas declarações não me doem.

Eu deixei de trabalhar para ficar em casa e cuidar dos meus filhos. Não vejo a maternidade e o casamento da forma que ela vê, mas sei lá se com 4 filhos, eu não veria…rs… E por isso, embora, ame a maternidade e ter muita vontade de ter mais filhos, eu não os teria porque não imagino a possibilidade de ter 4 filhos e criá-los bem trabalhando fora, tendo que prover. É possível, é. Mas deve ser enlouquecedor. Por isso, escolhi meus dois filhos e me dedicar à eles durante o tempo suficiente para eles e para mim. Tanto que já estou retomando minha vida profissional. E lamento, sinceramente, que nem todas mulheres possam fazer desta forma ou que as que podem, não façam. Mas cada uma sabe de si. Só sei que eu poderei olhar para trás e dizer que vivi intensamente os melhores anos dos meus meninos e da maternidade sem arrependimentos do que não perdi dos tempos que não voltam mais. 

Sinto, sinceramente, que a presença feminina no lar de forma mais atuante faz diferença e estou falando isso estando dentro de casa e trabalhando. Eu busquei e encontrei uma alternativa para o que eu queria e acreditava. Tenho uma amiga que é juíza, tem uma babá e o filho dela é muito bem criado. Não existe regra. E a verdade é que uma carreira de juíza não dá para simplesmente largar. Isso vai ser cobrado do(s) filho(s), inevitavelmente. Eu fiz química, adoro, mas estava cansada.  Tanto quanto nunca seria juíza. Mudei minha vida com prazer. Se nem todas as mulheres tem essa possibilidade (o que é uma realidade) ninguém precisa achar que a Maria Mariana está generalizando. O que ela relata é a realidade dela. Assim como eu tenho a minha e minha amiga juíza tem a dela.

O que eu acho importante é que um dia os sutiãs foram queimados por feministas ortodoxas e as feministas, mesmo as ortodoxas, continuaram a usá-lo. Foi um ato simbólico de um extremo. A Maria Mariana está remando contra uma forte maré com suas opiniões e sua opção de vida. E muito do que ela diz vale como reflexão, mesmo que seja do que não devemos fazer. Mas sem agressões, com imparcialidade. Tudo tem mais de um lado, mais de uma visão. Se ela acha que homens e mulheres são diferentes, eu concordo. Mas se ela acha que o leme está na mão do homem, eu acho que o leme está nas mãos do casal. E tomara que ela esteja preparada para pegar o leme, nem que seja para o marido dormir. A mulher precisa buscar seus caminhos individuais e em família. E a independência feminina é importante sim. E não me iludo, mesmo a Maria Mariana deve ter a dela.

Se eu tivesse uma filha ia criá-la para ser independente porque simplesmente, só assim, ela poderá ter consciência para fazer suas escolhas, mesmo as que os outros considerem retrógradas.

A verdade é que muita gente anda tendo filhos sem pensar em quem vai cuidar deles e o fazem de forma displicente. Que ela faça as pessoas começarem a se preocupar mais com as famílias que insistem em formar sem querer abrir mão de nada. Será que o mundo não está como está justamente porque cada uma só pensa na sua própria realização, exclusivamente? Será que não existe um meio termo entre ela e a realidade do mundo corporativo das mães e pais que trabalham, mesmo os que precisam inevitavelmente prover? Mães e pais provendo só dinheiro é suficiente? Será que a escola mais cara é a melhor escola?

Por fim, parece que ela falou que ser mãe é tirar seu ego do centro. Putz…todo mundo olhando o lado negativo da frase. Bom, quem é mãe sabe que é impossível manter nosso ego no centro quando se tem um filho.  Para começar, pelas nossas noites de sono que não nos pertencem mais. Paramos, pelo tempo que cada uma pode e a seu modo, para nos dedicar a este outro ser humano totalmente dependente de nós. E nosso ego fica de lado, mesmo que pouco, juntamente com nossa manicure. Sem culpa confesso: no nascimento do meu segundo filho, fiquei mais de 4 meses sem fazer unhas. Acha absurdo? Não quer abrir mão de nada? Não tenha filhos.

A propósito, hoje, minha unhas estão feitas, tipo francesinha. :)

As carapuças foram jogadas ao alto (com as declarações dela).

Vestir ou não é questão de escolha. ;)


 

Bookmark and Share

20 responses to Polêmicas confissões?

  • [...] filhos. (21)O que eu já consigo fazer pelo meio-ambiente (21)Vacina MMR x Autismo: mais fatos (21)Polêmicas confissões? (19)Cinto de Segurança (19)Mudanças ÓTIMAS no nosso Concurso Cultural [...]

  • Ana Cláudia disse:

    Se puderem ler escrevi um texto intitulado TER OU NÃO TER FILHOS http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2129

    BJKS

  • [...] e eu ia escrever tudo isso nos comentários do post que escrevi a respeito (clique aqui para ler) mas ficou tão grande que achei melhor [...]

  • Ana Cláudia disse:

    Minha resposta ficou tão grande que virou um post…rs.. depois ponho o link aqui. :)

  • Marcia disse:

    Faço parte destas mulheres que não quiseram abrir mão de nada, casaram, não quiseram filhos mas raramente são compreendidas por tal escolha, sempre vista como egoísta.

  • Cecília disse:

    Olá, Ana e a todas. Sou a Cecília, da Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor. O debate proposto iniciado e proposto pela Maria Mariana (que repercutiu em vários blogs, muitos de maneira negativa) é válido. Mas é importante conhecer outros pontos de vista sobre o desafio de ser mãe. Quem quiser conhecer um outro ponto de vista, bastante diferente do da Mariana: “Sinceramente grávida” (http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=1188), da Zahar. A autora conta como uma gravidez muda a vida de uma mulher cuja vida social e profissional é intensa e que não tem planos de mudar seu estilo de vida.
    Um abraço

  • Ana, muito bom seu desabafo sobre as confissões. Cada uma de nós tem, à sua moda e por razões felizmente bem pessoais, questões a serem revisitadas e revividas quando um tema assim vem à baila. Admito que a entrevista dela não me incomodou tanto, pegou mais a curiosidade de leitora e a vontade de entender o ponto de vista desta mulher que é exatamente da minha geração, sobre um ponto que é fundamental em minha vida.
    Ser mãe é o ponto central da minha vida pessoal e do meu trabalho, pois há alguns anos eu escrevo como jornalista sobre ser mãe. E como a Maria Mariana eu dou a cara a tapa em mil momentos, me exponho e me arrisco quando conto algo da minha vida pessoal e das escolhas mínimas que faço cotidianamente como mulher e mãe. Nem por isso eu gosto que me dêem de dedo falando cobrando partos normais (não tive cesareas eletivas, foram de emergência, mas não quero ninguém me julgando por elas!) ou jogo na cara das pessoas os vários anos que amamentei minhas crias e os bebês que devo ter ajudado como doadora de leite humano. Enfim, como já falei outras vezes sobre esta entrevista, acima de tudo precisamos respeitar o outro e valorizar o direito à escolha que todos nós temos e que as mulheres alcançaram há tão pouco tempo!
    Beijos.

  • Fran Tsuchiya disse:

    Muito boa esta postagem Ana! Onde é que ela (Maria) falou tudo isto? Vou pesquisar aqui para ler, me interessou muito!
    bjokas
    Fran

  • ana b. disse:

    cara, esse povo reclamando da maria mariana dá uma preguiça…
    eu tb não pretendo comprar o livro dela, mas na única entrevista dela q eu li (a da época) não vi nada de tão preconceituoso assim…
    às vezes, a gente atira no que vê e acerta no que não vê…

  • Paola Oliveira disse:

    Oi, Ana!!!!!!!!!!!!
    Quanto tempo em vir aqui e quando venho tá essa polêmica por causa dessa Maria Mariana. Eu nem lembrava dela!

    Olha, eu li seu post e fui correr atrás de outros. Não comentei em ninguém porque entendi o que você falou.
    Sabe o que me pareceu, que alguém levantou a pedra e veio uma atrás da outra levantando também porque “aparentemente” as declarações são absurdas. Aparentemente.
    Mas uma coisa é interessante: Na maioria dos casos, se o texto taca pedra, os comentários também. Se o texto pondera, os comentários também.

    Mas sinto também que ninguém quer conversar, as pessoas querem ser aplaudidas. Se não, o argumento acaba.

    Eu não vejo tanta inocência nas declarações dela e acho que merecem muita, muita reflexão. Mas o povo quer é sangue! :(

    Beijo menina!

  • ooops… digitei errado, quis dizer opção de FICAR em casa, claro :-)

  • Ok, Ana, acho que estamos todas exaustas de falar nesse assunto hehehe…só repito que respeito a decisão de focar em casa, cuidando dos filhos, eu mesma fiz isso um tempo, como falei, o que eu e todas as outras criticamos não foi essa escolha, foi a forma que a moça escreveu, arrogante e preconceituosa. Agora, ela tá tentando mudar a história mas, no fundo, ela não negou o que disse. Desculpa mas, pra mim, ela é uma dondoca fora da realidade. Ela pode falar a besteira que quiser, mas como diz minha mãe, “quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

    Beijos e bom finde!

  • Ana Cláudia disse:

    Denise,

    eu não li o livro, sinceramente, não pretendo.
    Mas o que acho interessante é que milhares de mulheres tem posições pré-históricas como você diz, não só ela. E não vejo a menor possibilidade do mundo retornar ao que era no que tange às mulheres.
    Para mim, é absolutamente compreensível que as mulheres de antigamente não fossem criadas para prover ou trabalhar fora, afinal, com 10 filhos, quem consegue sair de casa?
    Hj, isso não existe mais!
    Conte nos dedos as mulheres que conhece, perto de você, que tem 4 filhos como a Maria Mariana?
    ELA É UMA EXCEÇÃO, seja no que escolhe , seja no que declara, seja no que vive.

    Contudo, também há uma grande maioria de mulheres que simplesmente só pensam em si mesmas. E isso, é masculino, tanto que a sociedade está como está.
    Acho importantíssimo o movimento feminista e se hoje vivo como vivo, foi graças à essas mulheres.
    Sou mulher e graças à Deus, diferente dos homens e é nessa diferença que acho que temos a grande força pra mudar o mundo.
    O feminismo absoluto já teve seu papel, sinto que está agora na hora de encontramos o meio termo entre entre o fio dental e a cauçola, se posso fazer este paralelo.
    Eu,como mulher, me sinto sobrecarregada, como muitas. Por isso, converso muito com meu marido e às vezes, deixo tudo por conta dele, para que ele entenda como é cuidar dos filhos, casa e trabalho ao mesmo tempo.
    Falo com todo o orgulho que meu marido tem tripla jornada como eu e chega cansado da rua e dá banho nos filhos!

    Agora, porque não acho um absurdo as colocações dessa moça? Porque é uma absurdo o que muitas mulheres fazem também no lado oposto. Como eu posso compreender as mulheres que precisam prover e não posso compreender as mulheres que não precisam, e não querem?
    Como eu posso compreender as mulheres que mesmo num passeio levam a babá e nem olham para a cara do filho e não compreender a mulher que vive plenamente a maternidade e é feliz?

    E se ela culpabiliza as mulheres, Denise, me desculpe, mas a maioria já faz isso antes dela. Ela é só mais uma. Cada uma que comece a se olhar e ver que a culpa não leva a lugar nenhum, senão ao sofrimento.

    Tem lugar no mundo para todo mundo e eu gosto de refletir sobre as escolhas e os lados positivos e negativos das questões. No meu texto , estou tranquila de que fiz isso e não concordei com todas as colocações dela.
    Mandar a Maria Mariana calar a boca e voltar para o ostracismo é agressivo e não constrói nada e infelizmente, é isso que tenho lido por aí.

  • E eu respondo… ela está culpabilizando as mulheres, sim. Eu não me culpo e acho que nenhuma mulher deve se culpar por algo que não é minha responsabilidade única, mas é responsabilidade do CASAL.

    O livro não vai causar “danos estratoféricos”, mas pelo que tenho visto de mulheres a elogiar as posições pré-históricas da moça, é preciso deixar muito claro que nem todo mundo concorda com ela.

    Beijoca!

  • Ana Cláudia disse:

    Oi, Denise! E todas que comentaram, obrigada por participar!
    Claro que não fico chateada, se eu ficasse seria contra tudo o que prego e se coloco minha opinião aberta, não posso esperar que todos concordem comigo.
    Li seu texto, não lembro se comentei, mas li muitos outros e alguns comentei , outros não. Mas nunca por achar que não valia à pena, foi falta de tempo mesmo ou falta de inspiração para ordenar os pensamentos na hora.

    Entendo sua posição e sua opinião. Eu, escrevi o texto, considerando que estou falando com mulheres que blogam, ou que frequentam a internet, enfim… não aquelas que não tem acesso á informação ou instrução. Essa não é a realidade aqui, neste espaço virtual.

    Entendo a situação de muitas mulheres sem instrução e que essa é a realidade muitas. Mas são elas que vão mudar a realidade delas ou são as instruídas?

    Tampouco considero que a Maria Mariana seja uma formadora de opinião a ponto de causar danos estratoféricos às meninas porque as meninas de hoje são muito diferentes de nós quando tínhamos a idade delas. Creio mais no dano de uma má conduta familiar do que a de um livro específico.

    Sou defensora ferrenha das mulheres atuarem, sim. E se você conversar 5 minutos com meu marido verá o quanto, apesar de ficar em casa, solicito que ele faça a parte dele. Educar, criar e cuidar de nossos filhos não é uma tarefa da mãe aqui, é dos pais. E ele faz de um tudo, como se diz.

    E justamente por ficar em casa, e ter um companheiro maravilhoso é que vejo o quanto as mulheres tem que deixar de trazer essa responsabilidade para si. Se comigo é assim, imagino com a maioria que ainda tem namorados e maridos machistas que não trocam sequer uma fralda! E o pior, elas aceitam isso.

    E justamente por isso, a mulher faz falta presencial com os filhos. Nossa visão do mundo é diferente e o mundo está como está porque vivemos numa sociedade machista, com inclusive, mulheres machistas. Tá na hora de feminilizar o mundo e se as mulheres querem mesmo só trabalhar fora, é preciso repensar a possibilidade de se ter filhos.
    Ser humano não é passarinho que basta trazer a minhoca e colocar no bico ou girafa que nasce caindo de 2 metros de altura e já sai andando.
    Ambiguamente, somos os mais evoluidos e os mais dependentes no primeiros anos.

    Prá mim, a grande vilã dos maus cidadãos que estão entrando no mundo e da culpa dos pais. A culpa de não prover o realmente importante e necessário, o faz não educar seus filhos como se deve, não os faz assumir a responsabilidade sobre os filhos, não os faz dizer não e dar financeiramente mais aos filhos do que eles realmente precisam. Compensação por essa vida corporativa de uma grande parte de pais e mães ocupadíssimos com suas vidas e suas carreiras.

    E aí me pergunto: ela está culpabilizando as mulheres ou as mulheres é que se culpabilizam?

    Beijos!

  • Ana, como eu sei que você leu meu post sobre a MM, que rendeu muita conversa, com mais de 70 comentários com várias perspectivas diferentes, tenho que botar a carapuça, não de estar “quicando”, que eu não sou mulher de quicar :-) mas de me indignar com as imbecilidades da MM e defender meu ponto de vista com argumentos muito coerentes e sensatos.

    Eu compreendo que algumas mulheres que pararam de trabalhar para cuidar dos filhos estejam se sentindo pessoalmente envolvidas na discussão, mas isso é um grande equívoco.

    Eu e essas mulheres – inteligentes, instruídas e bem informadas, como você disse – que escrevemos contra a entrevista da MM, não temos NADA contra a mulher parar de trabalhar para ficar em casa com os filhos, não estamos julgando ninguém, a não ser a megalomania e autoritarismo da Maria Mariana, que pretende ter o poder de julgar quem é, ou não, boa mãe.

    Eu mesma parei e me dediquei completamente a Bia por um ano e tive a oportunidade de ficar com ela o máximo possível por anos, quando estava fundando o Origem. Mas, o fato é que nós somos privilegiadas e quando eu digo isso, não tem uma conotação negativa, que bom que tive esse privilégio.

    O que não aguento, mesmo, é que ela queira culpabilizar as mulheres que não tem a mesma sorte que nós. Aí, é quando eu me dou ao direito de ter muita raiva porque a última coisa que todas nós precisamos é de outra mulher para colocar mais culpas em nossas cabeças.

    O que me irrita não é dizer que as crianças precisam ser bem cuidadas,mas que as mulheres é que tem de fazer isso. E não sigo isso apenas por ser feminista, mas porque isso não é bom pra ninguém,como disse em meu post.

    Pra cada uma dessas mulhree que você conhece que são dondocas e querem fugir das responsabilidades de ser mãe, tem milhares de mulheres que PRECISAM trabalhar, que lutam pra sobreviver dando duro por horas seguidas pra poder pagar plano de saude e botar comida dentro de casa.

    A MM não está apenas “dando sua opinião” nas duas entrevistas, mas está promovendo um livro de auto-ajuda, que pode ser formador de opiniões e que oferece “soluções” que são seriamente danosas para as nossas meninas. Por isso escrevi no blog e continuarei escrevendo sempre que for necessário.

    Como você sabe, eu trabalho, de uma forma ou de outra, promovendo a amamentação há mais de 20 anos. Durante 15 anos, eu “respirei” esse tema, pensava nisso da hora que acordava a hora de dormir. Ainda assim, eu nunca me senti no direito de criticar nenhuma mulher por não amamentar.

    Sempre achei que o papel dos que defendem a amamentação deveria ser no sentido de construir um mundo favorável e amigável à amamentação, não de cobrar porque uma ou outra decide dar a mamadeira. São tantas as razões que levam a isso, considerar que apenas as que “investem” na amamentação merecem essa prática é, na minha opinião, arrogante e elitista.

    Amamentação não tem a ver com merecimento. Trabalhei com mulheres em, comunidades de baixa renda do Recife que nunca leram um livro, nunca tiveram acesso a grupos de apoio e, na verdade, nunca nem *pensaram em amamentação*, enfrentaram as dificuldades sem pensar muito nelas… e amamentaram lindamente, da forma que deve ser, naturalmente. Elas não mereceriam, também?

    Finalmente (porque nem dá pra comentar tudo que eu discordei de você, querida hehehe), para alguém “ferrenha defensora das mulheres”, me desculpe, Ana, mas você foi bem preconceituosa em relação às feministas. Reduzir as conquistas históricas de mulheres que merecem nosso respeito e a quem devemos tudo que somos e conseguimos a uma imagem caricata foi uma péssima idéia.

    Espero que não se sinta ofendida com meu recado, não foi essa minha intenção, não sou troll e detesto discutir pelos blogs afora, mas acho que , talvez, a sua reação é que tenha sido a de alguém que não compreendeu a profundidade e gravidade do que tem sido dito sobre o assunto e o que isso representa para as mulheres.

    Abração!

  • Consuelo Zurlo disse:

    Concordo com seu texto e acho que tem que ter bom senso para comentar sobre o livro. Ser mãe é uma delícia e como você falou: se não quer abrir mão de nada, não tenha filhos. Mas acho complicado algumas coisas que ela diz, mas também pode ser por conta de interpretação. Fico sem muita coisa, mas não fico sem meus filhos. Claro tudo com bom senso, porque não quero ser modelo de mulher que se anula, se abandona por eles, mas também não vou para o outro extremo.

    Bom dia pra vc!

  • “As carapuças foram jogadas ao alto.” É isso aí!
    Fantástico, Xará!!!
    =)

  • Post bárbaro ana.
    Claro e equilibrado.
    Concordo que não adianta só ver o lado negativo de quem pensa e age como esta atriz, o que eu acho mais interessante é o poder de escolha.
    Para mim esta foi e é a maior conquista feminina: Eu decido o que quero para minha vida e ninguém tem nada com isso.
    Temos uma amiga que é artista plástica, mas desde que eu a conheço ela diz que se sente realizada criando filhos e cuidando da casa, que por sinal é um lugar tão aprazível de estar que quando entramos lá, não dá vontade de sair. E qual é o problema disso?
    Adorei, adorei, adorei.
    bjks

  • Leave a Response

    Recent Posts

    Tag Cloud

    Amamentação Ato Sustentável Blogosfera Brasil Campanhas cesárea Consumidor Consumo Consciente Contra a Impunidade crianças Datas Comemorativas Direito da Criança Ecologia Educação Escolar Educação Familiar Educação infantil Empresas Ensina e Educa Eu Eventos Faça a sua parte Gravidez infância maternidade micropost Mulher Nossos Deveres Nossos Direitos Notícias Nós na Blogosfera Outros Blogs Pais e Filhos parto parto humanizado Parto Natural Parto no brasil Política Sim políticos Reciclagem Relacionamentos Saúde sustentabilidade Tenha Atitude Vídeos Ética

    Meta

    Ana Cláudia Bessa is proudly powered by WordPress and the SubtleFlux theme.

    Copyright © Ana Cláudia Bessa