Sobre filhos e lobos….
Posted on 30 março 2009

Dado Dollabela tem estado continuamente nos noticiários. E não é a primeira vez que ele se envolve em confusões, principalmente com a Luana Piovani. Não gosto de nenhum dos dois e sei que minha opinião não faz a menor diferença na vida deles mas o caso Dado, merece ser analisado por nós, pais e mães. Afinal, porque um rapaz de bom nível social e cultural, com um trabalho bem remunerado, tem atitudes tão ruins consigo e com os outros?
Recentemente, foi preso por agredir a Luana e uma camareira. Aliás, prisão merecida apesar de ter sido tão curtinha. Mas lendo uma matéria que saiu essa semana na revista de Domingo do jornal O Globo falando da briga judicial pela herança deixada por Madalena Kahn, dona e fundadora da escola Chapeuzinho Vermelho e do colégio GIMK, na zona sul do Rio, comecei a entender um pouco melhor porque as coisas chegaram a este ponto. Onde entra o Dado nesta história? Entra que irmão dele estudou nesta escola, onde aliás estudou boa parte da elite da zona sul carioca.
Mas o que chama atenção na história é que num determinado episódio, o irmão dele invadiu a escola com amigos para roubar as provas finais e é pego pela dona da escola, Magdalena Kahn, que os expulsa da escola e permite que façam as provas finais sob escolta. O pai, Carlos Eduardo Dollabela, achou absurda a atitude da dona da escola e chegou a escrever notas de protesto para a imprensa. E na entrevista sobre a herança de Magdalena Kahn, Gilberto Dollabela, o irmão do episódio, lembra do fato de forma jocosa, mesmo hoje, homem feito.
Não distante desta realidade, vemos a mãe, Pepita Rodrigues, hoje, não mais nos tempos da escolinha, dizendo que o filho (que bateu em duas mulheres, uma delas de 62 anos) está sendo tratado injustamente pela Justiça. Segundo ela: “Meu filho não é bandido, mas está sendo tratado como tal. Não sei o motivo dessa maldade”.
Ou seja, o filho dela bate em duas mulheres em público e ele é que está sendo vítima da maldade dos outros.
O outro roubou provas da escola e o pai achou injusto ele ser expulso da escola e só entrar sobre escolta.
Entendem onde quero chegar? Em casos como esses, são os pais que acostumam os filhos a fazer todo o tipo de barbaridade e acreditar que não deveriam ser punidos. Ou seja, atitude ilimitada sem punição é igual a barbárie.
Inclusive, ele (Dado) deu entrevista dizendo que ele e Luana beberam muito naquela noite e que ele não tinha intenção de machucar ninguém. Ou seja, a bebida é a culpada? Não é quem bebe?
Por isso é que eu acho que qualquer pessoa que cometa qualquer crime sob efeito de álcool deveria ser acusado de crime doloso (com intenção).
Mas o mais importante pra mim é perceber que este é mais um caso de pais que consideram leves as faltas graves que os filhos cometem quando liberam os lobos dentro de si. Pais que superprotegem seus filhos e sempre alegam que os outros é que estão cometendo injustiças.
Um bom exemplo do que não devemos fazer com nossos filhos.
***
Entrevista da Pepita Rodrigues, mãe do Dado: http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=161278&blog=53&coldir=1&topo=3994.dwt
Sobre a prisão de Dado: http://www.abril.com.br/noticias/diversao/ator-dado-dolabella-solto-rio-janeiro-429244.shtml
Um visão do GIMK, onde o irmão do Dado estudou: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/dizventura/post.asp?t=o-gimk-eu&cod_Post=171277&a=296
5 responses to Sobre filhos e lobos….



@anaclaudiabessa



Completando: é sem dúvida um exemplo de como NÃO devemos educar nossos filhos. Passar a mão na cabeça de delinquentes (pode não ser bandido, mas é delinquente) nunca traz bons resultados. Um dia (deusmelivre) bate na mãe e ninguém sabe por quê.
Ah, então tá, eu só queria entender!
Pra mim ficou implícito que havia uma crítica a quem passou por lá, mas como a carapuça não serviu, achei bom esclarecer que não era só de riquinhos-e-famosos-que-acham-que-podem-tudo que a escola era feita. E Dona Magdalena era mesmo pulso firme.
Oi Ana, essa situação é toda muito curiosa. Sem dúvida que a postura desses (e de muitos outros pais por aí) criam monstros, mas me assusta demais essa aceitação da impunidade porque não é só a mãe, mas um monte de artistas falando barbaridades por aí de apoio a esse moleque. São meio que dois pesos e duas medidas, a lei é clara mas parece que pra ele deve ser interpretada diferente, afinal “ele não é um bandido”, isso que todos repetem. Acho que a punição deveria ser exemplar, como a da dona da Daslu, mas infelizmente sabemos que no final das contas ninguem vai acabar atrás das grades de verdade.
Dá uma olhada nesse post da Van: http://inconfidenciamineira.com/?p=1683
Beijo
Re
Silvia, onde eu falei mal do GIMK? Onde eu falei que a culpa era da escola? :0)
Eu citei que a escola expulsou os alunos infratores e que o pai achou um absurdo.
Aliás, um ótima postura da escola. Absurdo foi o pai escrever para a imprensa protestando!
Sinceramente, não li no meu texto nada que criticasse a escola. Citei que foi a escola da elite da zona sul carioca mas em nenhum momento falei que isso era ruim. Mas é relevante se levarmos em consideração que é mais um fato que comprova que eles estiveram sempre em boas condições de vida e educação, sempre acima da média.
Minha crítica foi única e exclusivamente ao comportamento dos pais.
Então, caso não tenha ficado claro a ligação dele com a escola foi pelo episódio ocorrido com o irmão e a postura do pai diante da situação. Isso me fez entender porque eles agem desta forma.
E para piorar, a mãe defende o filho diante das acusações de agressão.8-O
No link da visão do GIMK, coloquei exatamente uma visão do GIMK, não a minha visão. Mas uma visão que nos faz refletir sobre algumas outras famílias.
E repito, o estrago na base na família Dollabela me pareceu vir do comportamento dos pais.:0(
A escola, neste caso, foi só um dos palcos do resultado da atitude dos pais e da atitude dos filhos.
Ih, Ana, mas generalizar dizendo que não presta porque estudou no Chapeuzinho/GIMK é forte, mulher! (risos) OK, era um colégio de patricinhas e mauricinhos, sem dúvida, de muita gente de muito mais grana do que podemos imaginar, mas mesmo entre os riquíssimos tinha muita gente boa. E nem todos eram riquíssimos. Aliás, muitos se faziam de ricos para não ficarem de fora da galera “pop”. Alguns valores que, mesmo subrepticiamente, a escola estimulava eu não gostaria de passar para as minhas filhas, mas não posso negar: tive ótimos professores, a estrutura da escola era sem igual, e todas as matérias eram levadas muito a sério, inclusive algumas que outras escolas parecem não valorizar tanto, como idiomas (tinha inglês e francês) educação física, artes e educação religiosa.
Aliás, o link do Globo, acho que com texto de Mauro Ventura, falou de um teste de nivelamento: o único teste de nivelamento de que me lembro no GIMK era o de inglês, e vou te dizer que achava o método muito inteligente, pois em toda turma há alunos mais adiantados, outros menos – seja porque uns têm mais vocação pra coisa do que pra outros, seja porque fazem curso particular por fora. No GIMK, colocava-se alunos do mesmo nível na mesma turma (juntava-se todos os alunos do mesmo ano e dividia-se em 3 níveis distintos), assim era possível trabalhar o potencial de cada turma – coisa que um Santo Agostinho da vida não tinha, tornando as aulas de inglês uma aula só para constar no grade mesmo, porque não se aprendia nada ali – não aprendia nada quem sabia muito, e não aprendia nada quem sabia pouco.
Em tempo: eu não poria minhas filhas para estudarem em nenhuma das escolas onde estudei (exceto a primeira, a Escola Parque), mas não acho que tenham feito um estrago tão grande assim com a gente, não.