Mochilas Escolares, outro drama. | Ana Cláudia Bessa

Mochilas Escolares, outro drama.

Posted on 09 fevereiro 2009

mochilaAno passado, fora o preço do material escolar, um grande drama para mim, foi escolher a mochila. Na escola, não há a necessidade de levar material escolar e nem lanche – que é preparado na escola seguindo orientações de uma nutricionista-, mas como ainda é, na verdade, de uma pré-escola, ele leva na mochila uma muda de roupas e uma toalha para qualquer imprevisto desta ordem. E realmente aconteceram vários acidentes que necessitaram de troca de roupa.

Por isso, a mochila não precisava ser de rodinhas, no meu entender. Afinal, além do pouco material, ele só carrega a mochila praticamente do carro à sala de aula e vice-versa no fim do dia. Nada mais que 20 metros. Mas a vedete do momento ainda era a mochila de rodinhas. E realmente, num primeiro olhar, diante da quantidade absurda de material que as crianças precisam carregar, era melhor puxar um carrinho do que carregar 15 quilos nas costas.

Mas minha atitude sempre questionadora se perguntava ser realmente essa mochila era a melhor opção e decidi que no caso daqui de casa, não era. Comprei uma mochila simples mas que parecia dar apoio de qualidade à coluna, sem personagens (para evitar estimular o consumismo precoce) e muito mais barata que as de rodinhas.

Esse ano, o drama não foi diferente. E o pior é que eu não encontrava nenhuma mochila razoavelmente bonita em ser de personagens famosos e que estão custando o “olho da cara”.  E sem rodinha? Um verdadeiro desafio.

Mas, de repente, começo a ouvir na mídia a noticia de que os especialistas estavam condenando as mochilas de rodinhas porque forçam a coluna de forma inadequada e desigual. Ou seja, agora, o mais indicado é a mochila nas costas, corretamente apoiada e com menos de 10% do peso da criança em material escolar.

Algumas coisas eu preciso considerar antes de comemorar minha escolha pela mochila se rodinhas, aparentemente, não equivocada:

1. A gente precisa ter uma visão crítica das informações que recebemos todos os dias. Não dá para confiar em tudo o que falam. Neste caso por exemplo, a mochila de rodinha foi durante anos elevada à condição de salvadora da saúde ortopédica das crianças. Agora, acaba de virar vilã. Portanto, antes de aderir cegamente, devemos usar nosso bom senso.

2. Será que realmente estes posicionamentos são confiáveis ou foi uma jogada de marketing lançada no mercado para que as pessoas agora renovem suas mochilas? Teoria da conspiração? Pode ser… mas, não podemos esquecer que a moda quando muda, gira o mercado e  circula o dinheiro.

Mas, eu observei o seguinte: 

Durante um evento ocorrido em SP, fiquei para todos os lados carregando minha bolsa de viagem possuidora das “milagrosas” rodinhas. Pois bem, depois de alguns dias, senti fortes dores nas costas e desde então, venho sentido fortes fisgadas. Será que não foi a mala de rodinhas que sobrecarregou um dos lados do meu corpo em detrimento do outro que não empunhava a mala?

Por isso, mantenho minha posição contrária à maré da moda. As mochilas aqui são novamente sem personagens e sem rodinhas. Se vai mudar, não sei, mas hoje sinto que isso é o melhor para o estilo de vida das crianças.

Mas ainda assim, corremos os riscos de uma nova pesquisa, daqui a alguns anos, voltar a dizer que a mochila de rodinhas é melhor ou ainda que um novo modelo de mochila é melhor que as duas. E esse novo modelo, alguns anos depois , pode não ser mais  tão bem indicada. E a gente fica assim, meio perdido sem saber no que acreditar.

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Ana Cláudia Bessa

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11 responses to Mochilas Escolares, outro drama.

  • JANAINA disse:

    OI, REALMENTE AS MOCHILAS ESCOLARES PARA AS COSTAS CAUSAM DANOS E DORES, MUITAS VEZES QUE PODEM DURAR PARA SEMPRE, COMO É O CASO DE NOSSA AMIGA ACIMA. PORÉM, EU COMPREI UMA BOLSA DE RODINHAS PARA MINHA FILHA POR UM SITE CHAMADO CATMANIA (WWW.CATMANIA.COM.BR), É SUPER ESPAÇOSA… E ESTÁ SENDO ÓTIMO, NUNCA MAIS RECLAMOU DE DORES E DE PESO. AGORA PARA JOVENS E ADULTOS JÁ É UM POUCO MAIS COMPLICADO, O CORRETO SERIA AS ESCOLAS E UNIVERSIDADES OFERECEREM ARMÁRIOS AOS SEU ALUNOS PARA QUE NÃO HOUVESSE ESTE PROBLEMA COM PESO E DOR NAS COSTAS. É ISSO…BJU

  • Renata disse:

    Uma outra coisa: Pipoca ainda está na pré-escola e a situação é semelhante a dos meninos, só mando escova de dente, muda de roupa, toalha e o caderninho para anotações para a professora. Qdo coloco a bosinha de remédios – como hoje, já que ela está tomando três homopatias – já acho a mochila pesada. É um absurdo criança carregar um monte de livros e cadernos! Na minha época já tinha bastante, mas pelo que já ouvi hoje está ainda pior. Fico me perguntando pra que tanto material…
    Beijo
    Re

  • Renata disse:

    Que loucura, Ana. Antes era a solução para o perigo que o excesso de peso que as crianças carregavam, e agora passou a ser prejudicial? Não tenho dúvidas de que muitas desses modismos que surgem com bases em pesquisas e posicionamentos de especialistas podem ser golpes de marketing.
    Nãome preocupo com isso, pq aqui em casa a mochila vai leve e eu levo a Pipoca até a porta da sala. E a escola pede mochilas e roupas (eles não usam uniforme) sem personagens. Mochilinha da Adidas (que eu já usavsa pra carregar as coisinhas dela qdo saíamos de casa) e roupinhas de malha básicas e sem estampas – da bebê básico mesmo, as suas e outras tenho pena de usar na escola, já que a Pipoca fica imunda.
    Fico impressionada como toda criança que vejo indo pra escola ostenta uma mochila de personagem. Nossas crianças são veículos de propaganda mesmo. A Pipoca mesmo pede pra ir pra escola com a mochila de Bela Adormecida que ganhou da madrinha. Todo dia a mesma ocnversinha. Mas a gente fala que é pra levar a outra e ela logo esquece.
    Beijo
    Re

  • Taís Vinha disse:

    Tenho uma tia, fisioterapeuta, que há anos condena a mochila de rodinha e já tratou inúmeras crianças com desvio na coluna por conta da danada. Há muito tempo ela me alertou para não usá-las. Mas nunca tinha ouvido ninguém ser contra. Ótimo post esse.

    A minha briga do momento na escola é com o peso da mochila. A do meu filho ultrapassa em cerca de 1,5kg os recomendados 10% do peso da criança. Mandei bilhete para a escola e recebi um singelo “não sabemos o que fazer para reduzir o peso”. Pode? Não pode. Portanto, estou indo a luta, inclusive com laudo médico proibindo meu filho de carregar peso. Se continuar, vou mudá-lo de escola. O menino já tá meio torto. Fala sério. A gente copia tanta tranqueira dos americanos, porque não importa a idéia dos estudantes terem armários como aparecem nos filmes?

    Cada dia um leão, não?

    Bjs

  • Realmente e um tema complicado. Eu so sei que no meu caso, o fato de
    ter carregado a mochila com mais peso do que o indicado e sempre de um lado só, fez com que eu tivesse um desvio da coluna e até hoje sofro com dores do lado direito do corpo.
    Na escolinha que o meu filho ficou no rio de Janeiro, eles pediam que as mochilas não tivessem rodinhas e nem motivos, assim não geraria brigas entre os alunos e nem competição da melhor mochila, já que o único objetivo também era levar poucas coisas.
    Aqui eu não terei muitas preocupações já que o material ficará naqueles armários que as escolas disponibilizam, mas como eu já disse é um tema complicado de se resolver.
    bjks

  • Aiiiiii isto não me pertence ainda* hihihaiha
    :)

    abraços moça

  • Ivo Fontan disse:

    Continuem lendo (sem preconceitos, rs rs rs)para entenderem onde eu quero chegar.
    O que eu pretendo mostrar, “geo”, é que os preconceitos, seja de que natureza forem, se extinguem naturalmente uma vez extinta a fonte que os gerou. Eles (os preconceitos) não são intrinsecamente “do mal”, eles são sim, intrinsecamente “instintivos”.
    Um antílope selvagem fugirá sempre que avistar ou sentir o cheiro de um leão, pois seu pré-conceito lhe dirá que aquilo representa perigo.
    Um antílope criado com um leão desde pequenino não possuirá este pré-conceito e não fugirá.
    Querem ver uma coisa? Quem hoje fica tranquilo no trânsito quando vê se aproximar uma motocicleta com duas pessoas? Olhaí um pré-conceito moderno nascendo! Por causa disso você vai deixar de tomar precauções? Vai apostar que são dois “trabalhadores” indo para o trabalho?
    Já racismo é outra coisa. É doença da alma!

  • Geo disse:

    Realmente vc distinguiu bem a diferença entre o preconceito e o racismo, mas eu acho os dois são injustificáveis e inaceitáveis. Marginal e bandido existe de toda cor e classe social, muitos comandando estados e fazendo leis. Não é porque alguns deles são negros que podemos justificar o preconceito sobre a raça.

  • Ana Cláudia Bessa disse:

    É, Ivo, infelizmente, essa é uma realidade porque, de fato, tudo o que vivemos é fruto da história do nosso país.

    Muita gente, inclusive, condena muito a Princesa Isabel por conta disso. E aí, eu coloco mais lenha nessa fogueira: quando seria feita a abolição dos escravos se dependesse dos homens poderosos da época?

    E o que conseguiria de melhor, uma mulhernaquela época, do que conseguiu a princesa?

    E agora, diante desse quadro, o que podemos fazer para entrar no caminho de melhora dessa situação, que é uma realidade da qual não podemos fugir?

  • anaclaudia disse:

    Infelizmente, a maioria das escolas ainda vai esperar que uma lei imponha a obrigatoriedade de armários individuais dentro da escola.

  • anaclaudia disse:

    Eu também não me preocupo. Não lembro quem me contou que a mochila tinha mais de 10 quilos!!!! E que a escola simplesmente lamentou pelo peso que a criança carrega mas que não poderia fazer diferente!

    Ou seja, vai precisar de lei para que um educador cumpra seu papel e dê o exemplo sem que precise de leis?

    Quanto às mochilas sem marca, eu ano passado dei uma de carro de corrida (genérica, digamos) . Ele aceitou bem mas me pergunto se realmente ele não se sente fora do contexto. Para você ter uma idéia, pelo que vi, as mochilas das crianças são as únicas sem personagem e sem rodinha. Ou seja, eles estão de fato, fora do contexto. E como eu já fui criança e já desejei brinquedos e marcas famosas, sei que não é legal. A gente se sente diferente e inferior e isso é o que o marketing quer. Mas penso , sim, em ano que vem, lhes dar uma mochila de marca porque a vida é assim, um equilíbrio. Hora temos, hora não temos. Quando temos, é legal, quando não temos, é legal também. É isso que quero ensiná-los.

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