Cães ferozes e seus donos | Ana Cláudia Bessa

Cães ferozes e seus donos

Posted on 29 dezembro 2008

jape09539aa00Outro dia, falei sobre doação de cachorro e isso me lembrou de outros assuntos relacionados a estes animais tão queridos por nós: as raças violentas que povoam os noticiários todos os dias.

Me lembrei do caso de uma amiga tinha uma pitbull e depois de 6 meses, se não me engano, a cadela mesmo tendo sido muito bem tratada, sem nenhum tipo de estímulo violento, sendo adestrada profissionalmente, sociabilizada, enfim… recebendo todos os cuidados que um pittbull inspira, se tornou violenta com as pessoas e com seus outros cachorros. Ela teve que doar a cadela. Mas ela tomou todas as precauções e escolheu a dedo o novo dono. Não foi fácil para ela e não foi fácil para o novo dono que teve que preencher uma série de pré-requisitos para ficar com a pittbull. Isso se chama POSSE RESPONSÁVEL.

E isso é outro assunto que vale à pena falar porque é muito comum falarem mal dessa raça. Uma das coisas é que é raça de laboratório: é verdade. Foi uma raça que foi feita através de cruzamentos muito específicos para ser um cachorro de rinha, ou de briga. Raças violentas para criar um cachorro capaz de ser um grande vencedor nestes combates. Mas esse negócio de raça de laboratório, meu poodle também é: foram cruzamentos específicos de poodles cada vezes menores até chegarem no meu poodle toy e mais tarde, criarem o micro-toy. Porque , na verdade, o poodle original é de porte médio, lindo, um poodlezão. E isso acontece com todas as raças. Então, ser raça de laboratório não faz do pittbull um cachorro pior.

O que faz do pittbull um cachorro pior são determinados donos. Comprar um cachorro, qualquer cachorro, de uma raça violenta ou de guarda (como rottweillers, pastores, filas e pittbulls, entre outros) exige cuidados muito específicos, critério, informação e respeito pela raça e pelas outras pessoas. Com qualquer um desses cachorros não se pode descuidar, andar sem coleira e guia, deixar perto de crianças sem supervisão. Tem que saber cuidar desse tipo de cachorro. E não se iludam, cachorro pequeno morde mais que cachorro grande. Eu já fui mordida por poodle e vira-lata e uma vez fui mordida por um pastor, por culpa minha: corri na frente dele e virei caça…puro instinto do cachorro. O problema, é que ele quase levou um pedaço da minha bunda. Parece engraçado, não é? Mas foi um susto terrível e se fosse uma criança que corre muito (e sempre), não podemos dizer o que teria acontecido.

Outro dia mesmo, eu passei por um susto enorme com meu caçula. Estava na casa de uma amiga que tinha uma pastora e estava num quarto fechado enquanto estávamos lá. Pois num segundo , não percebemos o afastamento dele e só ouvimos os latidos da cachorra e os berros dele. Gente, foi um minuto e uma tragédia parecia anunciada. Por seus gritos, eu já estava esperando econtrar uma cena horrorosa. Saímos correndo e nada havia acontecido, mas foi por pouco, porque tudo indica que ele ia abrir a porta, mas a cadela sentiu seu cheiro e latiu, assustando-o, que ao gritar, gerou mais latidos, que gerou mais gritos… (meu coração ainda bate mais forte quando relembro a cena). Por isso, meus amigos, nada de colocar a culpa na raça pittbull. Cachorro é cachorro, é irracional. Os acidentes que acontecem são por nossa conta e risco. O descuido da criança ter ficado sozinha foi dos pais (no caso, nós) e o descuido da porta onde o cachorro estava não estar trancada, foi dos donos do cachorro. Neste caso, somos todos amigos mas isso não nos redime de nossa falha. A criança é que não tem culpa nenhuma, muito menos o cachorro. Nós adultos, todos, falhamos, como todos correm este mesmo risco a qualquer momento.

O que muitos não sabem e nem são informados ao adquirir o cachorro, é se ele convive bem com outros cães. Pittbull não convive. E podem aparecer criadores  (e donos) dizendo o contrário (existem os sérios e não tão sérios), mas é só usar a lógica. Qual o instinto da raça? Então, conviver com outros cães é um puro vento da sorte. Que pode mudar de lado a qualquer momento. Então, o mais indicado para quem quer ter um pittbull é não ter outros cachorros.

Se você quer ter um cão de guarda, uma raça mais feroz, não hesite em procurar informação e ajuda. Na internet ( e eu não canso de falar aqui) tem muita informação. Procure ser seletivo, entre em contato, peça referências, estude cada raça e compare com as suas caracterísitcas e de sua família. Isso não é garantia, mas é um belo caminho andado para que as coisas tenham maiores chance de dar certo.

Sempre lembrando, que acidentes acontecem. Os culpados somos nós e nossos descuidos, atos falhos de humanos que somos. Sabendo que há sempre um preço e arcar com essas responsabilidades, isso é fundamental. Seja qual for o cachorro. Não esquecendo de um princípio simples: os cachorros maiores machucam mais.

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Ana Cláudia Bessa
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2 responses to Cães ferozes e seus donos

  • celia disse:

    morro de medo de cachorro.ja fui mordida duas vezes,a 2ªvez ele me arrancou pedaço da coxa,sorte que a dona apareceu logo e tirou ele de cima de mim

  • Silvia disse:

    Ana, como te falei por email, identifiquei minha história aí.

    Você acompanhou tudo de perto, e sabe que pensei bastante antes de comprar a Athena. Eu sabia que havia o risco dela se voltar contra os outros cachorros, mas me deixei levar pelos casos de sucesso. Foi quando atingiu a maturidade (com cerca de um ano e meio) que a genética começou a falar mais forte.

    Entretanto, ela continuou a ser uma cadela que gostava muito de gente. Como é comum com cachorros, ela não gostava de pessoas que demonstravam medo. Mas isso pode ocorrer com qualquer raça: até a Belle (pra quem não sabe, minha pit-poodle) “se acha” quando fareja o medo. Os animais, por instinto, quando farejam o medo, assumem uma postura defensiva, pois na natureza um outro animal com medo pode significar que a qualquer momento ele pode atacar.

    Ter que doar um animal criado com carinho é muito difícil. Até hoje (e lá se vão quase cinco anos desde a doação) dói e a saudade aperta. Não consigo escrever ou falar sobre o assunto sem ficar com lágrimas nos olhos. Ela foi uma companheirona, estava sempre alegre (parecia estar sorrindo quando vinha abanando o corpo todo nos agradar – ela não abanava só o rabo, se rebolava toda quando estava alegre).

    A decisão de doar foi um processo longo e sofrido, mas tomado pensando no melhor para os outros cachorros e para ela – que tinha que viver separada por conta disso.

    Por isso eu reforço o conselho da Ana: pesquisem muito, conheçam as características da raça antes de decidir que cachorro ter. Se não for de raça, aprenda como identificar determinadas características que indicam submissão, obediência, agressividade conversando com um bom profissional que tenha profundos conhecimentos sobre comportamento canino.

    O resultado de uma aquisição/adoção consciente é muito bom.

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